PayPal se prepara para entrar no setor das carteiras digitais

PayPal se prepara para entrar no setor das carteiras digitais

Por Rui Maciel | 07 de Agosto de 2020 às 15h45
ecommerce brasil

Desde que se tornou independente do eBay, em 2015, o PayPal passou por grandes mudanças, o que inclui a compra de outras empresas para se consolidar em uma solução mais ampla do que apenas um sistema de pagamento padrão para e-commerces e transferências eletrônicas. Agora, a empresa prepara o seu próximo - e até esperado - passo: se tornar uma carteira digital para uso diário.

Nos últimos anos, a empresa vem se planejando para fazer parte do cotidiano dos consumidores e vem preparando as bases para se tornar mais do que apenas um processador de pagamentos. Com a compra de empresas como a Venmo - cujo aplicativo realiza pagamentos ponto a ponto - e a Honey, uma startup especializada em recompensas, a PayPal quer se tornar uma carteira digital completa, em que os usuários possam gerenciar seus pagamentos, recompensas, faturas e crédito em um só lugar. ara esse fim, o PayPal planeja gastar US$ 300 milhões trabalhando nessas iniciativas, mais precisamente durante o segundo semestre deste ano.

Por exemplo, o PayPal quer ajudar os usuários a gerenciar seus serviços de assinatura para manter os cartões de crédito atualizados e, proativamente, solicitar aos usuários que renovem os cartões cujas datas de vencimento estejam próximas de expirar. A plataforma também está procurando maneiras de integrar recompensas em seus aplicativos PayPal e Venmo, não apenas através do Honey, mas também através dos relacionamentos existentes com varejistas e bancos. Com essas parcerias, a plataforma poderia servir como uma carteira central ligando os pontos de fidelidade dos consumidores entre marcas e cartões.

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"De maneira ainda mais ampla, se adicionássemos companhias aéreas ou carros de aluguel, forneceremos utilidade com esses pontos de fidelidade", afirmou John Rainey, CFO do PayPal, em entrevista ao site Business Insider. "Isso porque nossos clientes podem usá-los como um instrumento de financiamento por meio de nossa carteira digital, com qualquer um dos comerciantes que processamos em todo o mundo".

Ventos favoráveis

O lançamento da carteira digital do PayPal encontra ventos bem favoráveis em 2020. Até aqui, esse talvez seja o melhor ano da história da companhia, com suas ações mais que dobrando desde meados de março, uma vez que, com a pandemia, as compras online disparam e a empresa registra números recordes de novas contas e transações mundo afora.

Mas, para além do coronavírus, o PayPal também está renovando seu portfólio com novos produtos, como códigos QR como forma de pagamento. Além disso, o seu aplicativo peer-to-peer Venmo continuou a crescer, mesmo em condições desfavoráveis, gerados pela quarentena.

John Rainey, CFO do PayPal: ano favorável permtiu que a empresa alavancasse sua estratéria para carteira digital

A onda favorável se reflete em números. No segundo trimestre, o PayPal registrou um crescimento de 30% em volumes e 25% em receita. Também adicionou mais de 21 milhões de novas contas, a maior alta trimestral de todos os tempos. "Há uma década, o PayPal era considerado uma maneira de pagar apenas no eBay", disse Rainey. "Agora, estamos lançando experiências nas quais você poderá entrar em uma farmácia, em um mercado ou em um grande varejista, digitalizar um código QR com o seu iPhone e pagar dessa maneira",

Livre das amarras do eBay

Como parte de um contrato operacional de cinco anos, estabelecido após a separação do eBay, o PayPal continuou processando a grande maioria das transações da plataforma de marketplace. Além disso, o PayPal era obrigado a fornecer ao mercado preços melhores do que um punhado de concorrentes do eBay, cujos nomes foram redigidos no contrato. Mas, agora foi finalizado, o eBay começará a migrar seus pagamentos internamente.

Com o fim do contrato, o eBay, atualmente, representa apenas 9% do volume de transações do PayPal. E Rainey espera que esse número caia para cerca de 6% até o final do ano. "Esta é uma transição muito administrável", declarou o executivo. "Deveríamos ser capazes de suportar isso sem nenhum impacto fiscal em nossa apresentação de resultados em termos de rentabilidade".

O PayPal, porém, ainda será oferecido como uma forma de pagamento alternativa no eBay daqui para frente. Rainey disse que historicamente, quando os mercados mudam para gerenciar seus próprios pagamentos, o PayPal retém cerca de 50% dos volumes de checkout. Mas, o melhor de tudo, o PayPal agora está livre para fazer parcerias com qualquer mercado, dentro e fora dos Estados Unidos.

Ao se separar do eBay, PayPal alavancou seus resultados

E essa liberdade culminou em melhores resultados. Além do eBay, o PayPal registrou um crescimento maciço no volume de transações em mercados como Etsy e Shopify. Enquanto o eBay registrou um aumento de 30% no volume no segundo trimestre, o Etsy e o Shopify registraram um crescimento de mais de 100% no volume de vendas.

"Agora temos a capacidade irrestrita de fazer parceria com qualquer pessoa no mundo", disse Rainey. "Se você pensar em alguns dos maiores mercados, como MercadoLibre, Alibaba ou Amazon, se tivermos a oportunidade de trabalhar com eles, podemos fazer isso sem nenhuma restrição".

Crescimento mundo afora

E a declaração de Rainey já traz resultados práticos, inclusive no Brasil. No último dia 29 de julho, o Mercado Livre anunciou a disponibilização do PayPal como uma forma de pagamento em sua plataforma para clientes no Brasil e no México. A medida é uma continuação da parceria, iniciada em dezembro de 2019, que permitia aos usuários do e-commerce fazer transações no restante do mundo pelo PayPal. Vale lembrar também que a companhia investiu 750 mil dólares em ações no Mercado Livre mais cedo naquele mesmo ano para promover a funcionalidade.

De acordo com as empresas, a nova modalidade de pagamentos estará disponível em meados de agosto. Ela será válida tanto no check-out online, quanto via link de pagamento do próprio Mercado Pago. Em nota, a empresa estima que 346 milhões de clientes do PayPal sejam atingidos pela novidade. Além do Mercado Livre, a processadora também já tem parceria com outras empresas, como o Facebook e o Google para potencializar seus pagamentos.

PayPal e Mercado Livre: marketplace passa a aceitar a processadora como forma de pagamento

Se em seus principais mercados, como Canadá, Alemanha, Reino Unido e EUA, a estratégia do PayPal é aumentar o envolvimento dos usuários, internacionalmente, o PayPal tem mais espaço para crescer, já que tem menor penetração em regiões como Ásia e América do Sul. "O MercadoLibre é, obviamente, muito grande em mercados como Brasil, México, Argentina", disse Rainey. "Esses são lugares onde realmente tínhamos algum espaço em branco em nossa rede".

Par além do MercadoLibre, o PayPal também está procurando uma parceria com os grandes players de e-commerce da China, disse Rainey. Em dezembro passado, o PayPal adquiriu a plataforma de pagamentos chinesa GoPay , tornando-se o primeiro player estrangeiro com licença para fornecer pagamentos digitais no país asiático.

Venmo como um dos pilares de sua carteira digital

Para alavancar a sua entrada no mercado de carteiras digitais, o PayPal elegeu a Venmo como um dos pilares da sua estratégia. Muitas vezes, o aplicativo tem sido usado em ambientes sociais por grupos de amigos dividindo a conta em bares e restaurantes. Além disso, os usuários ainda estão enviando dinheiro pela plataforma. Durante o segundo trimestre, o volume de transações da Venmo cresceu mais de 50%. Atualmente, o aplicativo tem cerca de 60 milhões de usuários. "Historicamente, houve casos de uso mais limitados para o Venmo", disse Rainey.

Especialmente no que diz respeito ao envio de códigos QR do PayPal como forma de pagamento, o Venmo será uma plataforma crítica para aumentar o envolvimento do usuário. A plataforma agora também oferece perfis de negócios e lançará seu cartão de crédito ainda este ano, segundo executivo.

A estratégia do PayPal para carteiras digitais encontra eco entre outras gigantes da Tecnologia. Apple e Samsung estão fazendo grandes esforços para a adoção de suas próprias soluções no setor. A divisão para correntistas comuns do banco Goldman Sachs também está trabalhando em produtos baseados em dispositivos móveis, que podem otimizar seus gastos, economia e investimento. E a American Express também vem desenvolvendo seu aplicativo , buscando reunir os gastos e recompensas dos clientes.

Fonte: Business Insider  

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