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Por que o tempo fica mais lento em estados alterados de consciência?

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Mat Brown/Pexels
Mat Brown/Pexels

Como até mesmo Einstein dizia — e não é uma citação falsa de Facebook —, o tempo passa diferente em cada situação. Quando estamos viajando para lugares desconhecidos, por exemplo, o tempo parece passar mais devagar, assim como em momentos de tédio ou dor. Quando estamos absortos em algo, por exemplo, praticando esportes, jogando ou dançando, ele passa mais rápido.

Muitas pessoas também relatam sentir o tempo passando mais rápido à medida que envelhecem. Essas percepções, no entanto, são leves, e cientistas notaram algo chamado “experiências de expansão de tempo” (EET), nas quais o tempo de segundo parece durar minutos. Elas costumam acontecer em momentos críticos, como em um acidente de carro, ou durante experiências psicodélicas. 

Tempo e sua percepção

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A ciência não possui um consenso sobre os mistérios da percepção do tempo, mas, em geral, considera-se que variações leves nessa noção temporal estão ligadas ao processamento de informações. Quanto mais informação — pensamentos, sensações, percepções — nossa mente tem de processar, mais devagar o tempo parece passar.

É por isso que, para crianças, o tempo passa mais devagar: seu mundo é feito de novidades. Ambientes novos esticam o tempo por conta de sua pouca familiaridade. Já a absorção em atividades contrairia o tempo porque nossa atenção fica bastante direcionada e a mente se aquieta, com poucos pensamentos surgindo, deixando o tempo passar mais rápido.

O tédio, pelo contrário, faria a mente sem foco processar muitos pensamentos, levando a uma passagem mais devagar. Já nas EETs, comuns em acidentes e emergências, o tempo ganha várias ordens de magnitude.

O cientista Steve Taylor, da Universidade de Leeds Beckett, estuda essas ocorrências, e descobriu que até 85% das pessoas tiveram pelo menos uma dessas experiências de expansão temporal. Cerca de metade delas ocorreu em situações emergenciais, surpreendendo o paciente com a quantidade de tempo disponível para agir.

Tais experiências também são comuns no esporte — jogadores de hóquei no gelo reportaram a Taylor terem feito jogadas de oito segundos que pareceram durar dez minutos. Momentos de meditação e presença na natureza, no entanto, também podem gerar EETs. Alguns dos casos mais extremos ocorrem com o uso de substâncias psicodélicas, como LSD ou ayahuasca.

Cerca de 10% das EETs pesquisadas por Taylor estão ligadas a psicodélicos — um homem reportou ao pesquisador que, durante o uso de LSD, ele olhava para seu relógio e os centésimos de segundo pareciam se mover tão devagar quanto um segundo inteiro. O que explica isso?

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Experiências de expansão de tempo

As teorias vigentes são um pouco problemáticas. Uma delas diz que as experiências seriam resultado da liberação de noradrenalina, um hormônio e neurotransmissor responsável pela reação de “bater ou correr”. Isso não explica, no entanto, o estado de calmo bem-estar relatados por quem passa por uma EET: é comum sentir uma calma e relaxamento incomuns a uma situação de acidente.

Para completar, como algumas experiências acontecem em momentos tranquilos, como a meditação, a teoria não encaixa tão bem. Taylor também considerou a teoria de que seria uma adaptação evolutiva, com nossos ancestrais desenvolvendo a habilidade de desacelerar o tempo em emergências, mas isso também encontra problemas com os EETs não-emergenciais.

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Uma terceira teoria diz que tais experiências seriam ilusórias, causadas pela maior precisão da nossa percepção no momento expansivo. A questão é que, muitas experiências, as pessoas realmente têm certeza de estar com mais tempo à disposição para agir, permitindo pensamentos complexos e rápidos que seriam impossíveis na velocidade “normal”.

Uma pesquisa de Taylor ainda não publicada com 280 experiências do tipo mostrou que menos de 3% das pessoas acredita ter vivido uma ilusão: cerca de 87% acredita ter tido uma experiência real no presente, e 10% não consegue se decidir.

Para o cientista, a chave está nos estados alterados de consciência — o choque de um acidente mexe com nossos processos psicológicos normais, causando uma mudança abrupta na consciência.

Nos esportes, o que ocorre seria uma “super-absorção”. Normalmente, estar absorto em algo faz com que o tempo passe mais rápido, mas uma concentração sustentada longa faria o oposto ocorrer.

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Esses estados também afetam nosso senso de identidade, a separação entre nós e o mundo. Em outras pesquisas, mostrou-se que a nossa percepção do tempo está intimamente ligada com nosso senso de si.

Normalmente, temos uma percepção de estarmos dentro de nosso espaço mental, com o mundo estando do “outro lado”. Em estados de alteração intensos, no entanto, uma das principais características é o desaparecimento desse senso de separação — não estamos mais só dentro de nossas cabeças, mas sim conectados com o que está no nosso entorno.

Isso afina a fronteira entre nós e o mundo exterior, “expandindo” a mente e nos tirando do estado de consciência normal, indo para um mundo com tempo diferente. Isso, ao menos, é o que Taylor concluiu em suas pesquisas.

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Fonte: Steve Taylor, Journal of Humanistic Psychology com informações de The Conversation