Os 5 melhores filmes de ficção científica disponíveis na Netflix

Por Sihan Felix | 30 de Abril de 2019 às 09h42
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As expectativas raramente são benéficas quando se trata de cinema. Há, sempre, que se deixar levar por uma obra para que ela tenha a oportunidade de provar seu valor. Preconceber julgamentos antes de ter contato real com o objeto pode ser um gesto que venha a desmerecer ou enaltecer o que, a partir de uma visão neutra, não passaria de merecedor de opiniões medianas, mornas.

O cinema de gênero vem exatamente ao encontro das expectativas, abraçando-as com carinho. Isso porque o funcionamento interno de um filme que venha a se encaixar nessa definição é uma leitura específica do seu gênero. Tais filmes criam suas próprias galáxias, mas sempre dentro de um universo corajoso, este que enfrenta as expectativas.

São, enfim, filmes que fazem jus ao pertencimento do gênero ficção científica que formam a lista a seguir. Claro que, dentro do catálogo da Netflix, ainda podem ser encontrados outros tão bons quanto ou até melhores. Isso só depende da observação individual de cada um de nós. Nada, aqui, tem a pretensão de ser uma verdade absoluta.

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Vamos à lista dos 5 melhores filmes de ficção científica disponíveis na Netflix:

5. Sinais

Um dos filmes mais aclamados da carreira de M. Night Shyamalan, Sinais é daqueles filmes que parecem sugerir que o fim não é exatamente o término de tudo. Para um dos maiores críticos de cinema da história, o saudoso Roger Ebert, o trabalho de Shyamalan, aqui, parece ainda estar sendo construído quando surgem os créditos finais. Com isso, Ebert quis dizer que Sinais continua o seu trabalho na mente do espectador, fazendo refletir como os melhores exemplares do gênero (e não somente). É um filme que alimenta o qualitativo início de carreira do indiano, que antes já havia realizado Playing with Anger (1992), Olhos Abertos (1998), O Sexto Sentido (1999) e Corpo Fechado (2000).

4. Aniquilação

Aniquilação é um filme que rendeu muitas discussões quando foi lançado – e ainda rende. Sendo o segundo filme dirigido por Alex Garland (o primeiro foi o elogiado e também debatido Ex_Machina: Instinto Artificial), o filme parece atestar que o seu diretor não quer ter uma carreira que passe despercebida (seja tematicamente ou por competência). Por outro lado, Aniquilação não é um filme fácil de discutir. É provável que tenha quase uma infinidade de significados diferentes entre os milhões de espectadores que a Netflix pode alcançar. Evolução, autodestruição... tudo é sintetizado em uma ficção científica que cumpre bem uma função do gênero, de aliar a realidade a uma imensa metáfora que parece intocável a olhos nus. O pior – ou melhor no caso – é que o filme ressalta o quanto os corpos humanos são frágeis e o quanto pode ser difícil confiar neles.

3. A Origem

Christopher Nolan: para a maior parte dos cinéfilos, um caso de “ame-o ou deixe-o”. A Origem é um divisor de águas nesse sentido. O último filme lançado antes da finalização da trilogia sobre o Cavaleiro das Trevas parecia colocar em xeque o foco do diretor. Seria Nolan o mesmo que esteve à frente de Following (1998) e Amnésia (2000)? Seria ele aquele que redefiniu o Batman? Ou ele seria alguém à procura de algo ainda maior? Copiador ou original? A verdade é que, ao final de A Origem, ainda restarão dúvidas e as mais de duas horas ecoarão por algum tempo na mente do espectador. Teria Cobb (Leonardo DiCaprio) retornado, realmente, à realidade? Estaria Mal (Marion Cotillard) certa em acreditar que o mundo real é o Limbo? Mas, em meio a tudo isso, poderá surgir uma questão singular: será que o trabalho liderado por Cobb era, somente, inserir uma ideia na mente do pobre Robert Fischer (Cillian Murphy)? Ou seríamos, nós, as verdadeiras vítimas dentro de um sonho de Christopher Nolan?

2. De Volta para o Futuro

Clássico que daria início a uma das trilogias mais icônicas da história do cinema, o filme dirigido por Robert Zemeckis e produzido por Steven Spielberg equilibra muita qualidade no roteiro com uma dinâmica de comédia única. Com um elenco afiadíssimo liderado por Michael J. Fox e Christopher Lloyd, relevância em questões morais e ainda passeando pela história do cinema, De Volta para o Futuro definiu uma geração, fez escola em Hollywood e garantiu o nome de Zemeckis em filmes inesquecíveis, como as duas sequências desse em questão, Uma Cilada para Roger Rabbit (1988), Forrest Gump: O Contador de Histórias e aquele que é um dos melhores filmes da década de 1990 (e da história da ficção científica): Contato (1997).

1. Filhos da Esperança

Para mim, Sihan Felix, Filhos da Esperança é um dos melhores filmes do século XXI. Não somente por ser de uma precisão absurda em cada aspecto técnico e por ter uma direção que entende a potência do material, mas por, já em 2006, compreender e demonstrar que o que mais precisamos temer é a nós mesmos. E não em um sentido figurativo. Muito menos algo íntimo. A questão é muito mais ampla, é social, é histórica. O que é revelado em Filhos da Esperança por Alfonso Cuarón – que viria a dirigir Gravidade (2013) e Roma (2018) – é distópico. Longe de ter a beleza (ou não) de um futuro high-tech (mesmo que este se mostre em pedaços em alguns pontos) e a ação de grandes explosões de uma superguerra (por mais que a guerra seja vívida), o mundo para o mexicano, aqui, é uma espécie de regresso ao passado, onde a salvação pode estar na renovação. Nada de barulhentas discussões acéfalas... apenas um gemido.

Bônus Adam Sandler: Click

Roger Ebert citou 2001: Uma Odisseia no Espaço (de Stanley Kubrick, 1968), considerado um dos maiores filmes do gênero e da história, em sua crítica sobre Click. Claro que ele não fez uma comparação entre os filmes – infelizmente não chega a tanto –, mas Click é sensível (por mais que seja clichê de vez em quando), tem lições de moral nada agressivas e tem um dos personagens mais cativantes de todos os filmes protagonizados por Adam Sandler: Morty (Christopher Walken). Pode valer bem a conferida.

Menções honrosas

  1. Star Wars (todos): Porque a ficção científica foi redefinida por Star Wars; porque, por mais que os roteiros não sejam geniais, os personagens são cativantes demais; porque é importante demais para ser ignorada.
  2. Star Trek (todos): Porque utiliza a ciência como poucos filmes e séries; porque é respeitosa e criativa; porque tem uma legião de fãs; tem trabalhos acadêmicos a respeito; porque Spock.
  3. Tron: Uma Odisseia Eletrônica e Tron: O Legado: Porque o original é uma das primeiras incursões humanas literalmente para o mundo digital (e, liderados pela Disney, tudo foi feito de forma crível – especialmente para a época) e o segundo consegue aperfeiçoar da estética à profundidade do roteiro, atualizando e suprimindo a forma datada.
  4. Círculo de Fogo: Robôs gigantes contra monstros que vêm das profundezas. Isso sendo comandado por Guillermo del Toro, um dos maiores amantes do gênero dentro de Hollywood. Mesmo com a sequência deixando o nível cair, o primeiro é intenso do início ao fim.
  5. Advantageous: Porque é em meio às dificuldades que as histórias íntimas têm mais força – talvez, o filme mais delicado da lista.
  6. Turbo Kid: Divertido, violento e muito premiado. Possivelmente o filme mais destoante aqui, junto ao seguinte...
  7. Eega: O melhor exemplo dessa lista para quem entende que precisa ter a mente aberta antes de encarar um filme. “Para roubar a mulher que ama, um bilionário impiedoso mata um homem, que renasce como uma mosca com sede de vingança.”, diz a sinopse da Netflix. Depois dessa... é deixar o preconceito de lado e dar uma chance a esse filme indiano que pode nem ser exatamente uma ficção científica. É uma fantasia. Mas se vale pela curiosidade.

Ficam, então, as indicações e o espaço dos comentários para acréscimos e tudo o que desejarem. Sem dúvida, como sempre ao fazer uma lista, foi dolorido, mas tenho certeza que vocês conseguirão complementar e enriquecer tudo o que está aí.

Bons (ou ruins?) filmes para nós!

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