Crítica Felicidade Para Principiantes | Romance é fraco e peca no roteiro
Por Diandra Guedes • Editado por Jones Oliveira |

Os românticos de plantão agora têm mais um título disponível na Netflix. Trata-se de Felicidade Para Principiantes, um filme baseado no livro homônimo de Katherine Center e que chegou ao streaming no dia 27 de julho. Estrelado por Ellie Kemper (Unbreakable Kimmy Schmidt e The Office), a trama traz uma história boba e divertida, mas cujo roteiro apresenta falhas demais.
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Para começar, conhecemos Helen (Kemper), uma professora de inglês divorciada que, apesar de não gostar de assumir riscos na vida, decide participar de uma espécie de acampamento a fim de encarar novos desafios e emoções. Chegando lá, ela se depara com um grupo de estranhos — que, com o passar do tempo, se tornarão seus colegas — e com Jake (Luke Grimes), o melhor amigo insuportável do seu irmão.
Acontece que, como não poderia deixar de ser, a convivência no acampamento faz o amor entre os dois florescer no melhor estilo “inimigos que se amam” e eles acabam tendo um final feliz. Esse desfecho não é nenhum spoiler e o espectador já toma consciência dele desde o momento que dá o play no filme. O problema aqui não é a trama ser previsível ou clichê demais, como nas várias comédias românticas disponíveis. O grande erro é que o enredo do filme não se preocupa em criar um roteiro capaz de desenvolver tal romance.
Antes de se encontrarem no acampamento, Helen e Jake aparecem juntos em uma ou duas cenas, no máximo, e em nenhuma delas é mostrado que eles se odeiam tanto ou o porquê disso acontecer. Ao contrário, em um determinado momento Helen parece nem se lembrar de Jake. Sendo assim, de onde nasceu essa antipatia tão importante para a trama?
Outra falha é que, embora durante o acampamento eles se aproximem um pouco, não existe motivo nenhum para surgir uma relação amorosa entre os dois. O enredo não cria gatilhos suficientes para que eles possam se conhecer a fundo e se encantarem um pelo outro.
Até há algumas cenas de intimidade, como quando Helen conta a Jake sobre a morte do seu irmão de cinco anos ou quando ele a explica como está ficando cego, mas tais momentos não conseguem sustentar um romance digno de protagonistas. E, por falar nisso, quem espera beijos quentes e juras de amor eterna terá que se contentar apenas com um beijinho fraco na cena final.
Atuações e cenografia agradam
Marcado para ser um filme de verão (afinal foi lançado durante o verão dos Estados Unidos), Felicidade Para Principiantes traz ótimas paisagens naturais. São muitas tomadas em meio à vegetação, já que os personagens estão fazendo trilha. Além disso, a fotografia também agrada, pois mesmo quando as cenas são filmadas em meio à escuridão da floresta, não há prejuízo de nitidez.
Já em relação às atuações, o destaque realmente fica para Ellie Kemper, que conseguiu dosar adequadamente alegria e drama. Em certos momentos, sua Helen chega a lembrar a divertida Kimmy de Unbreakable Kimmy Schmidt, mas ela não passa do ponto e nem se torna ingênua demais.
Luke Grimes, por sua vez, faz um bom mocinho que não é infantilizado, mas tem bom coração, e esse é o seu principal trunfo. O ator já tinha em seu currículo Yellowstone, True Blood e Cinquenta Tons de Cinza, e não decepcionou em cena, embora seu personagem pudesse ter tido muito mais destaque — mas aí é culpa do roteiro mesmo.
Os coadjuvantes também são pontos importantes no filme. Ben Cook, de Amor, Sublime Amor, é um ótimo instrutor de trilha, do tipo bravo e carismático ao mesmo tempo. Já Nico Santos (Superstore) é o que mais se sobressai dando vida a Hugh, um ator frustrado que quer encontrar um sentido para sua vida.
Apesar de afiados, os secundários também não têm suas histórias aprofundadas e ficam vagando em torno dos protagonistas, cuja trama também é fraca. Quem parecia que ia entregar muito era Julia Shiplett com a sua Sue, uma personagem que tenta fazer voto de silêncio, mas sempre acaba falando algo. No trailer ela surge como um ponto cômico, mas no filme mal aparece em cena.
Felicidade Para Principiantes erra ao não desenvolver os personagens
Por fim, o que se pode falar de Felicidade Para Principiantes é que o filme foi pensado para ser uma daquelas produções bobas e leves, capazes de aquecer o coração dos mais românticos, mas ao trazer um romance fraco e com poucas cenas cômicas, patina entre um gênero e outro e não entrega quase nada.
Contratar um elenco qualificado foi, sim, um grande acerto e a diretora Vicky Wight parece saber disso, mas sem um texto decente capaz de fazê-los crescer na trama, os atores quase soam como desperdício de dinheiro. Sendo assim, o longa que parecia promissor se tornou apenas mais um título esquecível em meio ao vasto catálogo da Netflix. Ainda assim, quem quiser assisti-lo já pode dar o play no streaming.