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Após atingir US$ 2 trilhões, valor de mercado da Apple pode subir mais 27%

Por| 21 de Agosto de 2020 às 15h05

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Mesmo depois de se tornar a primeira empresa listada nos EUA a atingir um valor de mercado de US$ 2 trilhões, a Apple pode crescer ainda mais nos próximos meses - mais precisamente 27%, de acordo com a previsão de Daniel Ives, analista da consultoria de mercado Webush.

"Com a evasiva marca de US $ 2 trilhões atingida esta semana pela Apple, ainda acreditamos que os papeis da empresa ainda têm muita gasolina no tanque com um 'superciclo' do iPhone 12 no horizonte de curto prazo", escreveu Ives em nota emitida nesta sexta-feira (21). Ele tem uma classificação de "desempenho superior" para as ações, um preço-alvo de US$ 515 por papel, com uma tendência de alta (bull case) para até US$ 600 - cerca de 27% a mais do que o fechamento da Apple na quinta-feira (20).

De acordo com Ives, mesmo contra um pano de fundo conturbado, devido ao COVID-19, "a Apple tem uma oportunidade de crescimento para os próximos 12 a 18 meses. Isso porque estimamos que cerca de 350 milhões dos 950 milhões de iPhones ativos em todo o mundo estão na janela de oportunidade para atualização do aparelho". Além disso, o lançamento do iPhone 12 5G também será um dos ciclos de produtos mais significativos para a Apple nos últimos anos, afirma o analista.

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Outro ponto que pode contribuir com a previsão de de Ives está no negócio de serviços da Apple, principalmente a App Store. O especialista avalia que esta divisão deve faturar US$ 700 e US$ 750 bilhões em 2020, gerando ainda US$ 60 bilhões extras de receita anual em 2021. Ives também vê alta na venda dos wearables e estima que 90 milhões de AirPods sejam comercializados em 2020, contra 65 milhões em 2019.

"Ainda acreditamos que muitos nas ruas estão subestimando a enorme demanda reprimida em torno deste superciclo para a Apple, que continua sendo a oportunidade para uma grande alta em 2021, enquanto este motor de monetização entra em sua próxima marcha", declarou Ives.

A Apple ganhou 61% no acumulado do ano até o fechamento de quinta-feira.

Mas há uma China no meio do caminho

Dentro das previsões otimistas de Ives, uma, no entanto, pode estar um tanto fora da realidade. O analista afirma ver "uma força considerável" da China que, ele estima, será responsável por cerca de 20% das atualizações do iPhone no próximo ano.

No entanto, Ives parece ignorar o "Fator Trump". Isso porque, como parte da guerra comercial e tecnológica contra a China, o presidente norte-americano quer banir o uso do TikTok e, principalmente, do WeChat nos EUA. Com isso, o aplicativo da Tencent pode deixar a App Store.

E o que isso significa? Bom, primeiro é que o WeChat não é apenas um aplicativo de mensagens. Ele é a perfeita definição do que chamamos de super app, ou seja, aquele aplicativo que traz todos os serviços que você precisa no dia a dia. E ele, de fato, faz tudo isso. Com ele, você pode acessar serviços e transporte público, agendar consultas médicas, chamar táxis, alugar bicicletas, pedir comida, adquirir ingressos de cinema, transferir e receber dinheiro, pagar por produtos e serviços e, claro, comprar um mundo de produtos nos milhares de e-commerces integrados ao aplicativo. Isso sem contar a rede social da plataforma, seus minijogos e mais uma infinidade de outras funções.

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Ou seja, um smartphone sem WeChat no mercado chinês vira uma espécie de "peso de papel de luxo". E isso, claro, impacta diretamente a Apple. Hoje, a China é o terceiro maior mercado da Maçã, representando quase 20% das suas receitas em vendas. E caso ela seja obrigada a banir o WeChat da App Store, isso significa que não apenas novos usuários não poderão baixar o (super) app, como também aqueles que já têm o programa ficarão impedidos de usá-lo.

E, considerando que o aplicativo é o "faz-tudo" de boa parte da população chinesa, há um sério risco de abandono dos iPhones, os atuais e os futuros, já que os usuários tendem a preferir trocar de aparelho, do que trocar de app. Afinal, é mais fácil pegar um outro smartphone equivalente ao iPhone, do que achar outro aplicativo que resolve boa parte da sua vida.

Dúvida dessa análise? Pois bem. Na última sexta-feira (14), uma enquete realizada na rede social Weibo - uma das mais usadas na China - revelou que cerca de 95% dos participantes renunciariam a seus iPhones para não perder acesso ao WeChat.

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Tamanho pode ser o prejuízo que, para o analista Ming-Chi Kuo, especializado em Apple, um eventual banimento do WeChat na App Store chinesa poderia provocar uma queda de até 30% nas vendas globais do iPhone. Além disso, a queda poderia chegar a 25% em outros dispositivos da marca, que tem mais de 15% do seu faturamento vindo da China. Nesse cenário, as principais beneficiadas seriam as locais HOVX (Huawei, Oppo, Vivo e Xiaomi).

"Aqueles que não vivem na China não entendem quão ampla seria essa restrição, caso as empresas norte-americanas não possam usar [o aplicativo]. Eles ficarão em grande desvantagem em relação aos concorrentes”, disse Craig Allen, presidente do Conselho de Negócios EUA-China ao The Wall Street Journal.

Fonte: Business Insider