Segundo presidente da Foxconn, China não será mais "a fábrica do mundo"

Por Stephanie Kohn | 12 de Agosto de 2020 às 15h45
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A China não será mais "a fábrica do mundo", segundo a Foxconn, maior parceira de fabricação da Apple. A companhia tem gradualmente expandido suas operações para outros países como forma de fugir da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.

"Não importa se é Índia, sudeste da Ásia ou as Américas, haverá um ecossistema em cada um destes lugares", disse o chairman da Hon Hai, dona da Foxconn, Young Liu, de acordo com a Bloomberg. O executivo ainda declarou que, embora a China continue a ser um local chave para as fábricas da companhia, os dias do país "como a fábrica do mundo acabaram".

Segundo a Bloomberg, a montagem de gadgets fora do país já representa 30% do total da Foxconn, contra 25% em junho passado. Entre os parceiros envolvidos nesta mudança está a própria Apple, que, segundo o TechCrunch, começou a produzir o iPhone 11 na Índia no mês passado. A maçã é responsável por metade das vendas da Foxconn e reportou uma receita trimestral excelente em julho.

A geração mais recente do celular top de linha da Apple está, pela primeira vez, sendo montada pela Foxconn em instalações fora do território chinês. A estratégia da Apple de ir para a Índia não apenas a coloca fora da China, e longe de possíveis retaliações provenientes da guerra comercial entre os países, como pode aumentar sua presença local.

A declaração de Liu também tem ligação com outra mudança recente. Sua rival chinesa Luxshare Precision fechou um acordo com a Apple em julho deste ano para montar aparelhos mais simples da maçã, segundo analista da financeira taiwanesa Fubon Securities. Com isso, a Foxconn perdeu novas possibilidades.

A estratégia da Hon Hai de gradualmente sair da China ainda se correlaciona com o fato de que as remessas anuais do iPhone podem cair no país, já que o presidente norte-americano Donald Trump emitiu uma ordem executiva proibindo os residentes dos EUA de fazerem negócios com o WeChat da chinesa Tencent Holdings. Segundo analista da TF International Securities, isso pode contribuir com a queda de 25% a 30% na fabricação dos smartphones da maçã, caso a Apple seja forçada a remover o app de suas loja.

Resultados

Vale lembrar que a Hon Hai teve uma queda recorde nos lucros no primeiro trimestre do ano devido a paralização das fábricas durante o pico da pandemia do Coronavírus. E agora vem se recuperando à medida que as produções estão sendo impulsionadas pelas vendas de iPads e Macs - muito procurados durante o isolamento social. No entanto, demais clientes da Hon Hai, como Huawei e Xiaomi, não se saíram tão bem quanto a maçã.

De acordo com a própria fabricante, embora os aparelhos da Huawei sejam populares na China, eles perderam força em outros países após as sanções dos EUA. A Xiaomi, por sua vez, sofreu retaliação do mercado indiano em meio as tensões crescentes entre a China e o país do sul da Ásia. Com, isso, a FIH Mobile, outra subsidiária da Hon Hai, perdeu US$ 100 milhões no primeiro semestre do ano.

Fonte: TechCrunch e Bloomberg

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