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Threads ou Bluesky: quem evoluiu melhor como rede social?

Por| Editado por Douglas Ciriaco | 01 de Janeiro de 2024 às 13h30

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André Magalhães/Canaltech
André Magalhães/Canaltech

Threads e Bluesky são duas alternativas de redes sociais de textos curtos para quem não quer usar o X (antigo Twitter). Enquanto a primeira opção é desenvolvida pela Meta e aproveita toda a estrutura do Instagram, a segunda tenta recriar a experiência tradicional de microblogging com a participação de Jack Dorsey, ex-CEO e cofundador do Twitter que atuou na rede social entre 2006 e 2021. 

Ambas as plataformas são usadas para textos rápidos e propõem uma internet descentralizada, mas existem algumas diferenças de uso entre os concorrentes. O Canaltech preparou um comparativo entre as redes sociais para entender quais os aspectos mais positivos e o que ainda falta para alcançarem o reinado do X.

Formas de acesso

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O Threads é vinculado ao Instagram, então é necessário possuir uma conta na rede social de vídeos e fotos da Meta para registrar-se no app de textos. Isso não é um problema para muitas pessoas, já que o Instagram é um dos aplicativos mais usados do Brasil, mas vale reforçar que não existem outras formas de login por lá.

No momento da criação do perfil, o Threads consegue importar o nome de usuário, foto, bio e a lista de contatos que você segue na rede vizinha. Você pode deletar a conta do Threads sem perder o Instagram, mas o caminho contrário não é permitido.

O Bluesky, por sua vez, é bem mais restrito: só é possível entrar a partir de um convite — os mais velhos vão lembrar que o Orkut também funcionou assim durante um tempo. Você pode entrar numa lista de espera, que não garante o acesso, ou receber um código de pessoas que já possuem uma conta por lá. Cada perfil ganha cinco convites após o registro e a plataforma pode oferecer mais códigos periodicamente.

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Isso acontece porque o app ainda está em desenvolvimento e a equipe da rede tenta limitar a quantidade de acessos nos servidores e conter o excesso de bots, problema recorrente no X. Ainda não há uma previsão para abrir o Bluesky a todo o público, sem a necessidade de convites.

Nesse aspecto, o ponto positivo fica com o Threads. Apesar do vínculo à conta do Instagram, a rede social não apresenta muitos entraves para que qualquer pessoa consiga criar um perfil por lá.

Postagens e interação

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As redes permitem criar publicações que misturam textos e arquivos de mídia, como fotos e vídeos. O Threads tem limite de até 500 caracteres por publicação, enquanto o Bluesky só deixa criar textos de até 300 caracteres.

A rede social da Meta tem algumas vantagens, como a opção de incorporar GIFs e criar enquetes. A plataforma do Céu Azul não amplia o leque de formatos disponíveis, mas tem um recurso interessante para adicionar filtros em casos de conteúdos adultos ou não recomendáveis para o ambiente de trabalho.

De forma geral, o funcionamento é parecido: é possível marcar contas nos textos com uma @, republicar publicações, citar comentários e limitar quem vê um post, por exemplo.

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Vale reforçar que nenhum dos dois ainda possui uma aba de mensagens diretas, o que dificulta as conversas privadas e exige que as pessoas usem outros apps. 

Feeds

O Threads possui apenas dois feeds: “Para você”, com sugestões feitas pelo algoritmo da rede, e “Seguindo”, com a sequência cronológica de publicações das contas que você segue. No começo, inclusive, não havia o feed para amigos, o que causou estranheza para a comunidade.

O Bluesky é muito mais versátil nesse cenário. Existem três feeds principais: “Discover”, com publicações em alta na comunidade, “Following”, com os posts de quem você segue, e “Popular With Friends”, com base na atividade de amigos por lá. Além disso, a rede permite que a comunidade crie e personalize feeds, dando a liberdade de escolher o algoritmo de recomendação. Assim, é possível seguir listas voltadas para assuntos específicos, como tecnologia ou filmes de ficção científica.

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Layout e usabilidade

Nem só de funções vivem os apps: a interface e a experiência do usuário também são fatores muito importantes e trabalhados nos concorrentes.

Compatibilidade

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Ambas as redes sociais estão disponíveis na versão Web e com aplicativos para Android e iOS. O Threads começou primeiro nos celulares e ganhou uma versão para navegadores logo depois, enquanto o Bluesky surgiu na web, foi para o iOS e por fim ganhou app para Android. 

O Threads recebe as novidades em primeira mão nos apps, então a experiência via navegador pode ser um pouco limitada em alguns casos. Já o Bluesky preserva uma experiência muito parecida nos diferentes dispositivos.

Página inicial

A rede social da Meta inclui um feed de publicações e um menu inferior com as principais ferramentas do app. Os botões são representados apenas por ícones, então novos usuários podem ter dificuldade para entender o que cada área faz nos primeiros momentos.

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A interação com os posts é muito parecida com o Instagram, com botões para curtir, comentar e compartilhar o conteúdo. É possível abrir uma publicação e ver os comentários e discussões relacionadas.

Quem passa despercebido pela página inicial do Bluesky pode achar que está usando uma versão antiga do Twitter, de quando o site ainda adotava o logo do passarinho azul. A plataforma possui um menu de comandos na parte inferior, também sem descrição por texto, e complementa a lista de ferramentas com um menu na lateral esquerda da tela.

Quem já usou o Twitter via computador ou celular consegue entender rapidamente a proposta da rede — esse é um dos objetivos de Jack Dorsey para o desenvolvimento do concorrente, que tenta preservar os “anos dourados” da rede social.

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Experiência de navegação

O Threads soube muito bem usar a estrutura da Meta no desenvolvimento dos aplicativos: a navegação é fluida, sem travamentos e carrega informações com facilidade. O Instagram já é um bom exemplo de usabilidade nas redes sociais, então faz sentido que uma rede inspirada nela incorpore os mesmos recursos de cores, ícones e navegação em menus.

O Threads também está presente fora do próprio app: é possível ver publicações em alta no Facebook e no Instagram, o que aumenta o alcance e a visibilidade das contas. Isso também reforça um ecossistema de redes sociais da Meta, que permite interligar os conteúdos.

Apesar de lembrar o Twitter, o Bluesky tem uma navegação muito travada e demora para carregar conteúdos. No computador, por exemplo, a rede não consegue carregar prévias de perfis ou mudar de tela com animações, o que deixa a plataforma bem atrás de outros concorrentes.

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Descentralização

Ambas as redes abordam o conceito de descentralização, que pode moldar a forma de usar a internet nos próximos anos. Uma rede descentralizada é criada dentro de um protocolo comum a várias plataformas — dessa forma, é possível criar um perfil em um aplicativo e acessar os mesmos conteúdos em outra ferramenta. 

Além de tirar o controle das redes de uma empresa só, a medida também ajudaria a personalizar ainda mais a experiência de cada usuário, com a possibilidade de transferir os mesmos dados entre diversas plataformas.

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O Threads é criado com o protocolo ActivityPub, o mesmo usado pelo Mastodon, e reforça que faz parte de um fediverso (universo de plataformas federadas). O Bluesky usa o protocolo AT Protocol, que também dá liberdade para criar algoritmos e transitar com o perfil entre diversas plataformas — vale lembrar que cada conta criada no app conta com um domínio próprio, e isso pode ser usado para segmentar a rede no futuro.

Preço

As redes são gratuitas e não limitam recursos a uma assinatura exclusiva, como é o caso do X Premium. A única diferença paga envolve o Meta Verified: quem assina o serviço da Meta no Instagram pode ganhar um selo de verificação na conta do Threads.

Qual é melhor?

Cada rede tem propostas diferentes. A do Bluesky é bem clara: criar uma versão muito parecida do Twitter e corrigir alguns problemas presentes na rede atual, como a toxicidade, excesso de anúncios e enxurrada de bots. A presença de Jack Dorsey e a interface remetem à era pré-Elon Musk da rede e tenta reforçar discussões e coberturas em tempo real.

O Threads, por sua vez, marca a entrada da Meta no segmento de microblogging, mas ainda não encontrou uma identidade própria. O app foi lançado com a proposta de aumentar as conversas com a comunidade e o próprio chefe do Instagram, Adam Mosseri, não quis uma aproximação com temas quentes, como política e notícias. Mas a graça de redes como o X está, justamente, no potencial de trazer conteúdos novos quase em tempo real e fomentar as discussões.

A favor do Bluesky:

  • Experiência mais fiel ao Twitter antigo;
  • Não exige conexão com o Instagram;
  • Feeds personalizados.

A favor do Threads:

  • Não precisa de convites para entrar;
  • Melhor experiência de navegação;
  • Maior base de usuários.

O Bluesky é muito mais promissor e faz sentido para quem usa ou já usou o Twitter com frequência, mas ainda é uma ferramenta em desenvolvimento, com público limitado e com alguns problemas de navegação no app. A estratégia é compreensível para evitar instabilidades, mas ainda não é um substituto pronto para o X. O futuro é muito promissor, porém o presente ainda tem alguns obstáculos que dificultam o uso diário.

O Threads é um aplicativo muito mais polido e atualizado com frequência — toda a estrutura da Meta contribui para resolver problemas de experiência do usuário. Portanto, na hora de escolher uma opção, a “irmã” do Instagram é uma alternativa mais completa. 

Como se comparam ao X?

Não tem como mencionar essas redes sem analisar como elas batem de frente com o grande rival das plataformas de microblogging. Por isso, o Canaltech também possui comparativos entre Bluesky e X e Threads e X