Qual o impacto que o 5G terá na autonomia das baterias?

Por Rubens Eishima | 11 de Março de 2020 às 18h05
SatteliteToday

Mesmo com toda a empolgação com a chegada das redes 5G no Brasil, uma preocupação que pode estar na cabeça de quem lembra do início do 3G e 4G é o impacto que essa nova rede de alta velocidade terá na duração das baterias nos smartphones. E, apesar da resposta ser complexa, as perspectivas são muito melhores nesta transição.

Quem lembra do que aconteceu nas duas últimas transições, provavelmente, tem na mente como os primeiros aparelhos compatíveis tinham uma autonomia de bateria bem inferior aos dos celulares que só usavam o padrão anterior.

Outros devem lembrar que a adoção dos novos padrões pela Apple aconteceu anos após os concorrentes: 3G no iPhone 3G em 2008 e 4G LTE no iPhone 5 em 2012, enquanto as primeiras redes 3G e 4G no ocidente foram lançadas em 2002 e 2009, respectivamente.

Será que o 5G irá aumentar a ansiedade ao olhar para o ícone de bateria no smart?

A vez do 5G

Desta vez, operadoras e fabricantes consultadas pela nossa equipe se mostram otimistas, acreditando que a autonomia dos aparelhos deve ser mantida dentro dos padrões atuais. Mas é claro que isso vai variar conforme o tipo de uso de cada pessoa.

De acordo com Átila Branco, diretor de planejamento da Vivo, “o desenvolvimento de tecnologias mais eficientes para as baterias e técnicas de energy saving acabam compensando e superando um provável aumento do consumo no médio e longo prazo”.

Uso inteligente da conexão

Na outra ponta, o gerenciamento inteligente da banda permite um uso mais eficiente de dados por miliwatt. As operadoras e fabricantes de modems têm à disposição, a tecnologia C-DRX (Connected-Mode Discontinuous Reception, recepção descontínua no modo conectado, recurso já usado no 4G LTE), que permite aproveitar a banda maior de transmissão para receber os dados rapidamente e então desligar o processamento para o recebimento de dados até uma próxima requisição.

A técnica, segundo Bassil Elkadi, diretor de marketing e comunicações 5G da Qualcomm, aumenta a eficiência geral da transmissão de dados.

Modem X60 promete mais eficiência energética (crédito: Qualcomm)

Neste caso, ao baixar um vídeo recebido no WhatsApp, por exemplo, o modem é ativado para receber o conteúdo e, ao terminar, entra em algo parecido com um modo de espera de baixo consumo de energia. Algo semelhante ao que acontece com as CPUs, que aumentam sua frequência quando necessário – o modo Turbo Boost ou Turbo Core – e depois baixam sua velocidade para poupar a bateria do notebook.

Outro avanço, neste caso no processo de fabricação de CPUs e modems, é mais um fator que influencia a médio prazo a reduzir o consumo de energia de dois dos principais componentes envolvidos no processamento e conexão às redes de alta velocidade, como aconteceu durante o amadurecimento do 3G e 4G. Essa vantagem já poderá ser notada com a chegada da terceira geração de modems 5G, o X60, no caso da Qualcomm, é fabricado em um processo de 5 nm, enquanto seu antecessor, o X55, em 7 nm.

"Conectividade ilimitada"

Todos esses fatores e avanços podem ajudar a manter o consumo de energia em níveis semelhantes aos atuais, especialmente, considerando que a demanda por dados se mantenha nos níveis atuais. Neste cenário, se o seu uso da conexão se restringe a apps de mensagens e redes sociais, que não exigem manter o aparelho conectado baixando dados em alta velocidade, é provável que você não perceba diferenças na autonomia de utilização com um novo celular 5G.

Por outro lado, os novos modelos de uso que o 5G possibilita – alguns artigos e materiais de divulgação de operadoras do exterior citam jogos online e realidade virtual, por exemplo – têm o potencial de reduzir a autonomia do aparelho, especialmente se a conexão precisa ficar ativa o tempo todo para garantir o tempo de resposta baixo (ou latência) que a tecnologia oferece. Neste caso, o preço para deixar de “culpar o lag” pelo mau desempenho no joguinho do celular pode ser deixá-lo plugado a uma bateria extra.

E o cenário fica ainda mais complicado com a popularização dos serviços de streaming de jogos como o Stadia, GeForce Now ou Microsoft xCloud, que precisam manter a conexão ligada para baixar uma transmissão de vídeo em tempo real (e não pode ser pré-carregada como o buffer no Netflix ou YouTube). Mas esta é uma realidade que ainda parece distante para uma rede que sequer começou a ser implementada no Brasil.

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