Huawei declara que bloqueio dos EUA é “arbitrário” e afeta sobrevivência

Por Rubens Eishima | 18 de Maio de 2020 às 08h24
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Após o novo capítulo na briga entre Estados Unidos e Huawei bloquear o fornecimento de chips à empresa chinesa, a fabricante de celulares se pronunciou oficialmente sobre a sanção imposta pelo governo Trump. Durante um evento com analistas de mercado, o executivo Guo Ping declarou que “os negócios serão inevitavelmente afetados”.

De acordo com a marca, a decisão do governo dos Estados Unidos é “arbitrária e perniciosa e ameaça minar toda a indústria em todo o mundo”.

“Sobrevivência é uma palavra-chave para nós neste momento”, respondeu Guo durante a sessão de perguntas e respostas com os analistas.

Fornecimento de chips

Apesar da Huawei projetar os chips usados em seus smartphones, a fabricação deles fica a cargo de outras empresas. A estratégia é a mesma adotada por empresas como Apple, AMD, Nvidia e Qualcomm, deixando a fabricação dos processadores sob responsabilidade de terceiros, como a taiwanesa TSMC, a sul-coreana Samsung Foundry e a estadunidense Global Foundries.

A nova medida do governo Trump expande as sanções do Departamento de Comércio aos fornecedores globais de chips. Na prática, a medida exige que mesmo as fabricantes no exterior tenham que obter uma licença especial dos EUA para fornecer chips à Huawei.

O controle se dá porque as fabricantes de chips – conhecidas no setor como “foundries” – utilizam equipamentos e softwares desenvolvidos nos Estados Unidos. O plano estava em estudo desde o começo do ano, como informou a agência Reuters.

A China possui uma foundry local, a SMIC, mas a empresa não oferece os processos de fabricação mais modernos disponíveis na TSMC e Samsung Foundry.

Encomenda bilionária para a TSMC

Segundo o jornal taiwanês ITHome, a Huawei foi responsável por uma encomenda no valor de 700 milhões de dólares (cerca de R$ 4,1 bilhões) com a TSMC, voltado à fabricação de chips nos processos de 5 e 7nm, os mais modernos oferecidos pela empresa taiwanesa.

A Huawei foi a segunda maior cliente da TSMC em 2019, superada apenas pela Apple, que produz com a empresa taiwanesa os processadores usados no iPhone, iPad, Apple TV e outros dispositivos.

A nova sanção dos Estados Unidos esclarece que encomendas feitas antes da publicação da medida, na última sexta-feira (15), não serão afetadas, contanto que sejam despachadas antes do dia 14 de setembro.

Coincidentemente (ou não), no mesmo dia em que a sanção foi estendida, a TSMC anunciou a construção de uma fábrica nos Estados Unidos, com ajuda dos governos local e federal. A fábrica tem um custo previsto de 12 bilhões de dólares (R$ 70 bilhões), para produção de chips no processo de 5 nm.

Além do fornecimento de chips, as medidas anteriores dos Estados Unidos afetaram a relação da Huawei com o Google, o que causou a remoção dos aplicativos da norte-americana dos novos celulares chineses.

Fonte: ReutersGizChina

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