10 jogos de videogame que dariam ótimas séries de TV

Por Rafael Rodrigues da Silva | 09 de Fevereiro de 2020 às 12h01
Sony Interactive Entertainment

Com o sucesso da série The Witcher na Netflix, uma dúvida que todos possuem é sobre qual será a próxima grande série de TV baseada em um jogo de videogame, já que agora esse tipo de adaptação se provou ser uma boa aposta para quem quer investir em algo novo, mas que já possui uma boa base de fãs formada. Assim, o Canaltech listou os 10 jogos de videogame que dariam ótimas séries de TV.

A regra usada aqui é que nenhum dos jogos citados pode ter tido qualquer tipo de adaptação anterior para o cinema ou para a TV — seja com atores reais ou no formato de animação — e que essa adaptação não seja simplesmente levar para a TV exatamente o que acontece no jogo, mas sim jogos que possuem um universo que pode ser explorado na forma de histórias inéditos pelos roteiristas de Hollywood.

Com essa explicação feita, vamos para os jogos em si.

1. Twisted Metal

Um videogame sobre carros batendo em outros carros até sobrar apenas um pode não ser exatamente o tipo de material que muita gente imagine se tornando em uma série de TV, mas há potencial para fazer uma boa série de Twisted Metal bem ao estilo anos 90.

Poucas pessoas se lembram, mas duas séries daquela época que podem servir de base para Twisted Metal são WMAC Masters e Liga dos Mutantes. Ambas seguem o mesmo princípio de serem shows sobre coisas teoricamente perigosas (o primeiro de artes marciais e o segundo de futebol americano, onde arrancar as pernas do oponente é permitido), mas em nenhum deles há qualquer perigo real para os personagens. Também há uma certa carga de reality show, já que os personagens também são mostrados interagindo entre si fora das disputas, criando alianças, conflitos, traições e tudo aquilo que um bom reality show possui.

Considerando que todos os personagens de Twisted Metal são assassinos psicopatas, uma série em que essas pessoas estão em uma prisão e precisam disputar entre si um campeonato de destruction derby transmitido para o mundo sabendo que os últimos colocados serão enviados diretamente para a cadeira elétrica pode ser interessante para trabalhar temas como a violência do sistema prisional, a diferença entre justiça e justiçamento e o fascínio do público pela violência gratuita na forma de execuções públicas.

Uma adaptação do título para a TV foi anunciada em 2019 pela PlayStation Productions, mas até agora nenhum detalhe sobre ela foi divulgado e não sabemos se essa adaptação ainda está em produção ou se foi cancelada.

2. Shaq-Fu

Jogo que é conhecido por sua estranheza e por facilmente ser um dos piores já desenvolvidos na história, a premissa de Shaq-Fu é basicamente a mesma de O Rapto do Garoto Dourado, mas com o jogador de basquete Shaquille O’Neal ao invés de Eddie Murphy encarregado de encontrar a criança e com todos os problemas sendo resolvidos através do uso de artes marciais.

Assim, uma adaptação de Shaq-Fu poderia mudar um pouco a premissa e até dialogar com o mundo real, com O'Neal recebendo uma dica anônima de que o acidente de helicóptero que matou Kobe Bryant foi, na verdade, um assassinato, pois alguém teria sabotado a aeronave, e o agora ex-jogador pede um período de afastamento por luto da TNT (onde atua como comentarista de jogos da NBA) e sai em busca do verdadeiro assassino do seu grande amigo, usando novamente o kung-fu que ele havia prometido nunca mais retomar.

3. World of Warcraft

Ainda que Warcraft já tenho recebido uma adaptação para os cinemas, ela focou em levar para as telonas a mesma trama dos jogos (algo que não é nem de longe o melhor que o game pode proporcionar). E, com 16 anos de seu lançamento e ainda contando com uma enorme comunidade de jogadores, a coisa mais marcante de World of Warcraft talvez não seja nada relacionado ao game em si, mas sim em como ele marcou a vida de tanta gente durante esse tempo.

E esta poderia ser exatamente a premissa para uma série baseada em World of Warcraft: seguir o exemplo de Final Fantasy XIV: Dad of Light e usar o jogo como um elo de diferentes histórias da vida real, mostrando como WoW pode ajudar as pessoas a fazerem novas amizades, superarem fobias sociais e retomar os laços de afeto que foram quebrados pela vida.

4. Life Is Strange

Outro jogo que poderia facilmente virar uma série de TV é Life Is Strange. Isso porque a franquia oferece muito mais do que apenas a história de Max e Chloe (como o próprio Life Is Strange 2 já mostrou) e poderia ser a base para uma ótima série de antologia (como American Horror Story, Fargo ou Black Mirror), com cada temporada nos apresentando a um cenário, trama e personagens totalmente novos, mas sempre com uma única coisa em comum: como a descoberta de superpoderes por algum dos personagens afeta a vida de todos.

5. Streets of Rage

Outro jogo que, justamente por sua falta de enredo complexo nos videogames, pode se tornar uma boa adaptação para a TV. Por ser passar em uma cidade onde os policiais são tão corruptos quanto os comandantes do crime organizado, uma série de Streets of Rage poderia ser uma espécie de “The Wire com esteroides”, cujo tema principal é sobre como as diversas esferas do poder de uma cidade (polícia, crime organizado, imprensa, políticos, igreja) se retroalimentam em busca da manutenção do status quo, tornando impossível resolver o problema da criminalidade sem que todas as outras esferas também sejam afetadas. Mas, claro, com algumas cenas de ação dignas dos melhores filmes de kung-fu entre uma cena e outra.

6. Detroit: Become Human

Outro jogo que possui um cenário que pode facilmente ser aproveitado em uma série de TV é Detroit: Become Human. Mas, ao invés de utilizar os mesmos personagens do jogo, seria interessante uma pequena “volta ao passado”, nos anos em que a CyberLife estava terminando a primeira versão dos Divergentes (androides realistas que não só se parecem com humanos, mas também conseguem manifestar emoções humanas) e mostrar toda a manipulação política e de marketing que a empresa precisou exercer para convencer o público de que o que ela produz são apenas ferramentas.

A trama também poderia mostrar como o uso desses divergentes só serviu para aumentar ainda mais o abismo social, praticamente acabando com a classe média e dividindo o povo entre ricos, que podem basicamente comprar escravos e colocá-los para trabalhar de graça em seus negócios; e os miseráveis, que agora não possuem nem mesmo a opção de subemprego e precisam passar os seus dias sentindo raiva da vida. Essa raiva é descontada não nas corporações que desenvolveram os androides que os substituíram em seus empregos, ou nos milionários que os mandaram embora para colocar um robô no lugar, mas no próprio robô, que sente todo esse ódio direcionado a ele, não entende o motivo (já que não foi escolha dele ser colocado naquela função de escravo que exerce sem descanso), e não pode fazer nada a respeito porque sua programação o impede de responder aos humanos da mesma forma agressiva.

Assim, uma série de Detroit poderia focar em como se iniciaram as tensões entre humanos e divergentes e em como os primeiros robôs conseguiram “quebrar” seus programas e fugir para viver em liberdade em Jericho, criando assim as sementes da rebelião que presenciamos no jogo.

7. Control

Um dos melhores jogos lançados em 2019, Control também poderia ser a inspiração para uma ótima série sobrenatural no estilo Arquivo X e Fringe. Mas, assim como em Detroit, uma série do game também poderia voltar para eventos anteriores ao jogo e simplesmente mostrar o dia a dia da Antiga Casa, focando na pesquisa e busca pelos Objetos de Poder.

Isso permitiria que a série de concentrasse na figura do Dr. Casper Darling, que foi um dos personagens mais carismáticos do game e poderia ser melhor aproveitado em uma produção para a televisão, assumindo o papel de protagonista. Já a protagonista do jogo, Jesse Faden, poderia ser usada aqui como uma espécie de “vilã”, uma figura misteriosa que observa de longe os agentes da Antiga Casa em suas missões, e essa dualidade entre a série de TV (que apresentaria o Federal Bureau of Control como os “mocinhos” e Jesse como a “vilã” que atrapalha eles) ajudaria a criar um novo elemento de complexidade narrativa para o próprio jogo.

8. God of War

Outra boa opção de jogo para se tornar uma série de TV seria God of War — e o próprio diretor do game já deixou claro que concorda com essa afirmação. Apesar de ser um jogo conhecido mais pela brutalidade de seu protagonista e pela violência, o último título da franquia trouxe uma maior complexidade ao personagem, tornando-o um pai responsável pelo bem-estar de uma criança e fazendo-o se arrepender de toda a violência e morte que ele causou nos títulos anteriores.

E é justamente esse período de transição que daria uma série muito interessante: mostrar-nos um Kratos que, após matar todos os deuses gregos, se muda para uma região distante em busca de algo que o faça esquecer do vazio existencial de sua vida, o encontro com Faye e como ela e o nascimento do filho deles, Atreus, ajudou Kratos a finalmente conseguir deixar para trás toda a tragédia em torno de sua descendência e da sua primeira família, e começasse o processo de se perdoar por todos os erros que cometeu no passado em uma busca incessante por vingança.

9. Sleeping Dogs

Um dos jogos mais subestimados de todos os tempos também poderia ser a base para uma ótima série de TV. A premissa de Sleeping Dogs é perfeita para um programa policial, já que se baseia toda na ideia de um policial infiltrado no crime organizado de Hong Kong e que acaba criando verdadeiras amizades no mundo do crime e se vê dividido entre seu dever como policial e ajudar aquelas pessoas pelas quais criou verdadeira admiração.

Uma série de TV também poderia corrigir o maior defeito do jogo: o fato de sua história ser contada de forma corrida e terminar deixando um gostinho de que está incompleta. Não precisa nem se esforçar muito: mantém a premissa do jogo, reescreve todo o roteiro do zero de forma a criar uma história menos corrida, monta um elenco com nomes como Iko Uwais, Donnie Yen, Ming-Na Wen, Tony Jaa, Marc Dacascos e Michelle Yeoh, contrata alguns bons coreógrafos de luta como Jonathan Eusebio e Philip J. Silvera, e certamente teremos nas mãos uma das melhores séries de ação de todos os tempos.

10. Mass Effect Andromeda

Ok, Mass Effect Andromeda é o pior jogo de toda a franquia, mas existe uma coisa nele que faz com que esse game fosse uma aposta certa para se tornar uma grande série de ficção científica: a premissa. Existem poucas séries de ficção científica focadas na exploração espacial (e praticamente todas elas começam com o nome Star Trek) e ainda menos que se preocupam em mostrar as dificuldades de colonização de um planeta.

Uma série de TV que mostre não apenas humanos, mas diversas raças alienígenas, chegando a um lugar desconhecido, tendo de lidar com os habitantes nativos e tentando transformar esse lugar longe de tudo o que conhecem em um novo lar é o tipo de história que as séries de ficção científica no geral ainda não tiveram o interesse de contar, e uma série de Mass Effect Andromeda poderia facilmente ser a versão espacial de qualquer história de cowboys, trocando o velho oeste por um planeta em outra galáxia.

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