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Crítica A Queda da Casa de Usher | Série é uma bela homenagem a Allan Poe

Por| Editado por Durval Ramos | 09 de Outubro de 2023 às 20h05

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Depois de provar que sua parceria com Mike Flanagan deu certo — vide A Maldição da Mansão Bly e Missa da Meia-Noite —, a Netflix decidiu apostar novamente no diretor com sua nova série macabra: A Queda da Casa de Usher. Apesar de não ser um típico terror, estando muito mais para um ótimo mistério, a obra vai agradar os fãs do gênero principalmente por ser uma adaptação respeitosa do conto de Edgar Allan Poe.

Na trama, as principais características e elementos do autor — que é considerado um mestre do estilo gótico — são respeitados. Quem prestar atenção, por exemplo, verá que o corvo preto que ronda os personagens e que é também uma assinatura de Poe se torna um coadjuvante de respeito na nova trama do streaming.

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Tudo isso faz com que a série ganhe força. A trama, por sua vez, é uma boa mistura de Succession e A Maldição da Residência Hill, e mostra como Roderick Usher (Bruce Greenwood) se transformou de um simples e pobre bastardo em um dos principais nomes do império farmacêutico Fortunato. Tudo isso, claro, com a ajuda de sua irmã Madeline (Mary McDonnell), que inclusive rouba a cena em vários episódios.

O preço pago por tamanho êxito foi ver a morte de todos os seus descendentes, sendo seis filhos e uma neta. Essas perdas vão acontecendo de maneira bizarra ao longo dos oito capítulos que, apesar de longos, não são cansativos e nem confusos, mesmo a história brincando com a linha do tempo.

O cuidado para que o texto fizesse sentido é nítido, e permitiu que Roderick ditasse suas memórias para o ex-colega e, agora, semi-inimigo, Arthur Diop, sem que o público se perdesse.

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Flanagan acerta mais uma vez no elenco

O elenco é outro grande acerto de A Queda da Casa de Usher. Nesse ponto, Flanagan quis ser conservador e escolheu atores com quem já tinha trabalhado. Isso favoreceu a sintonia do grupo e o entrosamento é perceptível em cena. Ótimo acerto da obra!

Entre os que se destacam estão T'Nia Miller como Victorine, uma das filhas de Roderick, Carla Gugino como Verna, uma espécie de bruxa que concedeu aos irmãos a fortuna e o sucesso em troca da vida de seus herdeiros e, claro, Willa Fitzgerald e Mary McDonell que vivem Madeline, sendo a primeira na fase jovem e a segunda na fase adulta.

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Outro que se sobressai — e isso é difícil em uma produção onde todo o time é talentoso — é Henry Thomas. O ator dá vida a Frederick Usher, o primogênito de Roderick. A princípio, ele parece o mais calmo e submisso de todos, pois é manso e quase apático, mas seu nível de crueldade é tão grande ao final que choca até aqueles que têm o estômago mais forte.

E, por falar em personagens, cada um deles tem a sua própria personalidade, mas todos sofrem com pressões externas que os leva à insanidade, o que configura mais uma característica de Poe, e também remete às últimas obras de Flanagan.

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Assombrações são fruto da imaginação

Já que falamos em insanidade, as assombrações da série ficam por conta das rateadas mentais de cada um dos Ushers e não do sobrenatural em si, o que enfraquece bastante o terror. Apesar delas aparecerem do nada, dando bons sustos, ainda assim não têm a mesma força como as que foram mostradas em A Residência Hill e A Mansão Bly. Quem der play esperando um terror potente terá que se contentar apenas com um mistério bem escrito.

A vantagem é que uma vez que se ateve mais ao mundo real do que ao dos espíritos, Emmy Grinwis, uma das roteiristas da obra, pôde fazer uma crítica ácida ao lobby da indústria farmacêutica e como ela propicia vícios na população.

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O desfecho deixa isso mais nítido ainda e, mesmo com boa parte do elenco morrendo — isso não é bem um spoiler e, sim, a sinopse da trama —, conseguiu entregar um final agradável e quase feliz.

Sendo assim, A Queda da Casa de Usher fecha a conta com muito mais acertos do que erros, e ainda que seja um terror bem fraco, é uma excelente produção dramática de mistério que com certeza vale o tempo gasto.