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Transplantar genes de centenários pode rejuvenescer corações em até 10 anos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 10 de Fevereiro de 2023 às 17h30

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AZ-BLT/Envato
AZ-BLT/Envato

Nem todo corpo humano envelhece no mesmo ritmo, com algumas pessoas tendo órgãos mais longevos e organismos com uma manutenção um pouco melhor do que o de outras. Ao estudar indivíduos que passaram dos 90 anos, pesquisadores descobriram um dos fatores que ajudam nesse envelhecimento mais saudável — uma versão do gene BPIFB4 que impede danos cardiovasculares um pouco melhor e mantém o coração saudável por mais tempo.

Após descobrir o papel do gene, restava testar se sua aplicação ajudaria organismos alheios a prosperar. A equipe de cientistas, então, aplicou o gene favorável à vida longa em camundongos mais velhos, analisando o efeito de sua presença, e notou que isso "rebobina" os marcadores biológicos cardíacos relacionados à idade no que seria equivalente a 10 anos humanos. Em roedores de meia-idade, a mesma aplicação parou o declínio de funções cardíacas.

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Rejuvenescendo corações humanos

A velocidade da perda gradual de funções do coração e das veias adjacentes depende de vários fatores, incluindo hábitos como consumo de álcool e de cigarro. Mutações de genes que codificam proteínas em nosso corpo, no entanto, também têm um papel importante nesse processo.

A variável associada à longevidade (VAL) do gene BPIFB4, por exemplo, já era associada a pessoas mais longevas, e podíamos encontrá-la em pessoas que vivem mais do que a média. Isso levou os cientistas a avaliarem os efeitos fisiológicos do gene mais a fundo. Para isso, além dos testes com camundongos, o BPIFB4 foi adicionado a células cardíacas humanas em laboratório, tiradas de 24 pacientes idosos com problemas sérios no coração, incluindo indivíduos que passaram por transplante do órgão.

Os testes mostraram que o gene tem um papel importante na manutenção de células conhecidas como pericitos, cujo papel inclui construir e manter os vasos sanguíneos do corpo em bom funcionamento, ajudando o coração a ficar saudável por mais tempo. Quando o BPIFB4 chegou às células laboratoriais dos pacientes idosos, ocorreu um rejuvenescimento cardíaco, aumentando a eficiência na construção de vasos sanguíneos.

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Normalmente, pessoas longevas passam o gene para seus descendentes, sendo a única maneira de adquiri-los até agora. Os cientistas estão avaliando maneiras de adicionar o BPIFB4 em forma de terapia, tanto com genes quanto apenas adicionando a proteína gerada por eles, cuja viabilidade ainda está sendo testada em laboratório. Nos camundongos, essa adição já conseguiu parar aterosclerose, diabetes e outras complicações, representando uma esperança futura para pacientes cardíacos.

Fonte: Cardiovascular Research