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Recém-nascidos e bebês têm resposta imune muito efetiva contra covid-19

Por  • Editado por Luciana Zaramela | 

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Nd3000/Envato Elements
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Uma pesquisa sobre a resposta imune de bebês e recém-nascidos contra o vírus causador da covid-19 mostrou que, nos primeiros meses de vida, os infantes têm anticorpos muito eficientes na proteção ao SARS-CoV-2, durante até 300 dias. É a primeira vez que um estudo de larga escala, longitudinal e sistêmico é feito acerca do desenvolvimento do sistema imune, ativação imune inata e resposta dos anticorpos dos bebês em resposta ao coronavírus.

Para a investigação, foram coletados sangue e amostras da mucosa nasal de bebês e adultos, vindos de diversos hospitais e centros médicos universitários dos Estados Unidos. Foram incluídos 54 bebês infectados, com 27 deles tendo amostras pré-infecção, e mais 27 saudáveis, que testaram negativo desde o nascimento até a coleta.

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Além disso, 62 amostras de sangue vieram de 48 adultos infectados e 10 saudáveis, além de 41 mães com casos moderados de covid-19, três com amostras pré-infecção e mais três saudáveis.

Eficiência infantil contra covid-19

A resposta dos anticorpos dos bebês e recém-nascidos foi mais robusta e longa do que a dos adultos contra o SARS-CoV-2 — a concentração alta dos agentes imunes continuou elevada ao longo de 300 dias, nos quais a resposta tende a decair rapidamente. No sangue, houve regulação positiva (aumento) de marcadores de ativação de glóbulos brancos, mas não foi notado aumento nas citocinas inflamatórias, que mediam a inflamação em resposta a infecções.

Os linfócitos B e T de memória, ativados após uma infecção e resposta imune correspondente, apareceram significativamente menos nos infantes em relação aos adultos. Outras células importantes para regulação imune, no entanto, apareceram em maior número nos bebês, como as Th17, responsáveis pelo combate à infecção em mucosas, mas também relacionadas a doenças autoimunes e inflamatórias.

Relacionado a isso, os bebês apresentaram uma resposta imune robusta nas mucosas, como mostrado pelas citocinas inflamatórias, interferon α, marcadores associados às células Th17 e respostas neutrófilas. Isso aconteceu especialmente nas narinas. A resposta celular CD4 T, que regula diversas imunoglobulinas, foi cerca de duas vezes menos potente nos infantes, mas duraram muito mais nos testes de anticorpos persistentes.

Com os resultados, os pesquisadores levantam a possibilidade de fazer vacinas específicas que consigam tirar vantagem desses caminhos inatos de ativação imune, de forma que sejam evitados problemas imunopatológicos colaterais (doenças autoimunes, por exemplo) geralmente associados à inflamação indesejada causa pela resposta imune a algumas doenças.

Fonte: Cell