As reações de cada vacina da COVID-19 no Brasil

As reações de cada vacina da COVID-19 no Brasil

Por Fidel Forato | Editado por Luciana Zaramela | 30 de Julho de 2021 às 14h35
Garakta-Studio/Envato Elements

Para imunizar a população brasileira contra o coronavírus SARS-CoV-2, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou de forma definitiva ou emergencial o uso de quatro vacinas: Covishield (AstraZeneca/Oxford); CoronaVac (Sinovac/Butantan); Pfizer/BioNTech; e Janssen (Johnson & Johnson). Os imunizantes são seguros e eficazes contra a COVID-19, mas, como qualquer medicamento, podem apresentar alguns efeitos colaterais.

Em comum, todas as fórmulas obtiveram uma eficácia de pelo menos 50% contra a COVID-19. Outro ponto em comum é que podem, sim, causar algumas reações em adversas leves, moderadas ou graves em parte da população imunizada. Por exemplo, reações consideradas como "muito comuns" tendem a afetar 10% da população, ou seja, 1 em cada 10 vacinados podem sentir dor no local da aplicação, cansaço ou febre, por exemplo.  

Vacinas contra a COVID-19 podem causar inúmeras reações, mas a maioria é leve e atinge menos de 10% dos imunizados (Imagem: Reprodução/Micens/Envato Elements)

Para entender as especificidades de cada uma das vacinas contra a COVID-19 distribuídas no Brasil, o Canaltech analisou e comparou as principais reações adversas presentes na bula de cada uma. Vale explicar que estes documentos são aprovados pela Anvisa e podem ser alterados, caso novos fatos sejam observados. 

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A seguir, confira a lista de efeitos adversos de cada imunizante contra o coronavírus SARS-CoV-2:

Covishield (AstraZeneca/Oxford/Fiocruz)

10% das pessoas que receberam a vacina da AstraZeneca podem sentir dor de cabeça (Imagem: Reprodução/Mika Baumeister/Unsplash)

Reação muito comum

Os efeitos adversos considerados "muito comuns" atingem um em cada 10 imunizados com a vacina Covishield. São eles: sensibilidade; dor; sensação de calor; coceira ou hematoma (manchas roxas) onde a injeção é administrada; sensação de indisposição de forma geral; sensação de cansaço (fadiga); calafrio ou sensação febril; dor de cabeça; enjoos (náusea); dor nas articulações; e dor muscular.

Reção comum

Além disso, os efeitos "comuns" devem atingir menos de um em cada 10 vacinados. São eles: inchaço, vermelhidão ou um caroço no local da injeção; febre; enjoos (vômitos); diarreia; e sintomas semelhantes aos de um resfriado, como febre acima de 38 °C, dor de garganta, coriza (nariz escorrendo), tosse e calafrios.

Reação incomum (infrequente)

Os efeitos adversos desse tipo afetam uma em cada 100 pessoas imunizadas com a fórmula da AstraZeneca/Oxford. São eles: sonolência; sensação de tontura; diminuição do apetite; dor abdominal; linfonodos (ínguas) aumentados; sudorese excessiva; coceira na pele; e erupção na pele.

Reação muito rara

Existe também um efeito considerado "muito raro" que é a formação de coágulos sanguíneos em combinação com níveis baixos de plaquetas no sangue (trombocitopenia). A estimativa do laboratório é de que a condição apareça em uma frequência inferior a um para cada 100 mil indivíduos vacinados.

Desconhecida

Durante os estudos clínicos de Fase 3, alguns casos apareceram em uma proporção tão pequena que eles não podem ser calculados a partir dos dados disponíveis. No entanto, os pesquisadores sabem que, em algumas circunstâncias podem ocorrer. São eles: reação alérgica grave (anafilaxia); e inchaços graves nos lábios, face, boca e garganta (que pode causar dificuldade em engolir ou respirar).

Na quinta-feira (29), a Anvisa também divulgou registros da síndrome de Guillain-Barré, após imunização com a fórmula da AstraZeneca/Oxford. Esta síndrome é considerada um distúrbio neurológico autoimune raro, no qual o sistema imunológico danifica as células nervosas. Até o momento, não foram apresentados dados sobre a incidência e a reação não fui incluída na bula ainda.

Orientação extra

A bula da Covishield destaca dois momentos em que a pessoa deve buscar "atendimento médico imediatamente". O primeiro momento é quando, "alguns dias após a vacinação, você tiver algum dos seguintes sintomas: sentir uma dor de cabeça grave ou persistente, visão turva, confusão ou convulsões; desenvolver falta de ar, dor no peito, inchaço nas pernas, dor nas pernas ou dor abdominal persistente; e notar hematomas incomuns na pele ou identificar pontos redondos além do local da vacinação". O outro momento é quando "se tiver sintomas de uma reação alérgica grave.

Pfizer/BioNTech

Quem recebeu a fórmula da Pfizer/BioNTech, pode observar a formação de ínguas (Imagem: Reprodução/Pfizer Brasil)

Reação muito comum

Os efeitos adversos considerados "muito comuns" devem atingir um em cada 10 imunizados (10%) com a vacina da Pfizer/BioNTech. São eles: dor e inchaço no local de injeção; cansaço; dor de cabeça; diarreia; dor muscular; dor nas articulações; calafrios; e febre.

Reação comum

Segundo os estudos da farmacêutica Pfizer, as reações "comuns" do imunizante ocorrem entre 1% e 10% dos pacientes que utilizam a vacina contra a COVID-19. São elas: vermelhidão no local de injeção; náusea; e vômito.

Reação incomum

As reações "incomuns", ou seja, podem ocorrer entre 0,1% e 1% dos pacientes que utilizam este medicamento. São elas: aumento dos gânglios linfáticos (ínguas); algumas reações de hipersensibilidade, como erupção cutânea (lesão na pele), prurido (coceira), urticária (alergia da pele com forte coceira), angioedema (inchaço das partes mais profundas da pele ou da mucosa); sensação de mal-estar; dor nos membros (braço); insônia; e prurido no local de injeção.

De acordo com estudos já publicados, os gânglios linfáticos causados pelas vacinas de mRNA (RNA mensageiro), como a fórmula da Pfizer/BioNTech, podem ser confundidos erroneamente com casos de câncer de mama. Por isso, é importante atenção, no momento, do diagnóstico.

Reação rara

O imunizante pode desencadear também um tipo de reação "rara", já que ocorre entre 0,01% e 0,1% dos pacientes imunizados. Esta seria a paralisa facial aguda.

Reação desconhecida

Durante os estudos de Fase 3, alguns casos apareceram em uma proporção tão pequena que os pesquisadores não conseguem calcular a incidência, mas sabem que podem ocorrer. Para a  fórmula da Pfizer/BioNTech é a reação alérgica grave (anafilaxia).

CoronaVac (Sinovac/Butantan)

CoronaVac pode desencadear dor de cabeça e cansaço em 10% dos vacinados (Imagem: Luciana Zaramela/Canaltech)

É importante observar que, no caso da CoronaVac, a bula aprovada pela Anvisa inclui apenas as reações adversas notificadas após a administração da segunda dose do imunizante na Fase 3. Outra questão diferenciada é que os efeitos colaterais da vacina foram divididos em dois grupos, adultos (de 18 até 59 anos) e idosos (pessoas com 60 anos ou mais). 

Aqui, vamos priorizar as reações de quem tem até 59 anos.

Reação muito comum

Para quem foi imunizado com a CoronaVac e tem entre 18 e 59 anos, as reações "muito comuns" são: dor de cabeça; cansaço; e dor no local da aplicação. Elas podem ocorrer em 10% dos vacinados.

Reação comum

Após a vacinação com a fórmula da Sinovac/Butantan, entre 1% a 10% dos vacinados podem relatar: enjoo; diarreia; dor muscular; calafrios; perda de apetite; tosse; dor nas articulações; coceira; coriza; congestão nasal; vermelhidão no local da injeção; inchaço localizado; e enduração do local.

Reação incomum

São incumuns, ou seja, atingem de 0,1% e 1% dos imunizadas, as seguintes reações: vômito; febre; vermelhidão; reação alérgica; dor de garganta; dor ao engolir; espirros; fraqueza muscular; tontura; dor abdominal; sonolência; mal-estar; dor nas extremidades; dor nas costas; vertigem; falta de ar; inchaço; e formação de hematoma no lugar da aplicação.

Reação desconhecida

Igual ao que foi observado com a aplicação da vacina Covishield, a Anvisa divulgou registros da síndrome de Guillain-Barré, após imunização com a fórmula da CoronaVac. No momento, foram apenas 4 casos desde o início da imunização em janeiro deste ano.

Estudo com idosos

No caso da bula disponibilizada pelo Butantan, as reações em pessoas com mais de 60 anos foi divulgada de forma separada. Para este público, foi:

  • Muito comum: dor no local da injeção
  • Comum: enjoo; diarreia; dor de cabeça; cansaço; dor muscular; tosse; dor nas articulações; coceira; coriza; dor ao engolir; congestão nasal; e coceira, vermelhidão, inchação e/ou enduração no local da aplicação.
  • Incomum: vômitos; calafrios. diminuição do apetite; reação alérgica; tontura; hematoma; hipotermia; desconforto nos membros; e fraqueza muscular.

Janssen (Johnson & Johnson)

De modo infrequente, vacina da Janssen pode causar tremores e espirros (Imagem: Reprodução/Mika Baumeister/Unsplash)

Reação muito comum

No caso da vacina da Janssen contra a COVID-19, são reações  "muito comuns": cefaleia (dor de cabeça); náusea; mialgia (dor muscular); fadiga; e dor no local da injeção. Estes efeitos atingem até 10% dos vacinados.

Reação comum

Após uso da fórmula da Johnson & Johnson, é muito comum e frequente: tosse; altralgia (dor nas juntas); perexia (aumento da temperatura e febre); eritema (vermelhidão) no local da injeção; inchaço no local da injeção; e calafrios. Esses efeitos podem atingir entre 1% e 10% dos vacinados.

Reação incomum

São consideradas reações incomuns (infrequentes): tremor; espirros; dor orofaríngea; irritação na pele; hiperidrose (suor excessivo); fraqueza muscular; dor nas extremidades; dor nas costas; astenia (diminuição da força física); e mal-estar. Esses efeitos podem atingir entre 0,1% e 1% dos vacinados.

Reação rara

Este tipo de reação, considerada rara, pode afetar de 0,01% até 0,1% dos pacientes. São elas: hipersensibilidade na pele e dos tecidos subcutâneos; e urticária.

Desconhecida

Até o momento, os pesquisadores do laboratório não conseguiram calcular a partir dos dados disponíveis, mas sabem que essas reações existem. Na bula do imunizante consta apenas a anafilaxia. No entanto, a Anvisa já divulgou outras duas condições que podem ser desencadeadas no pós-vacinação: a formação de coágulos sanguíneos em combinação com níveis baixos de plaquetas no sangue (trombocitopenia); e casos da síndrome de Guillain-Barré. Quanto a este úlitmo, apenas 3 casos da condição foram relatados.

Notificação de reações adversas: como fazer?

Como parâmetro de ajuda, vale saber que a maioria das reações adversas ocorreu no intervalo de um até dois dias após a vacinação e foram de gravidade leve a moderada. A exceção é a fórmula da CoronaVac, na qual as reações podem ser observadas até sete dias depois da imunização. Dessa forma, o que foge a essa regra pode ser entendido como um sinal para se buscar ajuda especializada. Em caso de dúvidas sobre reações adversas, é importante consultar a equipe de saúde do local em que recebeu a vacina ou o médico da família. 

Em caso de dúvida sobre vacinas, busque a orientação de um profissional de saúde (Imagem: Reprodução/Andrea Piacquadio/Pexels)

"Este produto é um medicamento novo e, embora as pesquisas tenham indicado eficácia e segurança aceitáveis, mesmo que indicado e utilizado corretamente, podem ocorrer reações adversas imprevisíveis ou desconhecidas. Nesse caso, informe seu médico", alertam todas as bulas conferidas.

Tanto profissionais de saúde quanto cidadãos podem notificar eventos adversos pelo e-SUS Notifica e pelo formulário web do VigiMed. Se o caso for de queixa técnica ou de desvios de qualidade observados em vacinas, seringas, agulhas e outros produtos para saúde utilizados no processo de vacinação, as notificações devem ser feitas pelo Sistema de Notificações em Vigilância Sanitária – Notivisa.

Para todos os envolvidos na imunização contra a COVID-19, comunicar os efeitos adversos pode ajudar a fornecer mais informações sobre a segurança deste medicamento e isso deve ajudar outras pessoas que ainda aguardam a hora de vacinar. 

Para acessar a bula completa da vacina Covishield, clique aqui. Para checar a bula da Pfizer/BioNTech, acesse aqui. Para visualizar a bula da CoronaVac, clique aqui. E para conferir a bula da Janssen, acesse aqui.

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