O que esperar das vacinas do futuro?

O que esperar das vacinas do futuro?

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 12 de Dezembro de 2021 às 15h00
Ha4ipuri/envato

Os avanços feitos na tecnologia de vacinas vêm impactando positivamente a humanidade. E por mais que já tenha se trilhado um longo caminho até aqui, os estudos já conseguem fornecer um vislumbre do que há pela frente. Com isso, fica a questão: o que esperar das vacinas do futuro?

Conforme pontua um estudo publicado na revista científica Elsevier Public Health Emergency Collection, novas ferramentas são criadas dia após dia para ajudar os farmacêuticos a lidar com os desafios para o desenvolvimento de novos imunizantes, enquanto as tecnologias já existentes continuam a passar por constantes melhorias.

Segundo o artigo, tais métodos ainda precisam ser totalmente explorados, como a vacinologia reversa, por exemplo, uma técnica que associa biologia molecular e bioinformática para fazer predições com modelos matemáticos e computacionais, de possíveis alvos vacinais. Os pesquisadores também estimam que infecções persistentes, altamente variáveis ​​e complexas ainda são um enigma a ser decifrado, uma tarefa que fica resguardada para o futuro da medicina.

Vacina de mRNA: revolução na medicina

A esta altura da pandemia de covid-19, é muito provável que você já tenha ouvido falar da vacina com RNA mensageiro (mRNA), técnica utilizada por fabricantes como a Moderna e a Pfizer. Até então, essa era uma tecnologia nunca adotada na história da ciência.

Consiste na introdução de uma sequência de mRNA (a molécula que diz às células quais proteínas construir), codificada para um antígeno específico da doença; uma vez produzido dentro do corpo, o antígeno ensina a célula da pessoa a produzir proteínas, e com isso gera uma reação de anticorpos contra a doença em questão.

As vacinas de RNA são mais rápidas e baratas de produzir do que as vacinas tradicionais, e também mais seguras para o paciente, uma vez que não são produzidas com elementos infecciosos. O método tem sido aperfeiçoado principalmente por laboratórios norte-americanos e alemães, principalmente por causa do surgimento da pandemia, o que levou as pesquisas a receber recursos.

O que esperar das vacinas do futuro? (Imagem: Ttwenty20photos/Envato)

Vacinas do futuro podem não ter agulhas

Para quem tem medo de agulha, o futuro parece promissor: inúmeros pesquisadores se concentram no desenvolvimento de algum dispositivo que permita vacinar sem a utilização de agulhas. No início do ano, por exemplo, cientistas da Swansea University (Reino Unido) anunciaram uma vacina adesiva contra a covid-19, em desenvolvimento.

Nesse caso, a vacina consiste de um adesivo inteligente dotado de microagulhas, feitas de policarbonato ou silício. As pontas de cada uma das agulhas são medidas em micrômetros (ou seja, milionésimos de um metro) e inserem a medicação de uma maneira minimamente invasiva. Cientistas da Universidade de Queensland (Austrália) também se concentram em uma proposta semelhante: uma vacina adesiva para quem não gosta de agulhas.

No último mês de novembro, pesquisadores da Georgia Tech’s School of Chemical and Biomolecular Engineering (EUA) e da Sun Yat-sen University (China) anunciaram uma técnica inovadora que parece ser um grande acréscimo às vacinas do futuro: uma caneta que administra imunizante com pulsos elétricos.

Na esteira das vacinas sem agulha, uma empresa fundada na incubadora de startups de tecnologia da University of Waterloo está desenvolvendo o Cobi, um robô que pode realizar injeções intramusculares sem agulha nenhuma.

Novas vacinas a caminho

Podemos esperar uma verdadeira safra de imunizantes inéditos pela frente. A própria Moderna, por exemplo, está testando uma vacina contra o citomegalovírus (CMV). Até então, não existem fórmulas aprovadas para prevenir a infecção do CMV, que pertence à família do herpesvírus, tal como a catapora, o herpes simples, o herpes genital e o herpes-zóster. O principal risco está em caso de infecção durante a gravidez.

A comunidade científica também está animada para uma vacina contra o Alzheimer. A Clinical Research Services Turku (CRST), localizada na cidade finlandesa de Turku, está testando o imunizante ALZ-101 em humanos, e os resultadores devem ser divulgados no segundo semestre de 2023. A fórmula carrega anticorpos sintéticos que miram uma proteína tóxica, a beta-amiloide (que se acumula no cérebro e é considerada uma das possíveis causas do declínio cognitivo gerado pelo alzheimer).

Vale ressaltar, por fim, que a primeira vacina de mRNA contra HIV já está a caminho. A Moderna também está por trás desse imunizante, e já conta com a autorização dos testes clínicos do National Institutes of Health (NIH). Nesta fase inicial dos estudos clínicos, os pesquisadores devem testar a segurança da fórmula. As próximas fases envolvem verificar a eficácia.

Fonte: Elsevier Public Health Emergency Collection

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