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O que é sinestesia? | Exemplos, casos e como saber se você tem

Por| Editado por Luciana Zaramela | 07 de Julho de 2023 às 16h14

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Statuska/Envato Elements
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A sinestesianão confundir com cinestesia, que é o mesmo que propriocepção — acontece quando o processamento de estímulos externos pelo cérebro acaba embaralhado, com as rotas dos sentidos, que normalmente seguem linhas separadas, se confundindo e misturando, gerando um mix de sensações. Em outras palavras, alguns dos nossos 5 sentidos se juntam e geram sensações onde não deviam, nos fazendo ver cores em palavras, ouvir sons quando sentimos cheiros e sentir gostos quando vemos uma pessoa específica.

Embora pareça confuso e aleatório, não se engane — para quem experimenta essas sensações, o gatilho e a experiência são sempre iguais, e bastante naturais, inclusive. É fácil nem se dar conta de que se tem sinestesia, já que a associação é automática, com números e palavras tendo cores associadas com tanta facilidade que é uma surpresa descobrir que outras pessoas não sentem o mesmo. Por todo o mundo, 3,7% das pessoas têm algum tipo de sinestesia.

O que significa sinestesia?

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A palavra sinestesia, em si, vem do grego syn, que significa união ou junção, e esthesia, que significa sensação ou sentido. Ela ocorre por conta de um distúrbio neurológico que mistura os sinais cerebrais, levando, por exemplo, a visão de um objeto — que deveria chegar ao córtex visual sem cruzar com outros sinais, sendo interpretada separadamente — cruzar com outro sinal que vai até o córtex auditivo, o que faz esse objeto parecer evocar um som.

A ciência, na verdade, sabe pouco sobre a condição. Ela é congênita, ou seja, já nasce com a pessoa e se manifesta no início da vida, e genética, sendo causada por mais de um gene (se acredita serem 3, mas teorias envolvem mais de 7) em mais de um cromossomo. O que sabemos é que ela não está ligada aos cromossomos sexuais (XX ou XY), podendo ocorrer em todos os gêneros sem discriminação.

Não há, portanto, um diagnóstico para a sinestesia, fora a percepção pessoal de que se está sentindo uma mistura de sentidos — comumente, a descoberta é feita quando o indivíduo nota que outras pessoas não sentem o mesmo mix de sentidos.

Quem tem sinestesia é conhecido como sinesteta. Ela é involuntária e permanente, o que quer dizer que as reações que misturam sentidos são automáticas, não mudando com o tempo e voltando instantaneamente a partir do mesmo estímulo. É comum que elas tenham um componente espacial — quem associa palavras a cores relata vê-las claramente no campo de visão, por exemplo. Quem passa por essas experiências geralmente não as esquece, sendo bem memoráveis e agradáveis na maior parte do tempo.

Sinestetas costumam ter uma conexão emocional com a sinestesia, que acaba sendo uma maneira única de se relacionar com o mundo, uma interpretação bastante pessoal das coisas. A maioria das pessoas com a condição não gostaria de ficar sem ela. Embora rara, a sinestesia não é anormal, funcionando da mesma forma que qualquer outro sentido. Nosso olfato é um exemplo: sentir cheiros é natural, e pode nos trazer experiências tanto boas quanto ruins.

Em alguns casos, isso pode atrapalhar, como o relato de uma escritora que associa a letra A à cor laranja e a letra B ao verde. Ao visitar a capital da Tchéquia, Praga, ela se confundiu com as linhas do metrô, já que a linha verde é A e a laranja é B na cidade. Outros sinestésicos associam sensações como o vento ambiente e tipos de luzes a músicas e sons, e isso pode acabar gerando dificuldade para dormir, já que o cérebro está sempre ativo.

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Drogas, inclusive, podem gerar sensações sinestésicas, mas são aleatórias e momentâneas. Sinestetas “naturais” convivem com suas sensações por toda a vida.

Exemplos de sinestesia famosos

Pesquisas têm trazido novidades sobre a sinestesia à ciência, mostrando que ela é bem mais comum do que se pensava e não discrimina gênero. A variante mais comum é a de associar dias da semana a cores, sendo que a de números a cores, que se pensava ser a mais prevalente, só está presente em 1% dos casos.

Graças à Associação Internacional de Sinestetas, Artistas e Cientistas (Iasas, na sigla em inglês), conhecemos muitos casos da condição, como o de uma escritora que tinha dificuldade em aprender a diferença entre as letras P e R na infância.

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Um dia, ela descobriu que o R podia ser feito ao adicionar uma linha diagonal a um P, e notou que a letra foi de amarelo (para o P) ao laranja (para o R). Quando contou ao pai sobre o caso, aos 16 anos, ele ficou confuso, e ela percebeu que essa associação de cores que via nas letras não era comum — foi quando descobriu ser sinesteta. Há muitos sinestetas famosos na história, como estes:

  • Richard Feynman (1918-1988): Físico americano prestigiado, ganhador do Nobel de 1965, ele relatava ver letras e números com cores específicas. Quando lecionava, via letras X marrom-escuras no ar;
  • Vasili Kandinsky (1866-1944): Famoso pintor russo, seus sentidos de visão, audição, olfato e tato eram misturados — segundo relatos próprios, ele cantava os tons de cor que pretendia usar nas pinturas;
  • Eddie van Halen (1955 - 2020): Guitarrista americano e criador da banda Van Halen, ele dizia ver notas musicais coloridas, e usou sua percepção da nota marrom para os discos da banda;
  • Vladimir Nabokov (1899-1977): Escritor russo, autor do romance Lolita (1955), ele reclamou, na infância, que as cores do alfabeto de madeira de brinquedo estavam erradas. Em seus livros, criou diversos personagens sinestetas.

Fonte: Perception