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Nova onda de covid-19? Entenda a situação no Brasil e no mundo

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Agosto de 2023 às 17h23

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Fernando Zhiminaicela/Pixabay
Fernando Zhiminaicela/Pixabay

Independente da melhora do cenário epidemiológico da covid-19, o coronavírus SARS-CoV-2 nunca desapareceu. Na verdade, ele perdeu força — por causa de inúmeras medidas, incluindo as vacinas — e até foi sobreposto por outros vírus respiratórios, como o influenza e o vírus sincicial respiratório (VSR). Só que, agora, alguns dados emergentes apontam para o "retorno da covid", mas em um patamar muito menor que o do auge da pandemia.

Entre as evidências do novo momento da covid-19, está o último relatório sobre casos globais da doença, divulgado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o que indica uma possível nova onda. Em paralelo, alguns cientistas britânicos já sugerem até o retorno do uso de máscaras por causa de novas variantes do coronavírus. Por lá, os sinais da nova onda já são mais visíveis.

OMS aponta para aumento de casos da covid

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Considerando os dados coletados entre os dias 10 de julho e 6 de agosto, a OMS anunciou, na última segunda-feira (14), que o número de novos casos da covid-19 aumentou em 80% em relação ao mês anterior. Em números absolutos, isso significa mais de 1,5 milhão de novas infecções.

Essa possível nova onda é causada, em especial, pelos novos registros da Oceania, enquanto nos outros continentes o movimento é de manutenção dos parâmetros anteriores ou de queda. Este último caso é o das Américas.

Até o momento, a alta de casos da covid-19 não acompanhou o aumento de óbitos em decorrência da doença. Na verdade, foi o oposto: a taxa caiu em 57%, com apenas 2,5 mil mortes oficiais registradas no período.

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Para adicionar um grau de complexidade na questão, é importante observar, como bem lembra a OMS, que estes números podem ser maiores do que os apresentados. Afinal, o número de nações que têm informado a organização do seu cenário epidemiológico está diminuído. Dos 234 países, apenas 103 (44%) atualizaram os seus números de casos nos últimos 28 dias.

Variantes de risco da covid-19 no mundo

Analisando os dados limitados sobre a covid-19 no mundo, a variante predominante do coronavírus é a XBB.1.16 (Arcturus), responsável por 25,2% dos casos. No último mês, foi associada com 22,2% dos novos diagnósticos. Em seguida, está a XBB.1.5, associada com 12,7% dos novos sequenciamentos. As duas são classificadas como Variantes de Interesse (VOI) pela OMS.

Embora as duas sejam as mais comuns no globo, o cenário está longe de ser homogêneo. Por exemplo, a OMS já acompanha a variante EG.5, apelidada informalmente de Éris. Recentemente, ela foi classificada como uma VOI, porque pode se tornar predominante e ter algum impacto na disseminação global da doença. Nos Estados Unidos, este movimento de substituição já ocorreu e a EG.5 é predominante.

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BA.2.86: a nova variante de Israel e da Dinamarca

Além da Éris e das outras VOIs, uma nova variante foi recentemente descoberta em Israel e na Dinamarca, com mutações potencialmente perigosas. Erroneamente, a cepa foi chamada de BA.6 por alguns especialistas, mas o nome correto é BA.2.86, já que descende da BA.2, como informa a OMS.

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Esta é considerada uma variante sob monitoramento (VUM) e, por enquanto, foram realizados apenas três sequenciamentos genéticos completos da cepa. No entanto, mais investigações estão em andamento devido aos seus potenciais riscos, como mecanismos de escape imunológico.

Nas redes sociais, Mellanie Fontes-Dutra, biomédica e divulgadora científica, explica que "ela [a BA.2.86] apresenta um número considerável de mutações em regiões importantes da spike [proteína espicular da membrana viral, usada para invadir células saudáveis], e existe a possibilidade de causar uma nova onda de casos" da covid-19 em todo o mundo.

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Só que isso deve ser encarado mais como um alerta, já que, para provocar novos surtos da covid-19, é necessário que ela se espalhe e se torne predominante, o que ainda não aconteceu.

Variantes do coronavírus no Brasil

No último Boletim Epidemiológico, divulgado na semana passada, o Ministério da Saúde afirma que as duas novas variantes da covid-19 não foram identificadas no Brasil. Por enquanto, a XBB.1.5 segue predominante. No entanto, a pasta informa que há “uma forte redução de sequenciamentos realizados no País”.

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Como a covid-19 impacta o Brasil hoje?

Nesta quinta-feira (17), a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) informou que monitora a situação do país em relação a essas novas variantes da covid-19 e os dados oficiais. Considerando essas informações, o país não passa por aumento de casos da covid-19.

“Não houve modificação no cenário de casos notificados de covid-19 ou aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) no Brasil no momento”, informa nota técnica, assinada por Alberto Chebabo, infectologista e presidente da SBI. Dessa forma, não há necessidade de “mudança das recomendações vigentes".

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Para entender, na última semana, o país registrou 11 mil novos casos da covid-19, sendo 168 mortes. Na outra semana, foram 10,8 mil casos e 161 óbitos. Há três semanas, foram contabilizados 11,2 mil casos e 195 mortes. Nesse sentido, o cenário é de estabilidade.

Vale usar máscaras de novo?

Apesar do controle no número de casos brasileiros do coronavírus, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) está se adiantando a essa possível onda da covid-19 e, por isso, já orienta que alunos, professores e profissionais voltem a usar máscaras faciais em locais fechados. Além disso, está disponibilizando testes para todos os casos suspeitos. Até o momento, a instituição segue isolada na recomendação.

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Independente da leitura do momento enfrentado pelo país, existem algumas medidas já conhecidas que podem aumentar a proteção, como tomar as doses de reforço da vacina, lavar sempre as mãos, manter os ambientes ventilados, testar em caso de sintomas e, se quiser, as máscaras também podem ser usadas.

Fonte: OMSMinistério da Saúde e Agência Brasil