Infectologista tira as principais dúvidas sobre a vacina da Pfizer/BioNTech

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 25 de Maio de 2021 às 16h20
Jubjang/Rawpixel

No fim de abril, chegou ao Brasil o primeiro lote da vacina produzida pela farmacêutica norte-americana Pfizer em parceria com a alemã BioNTech. O imunizante é o terceiro a ser administrado no país, depois da CoronaVac (da Sinovac) e da Covishield (de Oxford/AstraZeneca). Com isso, está mais do que na hora do brasileiro entender melhor do que se trata esse imunizante.

Anteriormente, o Canaltech conversou com o Dr. Bernardo Almeida, médico infectologista e diretor do laboratório de análises clínicas Hilab, para tirar dúvidas sobre a CoronaVac e a vacina de Oxford/AstraZeneca. Dessa vez, porém, o médico conversa conosco para esclarecer algumas informações a respeito do imunizante da Pfizer/BioNTech:

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Canaltech: Do que é feita a vacina da Pfizer/BioNTech, exatamente? Como ela funciona?

Bernardo Almeida: A vacina é composta por uma tecnologia inovadora, baseada na inclusão de RNAm (RNA mensageiro), que codifica a sequência que gera a proteína S (spike). Essa proteína faz parte do vírus SARS-CoV-2 e é responsável por induzir nossa resposta imune. A tradução do RNAm é feita com o auxílio das nossas próprias células, o que amplifica a geração dessa proteína.

CT: Quais as contraindicações da vacina da Pfizer/BioNTech?

BA: Basicamente, história de reação alérgica grave (anafilaxia) a um dos componentes da vacina. Atenção deve ser dado ao polietilenoglicol e polissorbato, que são compostos comumente usados em outras medicações.

CT: Por que a vacina da Pfizer/BioNTech exige duas doses?

BA: A segunda dose amplifica a resposta imunológica e aumenta a eficácia. Portanto, após 14 dias da primeira dose já há uma resposta inicial, porém, somente depois de 14 dias da segunda dose é que se obtém a resposta máxima.

(Imagem: Samuel Regan-Asante/Unsplash)

CT: Gestantes podem tomar a vacina da Pfizer/BioNTech?

BA: Podem. Já há trabalhos publicados que não identificaram riscos da vacina para essa população.

CT: Os componentes da vacina da Pfizer causam algum problema para quem é alérgico?

BA: Sim. Por isso é importante conferir os componentes antes. Somente as alergias graves contra-indicam a vacina. Felizmente, é algo raro.

CT: Quais são as recomendações para quem já possui uma doença pré existente?

BA: Manter cuidado máximo e ficar alerta ao calendário vacinal para as comorbidades e faixa etária. Mesmo após a vacinação, é orientado manter os cuidados gerais devido a vacina não conferir 100% de proteção e ainda termos circulação intensa do vírus no Brasil.

CT: A pessoa que tomou a vacina da Pfizer deve continuar usar máscara e evitando aglomeração?

BA: Mesmo após a vacinação, os cuidados deverão ser mantidos por alguns meses e talvez durante o ano de 2021. O tempo dependerá da velocidade da vacinação. 

CT: A vacina da  Pfizer impede a transmissão da COVID-19 ou a pessoa vacinada ainda pode transmitir?

BA: Há indícios de que a vacina reduz as chances de transmissão comparado a quem não usou a vacina, porém, ainda há o risco da transmissão ocorrer. Por isso a necessidade de manutenção dos cuidados mesmo após a vacina.

Para saber sobre eficácia não só da vacina desenvolvida pela Pfizer/BioNTech, como também de outras vacinas, acesse nossa matéria especial, onde esclarecemos questões em torno do que é taxa de eficácia e como ela é calculada, por exemplo.

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