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Alzheimer pode ser uma doença autoimune, e não uma condição cerebral

Por| Editado por Luciana Zaramela | 04 de Março de 2024 às 19h26

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Atlascompany/Freepik
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Uma série de pesquisas recentes sugere que o conhecimento científico sobre a doença de Alzheimer estaria errado — ou seja, o foco na teoria de que o acúmulo da proteína beta-amiloide seria a causa da doença. Um dos principais estudos abordando a questão foi publicado em 2022, no periódico científico Science.

Nele, cientistas da Universidade de Toronto apontam que o principal estudo sobre a beta-amiloide, publicado em 2006, pode ter sido baseado em dados falsificados, e a aprovação do medicamento aducanumab pela Food and Drug Administration (FDA, espécie de Anvisa dos EUA) para tratamento do Alzheimer, em 2021, usou dados incompletos e contraditórios.

Alzheimer como doença auto-imune

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Buscando novas perspectivas sobre a doença, os pesquisadores canadenses resolveram se aprofundar sobre a proteína beta-amiloide, estudando o tema por 30 anos. Com isso, teorizam que o Alzheimer não seria exatamente uma patologia cerebral, mas sim autoimune — embora no cérebro.

Segundo a análise, a proteína beta-amiloide seria uma molécula normal do sistema imune cerebral, surgindo, por exemplo, quando há traumas cerebrais para atacar possíveis invasores.

As moléculas de gordura que formam tanto a membrana das bactérias quanto a das células cerebrais são muito parecidas, no entanto, e, pela dificuldade das beta-amiloides em diferenciá-las, acabariam atacando o alvo errado.

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Isso levaria à perda gradual das funções das células cerebrais, gerando a demência. Para tratar a doença, então, uma abordagem diferente teria de ser feita, buscando caminhos de regulação imune no cérebro, já que remédios usados em outras doenças autoimunes, como artrite reumatoide, não funcionam com o Alzheimer.

Outras teorias para o Alzheimer 

Ainda segundo os cientistas, há outras abordagens interessantes e totalmente novas sobre a doença, como uma equipe que acredita ter encontrado sua origem nas microproteínas das mitocôndrias, fontes de energia das células. Outros sugerem que bactérias da boca seriam as responsáveis, ou uma regulação anormal de metais no cérebro, como zinco, cobre ou ferro.

O que é importante, no final das contas, é buscar respostas em outros lugares, sem gastar energia pensando que as beta-amiloides são anormais ou problemáticas por si só, embora possam estar, inadvertidamente, causando o problema, no final das contas.

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Fonte: Science, FDA, Current Alzheimer Research com informações de The Conversation