Facebook admite fornecer dados pessoais a Huawei, Lenovo e outras chinesas

Por Wagner Wakka | 06 de Junho de 2018 às 16h36
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Nesta terça-feira (6) o Facebook informou que compartilha dados com empresas parceiras na China. Ao menos quatro entram na lista: as fabricantes de smartphones Huawei, OPPO e TCL Group, além da Lenovo Group, voltada à produção de computadores. A Huawei em especial está sob a vigília da agência de segurança dos Estados Unidos.

Ao todo, são 60 empresas em todo mundo que compartilham dados com a rede social e, assim, também recebem informações dela. Estão na lista Amazon.com, Apple Inc, Blackberry, HTC, Microsoft e Samsung Electronics. A informação veio após pedido do Comitê de Inteligência dos Estados Unido.

Tal prática tem levantado preocupações de congressistas nos Estados Unidos, sobretudo depois do escândalo da Cambridge Analytica, que envolveu o uso indevido de dados de mais de 87 milhões de usuários da rede social. A suspeita é de que estas informações tenham sido usadas para campanhas de Donald Trump e para o Brexit, no Reino Unido.

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Estas empresas chinesas recebem acesso a alguns dados do usuário depois que eles assinaram contratos para recriar experiências parecidas com as do Facebook para seus usuários. Com esta API compartilhada pela rede social, as empresas teriam acesso não somente a informações pessoais de usuários do Facebook, mas de amigos e até de amigos de amigos de uma mesma conta. Informações incluem status de relacionamento, posição política e de religião.

No domingo, membros do Congresso mostraram oficialmente preocupados em reportagem para o New York Times. Segundo eles, esta parceria permitirá acesso a dados de amigos dos usuários teriam sido usados sem o consentimento deles. Tal prática teria sido a mesma usada no caso Cambridge Analytica.

O Facebook, contudo, nega este acesso. Além disso, a rede social já informou que vai encerrar a parceria com a Huawei até o fim de semana, bem como já cortou relações com metade das empresas com as quais mantinha parcerias do gênero. O Facebook prometeu também encerrar a relação com as outras três chinesas citadas.

O caso Huawei

A Huawei passou a ser preocupação para o Departamento de Comunicação dos Estados Unidos, pois oficiais de inteligência acreditam que a empresa pode ser uma porta de entrada para espionagem estrangeira para o país bem como uma ameaça para a infraestrutura norte-americana. Tanto o governo Chinês quanto a Huawei negam esta acusação.

"A notícia de que o Facebook forneceu acesso privilegiado à API do Facebook para fabricantes de dispositivos chineses como Huawei e TLC levanta preocupações legítimas, e estou ansioso para saber mais sobre como o Facebook garantiu que as informações sobre seus usuários não fossem enviadas para servidores chineses", informou o senador Mark Warner. Ele é vice presidente do Comitê de Inteligência dos Estados Unidos. O órgão estatal foi quem pressionou o Facebook sobre as informações.

Em nota, a rede social informou que tomou todas as providências para que os dados fossem mantidos em sigilo junto às empresas e não chegassem ao governo chinês.

"O Facebook, juntamente com muitas outras empresas de tecnologia dos EUA, trabalhou com eles e outros fabricantes chineses para integrar seus serviços a esses telefones", disse Francisco Varela, vice-presidente de parcerias móveis do Facebook, em um comunicado. “As integrações do Facebook com a Huawei, Lenovo, OPPO e TCL foram controladas desde o início — e aprovamos as experiências com o Facebook que essas empresas construíram”, conclui.

Por fim, Varela ainda informou que os dados fornecidos a empresas chinesas não são guardados em servidores das companhias, mas diretamente no aparelho celular dos usuários, o que impediria que fossem usados incorretamente.

Acesso a dados

Segundo matéria do New York Times publicada neste domingo (3), a API compartilhada do Facebook permitia que a empresa tivesse acesso a dados de amigos de usuários. Em testes, o jornalista do veículo Michael LaForgia usou o app do Hub para logar em seu Facebook no BlackBerry Z10. Com isso, o BlackBerry Hub passou a ter acesso a dados de 556 amigos que o jornalista tinha na rede social. Tais dados são relacionados a status de relacionamento, religião e inclinação política.

De acordo com o Facebook, empresas terceirizadas não teriam tal acesso, mas ficou claro que a BlackBerry não é uma delas. O Hub conseguiu ampliar o conhecimento de dados para 294 milhões de amigos de amigos do jornalista.

Fonte: NY Times, Venture Beat

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