Quem são os Filhos da Meia-Noite e por que eles estão mais perto do MCU

Quem são os Filhos da Meia-Noite e por que eles estão mais perto do MCU

Por Claudio Yuge | 12 de Setembro de 2021 às 11h00
Marvel

Com a Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês) em pleno andamento, a Marvel Studios vem ampliando bastante sua cartela de propriedades e temas, trazendo cada cantinho favorito dos fãs de quadrinhos para as telonas. Os chamados “heróis sobrenaturais” estão entre os próximos projetos da Marvel Studios, em especial os que fazem parte do grupo batizado de Filhos da Meia-Noite.

Os Filhos da Meia-Noite nunca foram unanimidade entre os leitores, e são personagens marginais e sombrios. Eles não costumam emplacar títulos mensais com regularidade, mas contam com uma base fiel de fãs. Suas tramas envolvem magia e bruxaria, anti-heróis, questões sobre religiosidade e ações moralmente bastante duvidosas — são histórias mais indicadas para adultos, e que, além de tocarem no lado mais hostil das pessoas, trazem à tona aspectos interessantes sobre o Multiverso Marvel.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

As adaptações da Marvel para cinema e TV já vêm flertando com os Filhos da Meia-Noite há algum tempo e, agora, estamos mais perto desse grupo como nunca antes — especialmente com o anúncio recente da chegada do game Midnight Suns (uma clara referência a Midnight Sons, o nome original da equipe em inglês). Outras dicas de bastidores também apontam para a formação desse time.

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Mas quem são os personagens que compõem esse grupo? O que eles buscam? E como eles já vêm sendo introduzidos no MCU? Acompanhe com o Canaltech logo abaixo.

Quem são os Filhos da Meia-Noite?

Os anos 1990 não foram generosos com os super-heróis nos quadrinhos. Fora os X-Men, todas as revistas sofreram quedas nas vendas e a qualidade criativa das tramas andava muito baixa. Tanto é que foi a década em que vimos muitas tragédias apelativas com personagens famosos, a exemplo da morte do Superman, da traição do Lanterna Verde Hal Jordan, dos clones do Homem-Aranha, da retirada do Adamantium dos ossos do Wolverine e do Batman com sua coluna vertebral quebrada.

Nesse cenário, os leitores passaram a consumir outros tipos de leitura mais complexas ou alternativas aos heróis, como histórias cotidianas de selos alternativos, mangás e quadrinhos adultos. O selo Vertigo, da DC Comics, prosperou no período, assim como os autores do mercado underground. E, na Marvel, esse reflexo veio por meio da popularidade de personagens e temas que antes não chamavam tanta a atenção de sua audiência.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

O Motoqueiro Fantasma voltou a ser bastante procurado pelos leitores, especialmente na boa introdução do segundo anti-herói com esse nome, Danny Ketch, que conquistou imediatamente os leitores — graças à boa caracterização, mais jovial e atualizada, e à fase desenhada por Mark Texeira. Com o sucesso desse título, a Marvel passou a expandir seu lado sobrenatural.

Para isso, tirou o Doutor Estranho do ostracismo e deu a ele o papel de liderar uma equipe de criaturas contra Lilith, uma feiticeira-demônio que remete à história bíblica como primeira esposa de Adão e que na Marvel é usada como a grande vilã do arco que reúne os Filhos da Meia-Noite: ela planeja usar seus quatro filhos demônios, os Lilin, para tomar o controle da Terra. Um desses rebentos malditos calhou ser justamente o maior inimigo do Motoqueiro Fantasma, Blackout.

Assim, para detonar os inimigos, Estranho reuniu os “Andarilhos Noturnos” (ou Nightstalkers”), os caçadores de vampiro Blade (Eric Brooks), Hannibal King e Frank Drake; Morbius, o vampiro vivo, que saiu das páginas do Homem-Aranha; os Espíritos da Vingança, representados pelos Motoqueiros Fantasma Danny Ketch e Johnny Blaze, além de Vingança (Michael Badilino); e os Redentores do Darkhold, Sam Buchana, Victoria Montesi, Louise Hastings e, posteriormente, Modred e Jinx.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Na trama, Estranho não participa efetivamente da batalha, mas fica coordenando o grupo nos bastidores. Os Filhos da Meia-Noite conseguem deter Lilith e, a partir daí, a equipe passa a se reunir quando há ameaças semelhantes na Terra. No segundo encontro, no arco Massacre da Meia-Noite, o Mago Supremo mais uma vez ficou em segundo plano, enquanto Blade liderou o time na batalha contra o demônio Switchblade, vindo de uma página do livro proibido Darkhold.

Cerco das Trevas e a versão moderna

As histórias iniciais fizeram bastante sucesso, então, a Marvel decidiu apostar de vez nesse grupo, com uma grande saga dividida em duas partes, a partir de 1993. Cerco das Trevas trouxe o Doutor Estranho como parte efetiva dos Filhos da Meia-Noite contra os Lilin, que queriam vingar a morte de Lilith; e Os Caídos, grupo leal a Zarathos, demônio que controla os Motoqueiros Fantasmas e que pereceu na Ascensão dos Filhos da Meia-Noite anos antes. Vale destacar que, nesta época, o Mago Supremo vivia uma fase questionável, mais musculosa e "porradeira", parecida com o Spawn.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Depois disso, a revitalização das linhas de heróis da Marvel, como os Vingadores, ofuscou um pouco essas tramas já mais obscuras. A editora deixou, então, os Filhos da Meia-Noite de lado. Eles só viriam se tornar novamente mais relevantes mais recentemente, em 2018, justamente com o Doutor Estranho, que saiu novamente do papel de coajuvante para protagonista, graças ao sucesso da Marvel Studios.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Em Doutor: Estranho, Danação, o Mago Supremo tenta reconstruir Las Vegas após a destruição da cidade no evento Império Secreto, mas, inadvertidamente abre uma porta para que Mefisto invada a Terra. Com esta saga, os Filhos da Meia-Noite ganham uma formação “mais eclética”, com a participação de Hellstrom, Cavaleiro da Lua, Homem-Coisa e Punho de Ferros; e outros “heróis de rua” mais sombrios, como Demolidor e Justiceiro, também passaram a ser conectados à equipe.

Como os Filhos da Meia-Noite estão chegando ao MCU

Bem, a Marvel já teve adaptações de personagens conectados aos Filhos da Meia-Noite, como os filmes do Justiceiro, do Demolidor e do Motoqueiro Fantasma; além disso, os “heróis de rua” também estrearam na Netflix e o Motorista Fantasma, assim como o livro Darkhold, apareceram na série Agentes da SHIELD.

Motorista Fantasma em Agentes da SHIELD (Imagem: Reprodução/ABC)

E uma das primeiras pistas que a Marvel Studios deu sobre seu interesse nos Filhos da Meia-Noite foi na produção de duas séries no Hulu, que não fariam parte do MCU. Hellstrom e Motoqueiro Fantasma foram anunciados pela plataforma de streaming, mas, misteriosamente, a do Motoqueiro Fantasma, foi cancelada. Hellstrom chegou a ser lançado, mas parece que não será utilizado pelo MCU. Já o Motoqueiro Fantasma, segundo informações de bastidores, teria sido barrado a pedido do próprio Kevin Feige, que teria planos para ele em suas próximas fases no cinema e na TV.

E as pistas sobre a ascensão do grupo não param por aí. Em 2019, Feige anunciou o reboot de Blade e Morbius tem um filme pronto para ser lançado pela Sony. Em WandaVision, já vimos a Marvel Studios explorando os cantos mágicos da editora, com a citação ao Darkhold. A produção da série do Cavaleiro da Lua já está em andamento e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura deve lidar não somente com realidades alternativas e linhas temporais, como também com dimensões, a exemplo das que abrigam entidades mágicas.

O Darkhold em WandaVision (Imagem: Reprodução/Marvel Comics)

Em Shang-Chi e a Lenda dos Dez Aneis, a Marvel Studios também introduziu uma dimensão alternativa, com direito a muito misticismo e dragões; e Wong teve uma importante participação, conectando a história com o lado mágico crescente do MCU. E, para completar as pistas que vêm de Hollywood, tanto o Demolidor quanto o Justiceiro da Netflix estariam nos planos de Feige para serem aproveitados nos próximos filmes e séries.

Nos quadrinhos, o Homem-Coisa e o Nexus das Realidades têm ganho destaque incomum nos últimos anos, especialmente em 2021; e o Darkhold terá uma atenção especial durante um evento, que já foi adiado no ano passado e ainda está sem data de lançamento, provavelmente para aproveitar melhor o timing das estreias da Marvel Studios e do Disney+. E, neste mês, a Marvel Comics introduziu mais uma personagem conectada aos Magos Supremos.

E, agora, o game Midnight Suns usa o Doutor Estranho e o Motoqueiro Fantasma, mais uma vez, como condutores para a reunião de uma equipe que vai lutar contra ameaças mágicas e sobrenaturais — vale lembrar que os Filhos da Meia-Noite também já foram tema de aventuras no jogo mobile Marvel Future Fight.

Ainda não se sabe ao certo quando isso tudo vai se juntar nos cinemas ou nas telinhas. Mas, depois disso tudo, não tem como negar que seja só mesmo uma questão de tempo, não?

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