WandaVision | Livro Darkhold pode ter chegado ao MCU; conheça o artefato

Por Claudio Yuge | 23 de Fevereiro de 2021 às 19h00
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Atenção! Essa matéria está cheia de spoilers sobre a série Wandavision e os quadrinhos relacionados da Marvel Comics

Quem assistiu ao último episódio de WandaVision de deparou com um estranho lugar no porão da casa de Agnes, a “vizinha barulhenta que se revelou como a bruxa Agatha Harkness — já mostramos aqui tudo sobre ela nos quadrinhos, acesse no link abaixo. E uma das coisas que mais chamou a atenção nas cenas finais do capítulo sete foi a presença de uma enigmático livro, ligado a energias poderosas.

Os leitores mais atentos logo associaram isso ao livro Darkhold, um dos artefatos mágicos mais malignos dos quadrinhos da Marvel Comics. O assustador grimório, que aparece em um pedestal no Disney+, pode ter introduzido um dos objetos de maior poder na Fase 4 do Universo Cinematográfico Marvel (MCU, na sigla em inglês).

O possível Darkhold visto em WandaVision (Imagem: Reprodução/Disney+)

E do que se trata esse livro Darkhold? Por que ele é tão temido e misterioso? E quais implicações ele pode trazer para o MCU, não somente em WandaVision, mas também nas próximas tramas e filmes da Marvel Studios?

O  que é o livro do Darkhold?

Muitas vezes também chamado de “Livro dos Pecados”, o Darkhold teve a maior parte de suas páginas escrito por um dos Deuses Anciões da Marvel Comics, Chthon, o primeiro praticante de magia sombria. Suas palavras foram forjadas em páginas de ferro e são associadas a divindades caóticas e conquista da realidade.

As energias que vêm do Darkhold envolvem vários incidentes ao longo dos milênios no Universo Marvel, o que inclui a criação do primeiro vampiro, Varnae; e o primeiro lobisomem, Grigori Russoff. Elas também foram manipuladas em histórias dos guerreiros Red Sonja e Conan (que atualmente faz parte da cronologia oficial do Universo Marvel) e da bruxa Morgana le Fay. Nas publicações dos anos 1990 e 2000, o livro foi bastante citado no cantinho dos Filhos da Meia-Noite, como Motoqueiro Fantasma, Blade, Cavaleiro da Lua, Doutor Estranho, entre outros.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A maioria dos relatos envolvendo o Darkhold remonta aos tempos do naufrágio da Atlântida, quando Agatha Harkness era uma de suas guardiãs — daí o fato do que acontece em WandaVision ser bastante coerente com as raízes dos quadrinhos. E como o Necronomicon causa grande interesse ao público de H.P. Lovecraft, a Marvel criou uma espécie de sua própria versão do “Livro dos Mortos” na forma do Darkhold, uma fonte inesgotável de conhecimento sobre feitiçaria.

Como o Darkhold se conecta à Feiticeira Escarlate?

Depois de forjado em pergaminhos de ferro, o Darkhold sobreviveu ao colapso de Atlântida e, como dito acima, influenciou as aventuras de Conan, quando esteve em posse de vários feiticeiros e mágicos das trevas, incluindo o primeiro vampiro, Varnae. No período da Camelot da Marvel, a feiticeira Morgana Le Fay amarra os pergaminhos e Chthon na primeira versão moderna do Darkhold, com a aparência que ele tem atualmente. Ele é descrito pelo mago Merlin, outro “Ser Nexus” conectado ao Multiverso Marvel, como um livro de “magias tão vis e terríveis”. O artefato foi usado por Modred, filho de le Fay, contra Merlin.

Publicação sobre Darkhold anunciada pela Marvel em 2020 subiu do cronograma
(Imagem: Divulgação/Marvel Comics)

Chthon reconhece em Wanda seu status de um “Ser Nexus”, como são chamadas as criaturas ligadas ao Nexus das Realidades, um lugar onde as dimensões se tocam no Universo Marvel — falaremos especificamente sobre esse assunto nesta quarta-feira (24), não perca também. Com objetivos futuros em mente, Chthon compartilha uma parte de sua própria essência caótica à Wanda no momento em que ela nasce.

Isso se manifesta por meio dos “Poderes Hex”, que causam má sorte aos atingidos e, ao longo do tempo, evoluíram para consequências mais graves e sombrias. Não à toa, há várias menções a hexágonos e a palavra “Hex” é até mesmo usada para determinar onde fica a fictícia cidade de Westview em WandaVision.

Posteriormente, tanto Modred quanto Morgana le Fay se tornam grandes vilões de Wanda — le Fay até mesmo já apareceu na série Runaways, do Hulu. Em Avengers #186, de 1979, vemos a Marvel mexendo no passado zoado da Feiticeira Escarlate justamente para introduzir esses elementos mágicos à personagem — vale lembrar que, quando nasceu, ela era atrelada aos mutantes e seus poderes não tinham nada a ver com feitiçaria. Na trama dessa revista, Modred sequestra Wanda e a leva para uma fonte mágica no Monte Wundagore, onde ela têm laços de origem.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Já no final dos anos 1990, no terceiro volume da revista mensal Avengers, Kurt Busiek e George Perez exploram as energias ctônicas de Wanda em uma trama em que Morgana le Fay manipula a Feiticeira Escarlate e seus poderes de alteração de realidade como uma bateria mágica para recriar todo o Universo Marvel em um distorcido cenário medieval.

Como o Darkhold se conecta com outras histórias da Marvel Comics?

Depois de toda sua longa história ligada às raízes do próprio Universo Marvel, vários autores aproveitaram o rico background desse artefato para “explicar” tramas e personagens. Assim nasceu o já mencionado primeiro vampiro, Varnae, e a licantropia da Casa das Ideias. Aliás, a estreia do Cavaleiro da Lua foi em Werewolf by Night #32, de 1975, quando Marc Spector tenta capturar um lobisomem moderno chamado Jack Russell.

Outro personagem bastante afetado pelo Darkhold é Blade, que estreou em Tomb of Dracula #10, de 1975 — vale destacar que nos anos 1960 e 1970 as histórias de terror voltaram a fazer sucesso, com o enfraquecimento do famigerado Código dos Quadrinhos, um selo de censura estadunidense já extinto. Nos anos 1990, Blade chegou a fazer parte de uma equipe chamada Darkhold Redenters, que tentava varrer a magia proveniente do livro proibido da face da Terra.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

O Darkhold chegou a ter um título próprio e vários outros vilões da Marvel buscaram seu poder ao longo dos anos, em especial o diabão Mephisto. O livro esteve atrelado às histórias dos filhos da Meia-Noite e até mesmo Carnificina, sádico inimigo do Homem-Aranha, tentou acessar suas energias; e o Barão Zemo também acessou o Darkhold para aumentar os poderes de seus aliados na recente saga Império Secreto, publicada entre abril e agosto de 2017.

A participação mais interessante do Darkhold no Universo Marvel envolve o Doutor Destino e a Feiticeira Escarlate, no arco A Cruzada das Crianças, publicada originalmente na revista Avengers em meados de 2010. Nessa história ficamos sabendo que várias das ações insanas de Wanda, desde a criação de seus filhos, passando pela traição contra os Vingadores no arco A Queda, até a alteração de toda a realidade em Dinastia M, foram obras de manipulação do vilão.

Destino sempre está de olhos nas fontes primordiais de poder do Universo Marvel e as energias ctônicas e do Darkhold sempre chamaram sua atenção — quem conhece o vilão sabe que ele também tem muitas conexões com magia. Então, o que ele queria era aproximar Wanda de si para casar com ela e se apoderar de seus poderes de alteração de realidade. Doom não conseguiu o que queria, mas a editora já deu pistas de que isso possa ser explorado ainda este ano nos quadrinhos.

Publicação sobre Darkhold anunciada pela Marvel em 2020 subiu do cronograma
(Imagem: Divulgação/Marvel Comics)

Para completar, um novo título especialmente dedicado ao Darkhold chegou a ser anunciado no início de 2020, talvez já para acompanhar o público quando WandaVision estreasse. Mas nada mais foi dito após a paralisação da indústria, meses depois, com a disseminação da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2).

O Darkhold no MCU

Dito tudo isso, várias dicas indicam que a Marvel Studios vem construindo elementos para explicar os poderes ctônicos do caos e as energias sombrias da feitiçaria do Darkhold. Vale lembrar que o livro já foi citado em Agentes da SHIELD e, embora a série da NBC não tivesse assim conexões diretas com o MCU, fazem parte do cânone da Casa das Ideias na TV. E, como dito anteriormente, o artefato também deu as caras em Runaways no Hulu.

Em Agentes da SHIELD, Morgana le Fay aparece interpretada por Elizabeth Hurley e o Darhold em nada se parecia com o livro que aparece em WandaVision — mas tudo bem, afinal estamos falando de magia. Uma coisa que chama a atenção é que, na série anterior o artefato é associado à dimensão sombria de Dormammu, inimigo do Doutor Estranho.

O Darkhold apresentado na série Agentes da SHIELD (Imagem: Reprodução/NBC)

Se pararmos para analisar o padrão de cores da energia vinda do Darkhold e da própria Agatha Harkness em WandaVision, dá para fazer uma conexão com o Dormammu visto em Doutor Estranho. Como sabemos que Wanda terá um importante papel em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, tudo isso faz bastante sentido.

Mas ficam ainda algumas questões: onde Mephisto e Pesadelo, que também seriam antagonistas, entram nessa história? O Nexus das Realidades será expandido após WandaVision? E a Espada de Ébano, do Cavaleiro Negro, que será apresentado em Os Eternos, terá conexão com todos esses elementos mágicos?

Vamos ver o que WandaVision responderá em seus capítulos finais.

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