Entenda como funciona o novo Universo DC após mais um reboot

Por Claudio Yuge | 17 de Janeiro de 2021 às 11h00
DC Comics

Esqueça tudo o que você sabia sobre o Universo DC, ou melhor, o Multiverso DC. A editora cumpriu o que havia prometido com a saga Dark Nights: Death Metal e, após a sua conclusão, vive agora dois meses da fase Future State antes de chegar ao novo reboot. Infinite Frontier deve ser o início de revisões anuais constantes no que os autores estão chamando de Omniverso DC.

Bem, em Dark Nights: Death Metal, a DC Comics usou basicamente “tudo o que tinha” em todas suas Terras paralelas em uma megassaga que virou todos os principais heróis e vilões — e suas dezenas de versões — do avesso. Em Future State, a ideia é trazer frescor à linha, com mais diversidade e juventude aos principais ícones da editora, que serão substituídos momentaneamente por novos Batman, Superman, Mulher-Maravilha, Flash, Lanterna Verde, Aquaman, e por aí vai.

Atenção: a partir de agora o texto contém spoilers sobre Dark Nights: Death Metal, então, prossiga por sua conta e risco!

Antes de prosseguir, vale lembrar que, diferente do que se pensava, os eventos de Death Metal não reescreveram a história do Multiverso DC. Todos que participaram se lembram do ocorrido, mas, aparentemente, o status quo de grande parte dos personagens que morreram pouco antes ou durante a saga, a exemplo de Alfred e o restante da Batfamília, voltou ao estado em que se encontrava no período pós-Renascimento.

Imagem: Reprodução/DC Comics

Esse retcon é mais um indício de que veremos soft reboots recorrentes a partir de Infinite Frontier, que deve ser mesmo a verdadeira reinicialização do Multiverso — ou Omniverso — DC, a partir de março. Então vamos às principais mudanças:

1. O Multiverso DC é agora Omniverso DC

Imagem: Reprodução/DC Comics

Durante Death Metal, todas as 52 Terras paralelas conhecidas do Multiverso DC foram destruídas. Na conclusão, todas também foram restauradas, mas, em alguns casos, elas aparecem em novas versões — a exemplo da Terra-3, que terá uma diferente formação do Sindicato do Crime. Além disso, o número de Terras será maior, quebrando aí uma tradição canônica envolvendo o número 52.

E não é só isso: a partir de agora existirão vários Multiversos. Ou seja, teremos várias Terras-0 em diferentes Multiversos, abrindo margem para algo como Terra-0 do Multiverso-A (Terra-0A) e coisas do tipo. Isso não foi completamente estabelecido, mas a ideia é trabalhar com diferentes realidades com o mesmo peso, sem que elas estejam necessariamente conectadas no mesmo plano de existência.

2. Terra-0 não é mais a Terra principal do Multiverso

Imagem: Reprodução/DC Comics

Ao longo dos anos, sempre tivemos na DC uma “Terra principal” (ou Terra-Prime), onde acontecem os eventos da continuidade. A ideia é que não haja mais isso, nem mesmo um “Multiverso-Prime". O que se sabe por enquanto é que, em vez de “Prime”, teremos a designação Alpha, com uma contraposição ao mundo Ômega — este seria, de alguma forma, ligado a Darkseid, que, como todos sabem, possui os raios Ômega.

Além disso, já vimos citações a Elseworld, que faz uma referência direta à antiga série Elseworlds, em que a DC explorava versões de seus personagens em Terras alternativas, a exemplo de Reino do Amanhã e O Prego. Ainda não se sabe exatamente como isso deva funcionar na prática, mas, aparentemente, a editora quer manter “universos portáteis” com histórias que se conectam em uma diferente continuidade.

A esperança da companhia é que isso facilite a entrada de novos leitores, em mundos mais compactos e simples de compreender; e o trabalho dos autores, que não precisarão lidar com todo o cânone no cantinho em que estarão contando suas histórias.

3. Uma nova e poderosíssima superequipe

Imagem: Reprodução/DC Comics

Todas essas mudanças são explicadas a Wally West (que se tornou onipotente com os poderes do Doutor Manhattan durante Death Metal) pelos membros da Totalidade, uma superequipe formada por super-heróis e supervilões com o objetivo de formar “um escudo para proteger o mundo de ameaças futuras, sob os cuidados das maiores mentes”.

Esse grupo fica no lado escuro da Lua e seria uma combinação da Sala da Justiça com a Sala da Injustiça, com a participação de Moça-Gavião, Senhor Incrível, Caçador de Marte, Talia Al Ghul, Vandal Savage e Lex Luthor. Ainda não dá para saber exatamente se esse time manterá sua formação e como irá operar, mas deverá ter importantes participações no Omniverso DC.

4. O mapa do Multiverso de Grant Morrison está de volta

Imagem: Reprodução/DC Comics

Em 2014, Grant Morrison se dedicou a organizar todo o Multiverso DC em um complexo mapa, mostrado nas tramas de Multiversidade, histórias que mostravam uma equipe capitaneada pelo Presidente Superman, da Terra-23. Como este personagem aparece na capa promocional de Infinite Frontier, é certo que a Sala de Heróis, grupo que monitora anomalias nas Terras paralelas, também retornará.

O Multiverso Sombrio, que basicamente espelha todo o Multiverso com versões malignas dos superseres da DC e foi destaque nos eventos Metal e Death Metal, também está presente.

5. Todos os mortos podem ressuscitar

Imagem: Reprodução/DC Comics

A morte nos quadrinhos de super-heróis nunca mais foi a mesma desde que Superman retornou de seu fatídico abate em meados de 1990. Desde então, tem se tornado cada vez mais comum o retorno de personagens falecidos. A Marvel Comics até mesmo já vem tornando isso parte de seu universo, especialmente com Immortal Hulk e os X-Men de Jonathan Hickman.

A DC Comics parece também avisar aos leitores que as mortes continuarão acontecendo, como ferramenta dramática para suas histórias, mas que os personagens, eventualmente, retornarão. Ao final de Death Metal, muitos dos que perderam suas vidas durante o combate retornaram. E a própria trama avisou: “não apenas aqueles que caíram em batalha, mas pessoas que morreram antes dos eventos recentes [retornaram]...”.

6. Tudo é continuidade a partir de agora

Imagem: Reprodução/DC Comics

O cânone da DC Comics deve ser algo mais dinâmico e menos “engessado” depois de Infinite Frontier. Como a própria DC Comics já adiantou, após Death Metal, tudo passa valer como parte da continuidade. Após o desfecho da batalha entre Mulher-Maravilha e o Cavaleiro Mais Sombrio, Barry Allen explica a Wally West que “a linha do tempo foi desfeita de uma vez por todas e nossas memórias voltaram”.

Moça-Gavião diz a Wally que o Hypertime, um conceito da DC Comics parecido com o Multiverso, mas relacionado às infinitas linhas temporais, está “se curando” e os personagens provavelmente vivenciarão flashes de eventos em diferentes eras e realidades. Isso indica que a editora vai deixar de tentar manter uma continuidade coesa e vai usar o que for necessário de suas histórias passadas para determinadas narrativas. Ou seja, tudo está valendo e tudo aconteceu.

É claro que surgem dezenas de perguntas: como isso realmente funcionará? Como Batman, Superman, Flash e vários outros personagens lidarão com suas versões anteriores, da Era de Ouro e de Prata dos quadrinhos, por exemplo? Todos se tornarão uma espécie de Gavião Negro, um conglomerado de vidas passadas?

E são justamente essas as questões mais intrigantes do Omniverso DC. Continuamos acompanhando e contamos para vocês conforme as tramas forem se desenrolando nos próximos meses.

*Com informações de GamesRadar.

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