Como Homem de Ferro, Capitão América e Thor reconstruíram a Trindade da Marvel?

Como Homem de Ferro, Capitão América e Thor reconstruíram a Trindade da Marvel?

Por Claudio Yuge | 21 de Fevereiro de 2021 às 11h00
Marvel

Os dois últimos filmes dos Vingadores da Marvel Studios carregam uma interessante dinâmica, que a Marvel Comics tem explorado com sucesso nas duas últimas décadas. Em Vingadores: Guerra Infinita, o grupo se vê com sua “Trindade”, formada por Homem de Ferro, Capitão América e Thor, separada. O resultado é uma derrota devastadora nas mãos de Thanos. Já em Vingadores: Ultimato, quando o trio está reunido, o grupo vence uma ameaça que poderia destruir todo o universo.

Isso aconteceu outras vezes no passado, contudo, tem sido mais frequente desde o início dos anos 2000. Qual é a melhor forma de mostrar o quão importante é algo? Mostrando o que ocorre com sua ausência. E é isso o que a Marvel tem feito desde então, em uma espécie de soft reboot, que vem dando certo não somente com os Vingadores, mas com todos seus personagens — veja bem, o próximo grande evento da editora, um repeteco de Heroes Reborn (ou Heróis Renascem, que evoca a saga noventista de mesmo nome), vai nos mostrar como seria o mundo sem os Vingadores.

Imagem: Reprodução/Marvel Studios

Mas como a Marvel finalmente notou que essa dinâmica é tão importante para suas publicações? Qual foi a história que reuniu a Trindade como um pilar para os Vingadores e para a própria editora? E por que não nos cansamos de ler essa “mesma história”? O Canaltech explica para você logo abaixo.

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O arquiteto responsável pelo “orçamento”

A virada dos anos 1990 para 2000 era um período difícil para a Marvel Comics, que tentava se recuperar da falência decretada poucos anos antes — a mesma que resultou na venda dos direitos de diversas propriedades para estúdios de Hollywood, a exemplo de Homem-Aranha, X-Men e outros. Para piorar, os Vingadores, outrora carro-chefe da editora, vinha sofrendo com fases ruins, tanto nos títulos individuais de seus principais integrantes, quanto em sua revista mensal própria.

O tempo era de renovação, e Joe Quesada, desenhista habilidoso que começou na Valiant Comics e ajudou a criar o personagem Azrael na DC Comics, tinha mostrado seu talento na revista do Demolidor e, no final dos anos 1990, ficou responsável por um novo selo para os “heróis de rua” que sempre foram queridos mas nunca tiveram consistência ao longo dos anos. Assim nascia o cantinho chamado de Marvel Knights, com heróis como Demolidor, Homem-Aranha, Justiceiro, Viúva Negra, Shang-Chi, Manto e Adaga, Motoqueiro Fantasma, Cavaleiro da Lua, Doutor Estranho, Pantera Negra, entre outros.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Essa frente rendeu bons frutos e Quesada foi alçado a editor-chefe em 2000, quando Bob Harras deixou o cargo no projeto de reformulação da Marvel no período pós-falência. Foi quando Quesada recrutou dois jovens talentos, Brian Michael Bendis e Mark Millar, para ajudar na reconstrução do Universo Marvel. E vamos falar em especial sobre Bendis, um cara que sempre teve muito talento em criar diálogos rápidos, divertidos e sempre atualizados com a cultura pop. Isso ele fazia com maestria em Powers, publicado pela Image Comics.

Pois bem, Quesada deu a Bendis uma tarefa difícil: recuperar a marca Vingadores, que há muito andava decepcionando os leitores. Foi aí que Bendis começou o processo que se tornou a dinâmica citada lá no começo do texto. Primeiramente, ele estabeleceu a formação que iria explorar, enquanto, em outras revistas, fortalecia alguns personagens secundários, a exemplo de Luke Cage. Vale destacar que, diferente da Liga da Justiça, os Vingadores nunca dependeram tanto de sua Trindade, apresentando equipes muito distintas ao longo das décadas — e nem sempre com o Capitão América, Thor e Homem de Ferro juntos.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Em 2004, Bendis, então, destruiu o grupo, no arco chamado de Vingadores: A Queda. Resumidamente, a equipe foi demolida por dentro por uma Feiticeira Escarlate enlouquecida e manipulada, em uma trama que tem laços com Dinastia M e até mesmo inspirou o que temos visto recentemente na série WandaVision. O resultado da história foi devastador para a Trindade.

Vingadores desunidos

Thor terminou seu ciclo de Ragnarok de uma vez por todas, morrendo permanentemente com seus companheiros asgardianos. Assim, restou ao Homem de Ferro e ao Capitão América a tarefa de reunir os Novos Vingadores. Essa foi também uma boa jogada de Bendis, que trouxe para a equipe heróis como Homem-Aranha, Wolverine, Luke Cage e Doutor Estranho, entre outros que andavam esquecidos, já fizeram parte do grupo ou costumavam ter seu próprio protagonismo em seus próprios cantinhos da editora.

Só que a relação de Steve Rogers e Tony Stark, que nunca foi assim de melhores amigos, ficou ainda mais abalada durante a saga Guerra Civil, que chegou à editora em 2006. Assim como vimos na adaptação, Rogers e Stark discordaram sobre uma nova lei de registro estadunidense. E a situação piorou muito quando o Homem de Ferro usou o DNA de Thor para cloná-lo em forma de um robô muito semelhante ao Deus do Trovão. A máquina entrou no conflito e matou o herói conhecido como Bill Foster, o Gigante (que chegou a aparecer no filme Homem-Formiga e a Vespa).

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Essa foi a gota d’água para para Steve Rogers, que avançou com tudo sobre Stark em Guerra Civil. Contudo, isso resultou na morte do Capitão América, que, claro, voltou alguns anos depois. Durante esse tempo, Thor e os outros deuses asgardianos começaram o processo de retorno em uma Asgard que ficava na Terra, suspensa sobre uma pequena cidade do Oklahoma. O estado frágil dos Vingadores e de seus principais heróis abriu uma oportunidade para os vilões, liderados por Norman Osborn.

E, assim, em 2009, começava a saga O Cerco, em que Osborn aproveitou o descontentamento público com os Vingadores em Guerra Civil para se tornar uma importante peça do governo. Assim, ele criou seus Vingadores Sombrios, em uma trama que teve a participação de outros vilões, a exemplo de Doutor Destino, Loki, Treinador, entre outros.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

No final, o mundo vê a ascensão dos Vingadores Sombrios e a queda de Thor e Steve Rogers retorna para reconstruir os legítimos Vingadores. Ele deixa as diferenças com Stark de lado e recupera o Deus do Trovão, para então reunir o time e vencer a batalha.

A Trindade reconstruída em Vingadores: Prime

Como a ideia de separar e reunir a Trindade se tornou um sucesso, a Marvel decidiu mergulhar de vez na concretização do Homem de Ferro, Capitão América e Thor como seu grande pilar para os Vingadores. E isso aconteceu em Vingadores: Prime, uma série limitada em cinco edições lançada em abril de 2011, como parte da chamada Era Heróica da Marvel Comics. A trama tinha como maior objetivo reunir os heróis e explorar o relacionamento entre os três.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Tudo começa quando Thor descobre um portal extradimensional danificado, que dá acesso aos Nove Reinos. Durante a descoberta do problema, fica bem evidente a tensão entre os três: Odinson ainda não se conformava com o fato de Stark ter criado um clone seu; e Rogers, bem, ainda tinha assuntos inacabados com o Homem de Ferro desde o final de Guerra Civil. Em meio a isso tudo, cada um vai parar em um local diferente.

O Homem de Ferro se vê em um vasto campo sem poder na armadura e é capturado por ogros. Capitão América aparece em uma floresta e é confrontado por um grupo de elfos sombrios. E Thor acaba caindo no desolado reino de Vanaheim, onde entra em combate com Encantor e seu exército mágico, sob o comando de Hela. Com poucos recursos, os três precisam provar que não são os poderes que os tornam heróis; e que, juntos, eles são melhores.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

A deusa dos mortos asgardianos explica que, ao levar Asgard para a Terra, Thor interrompeu a conexão entre os Nove Reinos. E essa quebra deu a Hela a oportunidade de remodelar todos os cantos à sua imagem. Enquanto isso, Rogers, que se apaixona por uma elfa, consegue ajuda para resgatar Stark, capturado por Fafnir, o Dragão. Juntos, eles conseguem chegar a Odinson, inconsciente e sem seu martelo, roubado por Hela.

No final, o trio consegue ajuda de várias criaturas místicas e, enquanto Capitão América e Homem de Ferro lutam contra o exécito de morto-vivos, Thor se recompõe. Com a ajuda de Encantor, que trai Hela, Odinson derruba a vilã e usa a Espada do Crepúsculo para reparar os Nove Reinos. Após o retorno para a Terra, o trio percebe que vaidades pessoais e problemas passados não podem mais interferir no importante papel que tem para liderar os Vingadores.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

E, assim, no encerramento de Vingadores: Prime, vemos a Trindade reconstruída, com os heróis se abraçando e deixando as mágoas para trás.

Vingadores unidos

Desde Vingadores: Prime, a Trindade tem se mantido unida. A dinâmica de separar o trio e reuni-lo tem acontecido, assim como vimos nos filmes, mas a diferença é que Capitão América, Thor e Homem de Ferro não tem mais se separado exatamente por suas diferenças. Pelo contrário, atualmente é até divertido ver eles mesmo aceitando suas limitações e “brigando” por serem tão diferentes.

Imagem: Reprodução/Marvel Comics

Veja bem, estamos falando de um soldado dos anos 1940, um homem tradicional e com ideais de justiça e liberdade que norteiam o mundo até os dias atuais; um inventor futurista que não se conforma em ficar “parado” por muito tempo; e um deus beberrão e vaidoso que, com o tempo, aprendeu a ser humilde e a respeitar o coração dos “mortais”.

Então, atualmente, quando a Trindade se separa normalmente é por obra do acaso, por força dos próprios vilões ou até por escolha própria, para que cada um fique responsável por uma equipe diferente de Vingadores. E, quando os três estão juntos novamente, eles se tornam imbatíveis. E essa dinâmica deve durar muitas aventuras nos anos que virão.

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