TikTok e Oracle | 5 questões para entender o negócio

Por Stephanie Kohn | 14 de Setembro de 2020 às 16h28
Kon Karampelas/Unsplash
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A novela TikTok no ocidente parece está chegando à sua reta final. A ByteDance tem até 20 de setembro para decidir o que fazer com o app chinês, senão perde espaço em solo norte-americano.

A Microsoft, que até então parecia a favorita a abocanhar o aplicativo que já foi baixado mais de 1,5 bilhão de vezes, perdeu a vez. Neste final de semana, a empresa de Bill Gates divulgou um comunicado informando que sua proposta não foi aceita. Agora, a Oracle é a primeira da fila e pode conseguir manter o app ativo nos Estados Unidos, mas, pasmem, sem adquirir o serviço.

Depois de insistir que as operações do TikTok nos EUA sejam vendidas por questões de segurança nacional, a administração Trump parece estar receptiva a um acordo diluído em que a Oracle se tornaria a parceira de tecnologia do aplicativo de vídeo.

A Oracle é uma gigante norte-americana, cujo presidente é o extravagante Larry Ellison — com pontas inclusive em filmes da Marvel. Ellison é um dos maiores apoiadores do governo de Donald Trump entre os empresários de tecnologia, com direito a campanhas de arrecadação de fundos para o candidato à reeleição nas eleições presidenciais do país.

A empresa é mais conhecida por suas soluções corporativas para bancos de dados e ERP, mas também oferece servidores, processadores (SPARC), aplicativos empresariais, sistemas operacionais e linguagens de programação, caso do Java. A companhia não tem experiência em operar negócios focados no consumidor final, já que é essencialmente uma empresa de soluções B2B, e também não tem histórico de rodar um negócio de publicidade - principal linha de monetização do TikTok.

No entanto, segundo Léo Xavier, professor do Insper e fundador da Môre, empresa de Product & Service Design, a Oracle tem um relevante negócio de data-brokerage - compilação e venda de informação de consumidores na internet a outra organizações - e o acesso aos dados de 100 milhões de usuários do TikTok adiciona enorme valor à sua oferta.

"O deal é, por ora, uma parceria tecnológica e não propriamente uma venda. Significa que estará com a Oracle a gestão de infra e dados, e logo, todo tema de segurança incensado pela administração Trump", comentou o professor.

Relembrando

O mercado está perplexo com a reviravolta do caso e cheio de perguntas. Mas, antes de responder algumas delas, vamos recapitular. Desde que Donald Trump ameaçou banir o app chinês do mercado americano, a ByteDance, detentora do aplicativo, colocou sua operação nos Estados Unidos à venda para garantir sua permanência no país. Isso, claro, gerou interesse de gigantes de tecnologia, como as duas citadas e o Walmart.

Na teoria, o presidente dos EUA não tem o poder de banir apps, mas ele teria dois caminhos para isso: impedir acesso a servidores do país, atrapalhando a experiência dos TikTokers, ou, forçar Apple e Google a retirarem o aplicativo de suas lojas. Ou seja: na prática, ele pode sim banir o serviço chinês e, portanto, a união com alguma empresa estadunidense é a única saída para o TikTok - ainda que seja por meio de uma parceria tecnológica e não uma venda.

Questões

Como funcionaria a união? A empresa controladora da TikTok, ByteDance, aparentemente manteria o controle dos algoritmos do aplicativo e do código de computador subjacente. A Microsoft, cuja oferta de aquisição foi rejeitada, disse que teria assumido o algoritmo e deixado o governo dos Estados Unidos revisar quaisquer alterações, uma abordagem favorecida pelo Pentágono e pela Agência de Segurança Nacional.

No entanto, como observa o colunista do New York Times, Andrew Sorkin, a oferta da Oracle se assemelha à proposta original da Microsoft de atuar como parceira de tecnologia e proprietária minoritária - algo que o presidente Trump rejeitou, dizendo que o braço americano da TikTok tinha que ser vendido por completo.

O professor adiciona: "Trump declarou que uma significante porção do valor do negócio deveria ir para o Tesouro dos EUA, um tipo de "pay-to-play". A Oracle foi a única que não de manifestou sobre isso."

A China apoiará um acordo? As regras que Pequim introduziu no mês passado tornaram os negócios da TikTok nos Estados Unidos um ativo menos atraente - "o carro pode ser vendido, mas não o motor", relatou a mídia estatal chinesa South China Morning Post, citando uma fonte próxima ao assunto. Isso significa que o algoritmo não seria de propriedade de nenhuma empresa americana.

"Esse movimento foi o que mudou fundamentalmente o deal: deixou de ser uma venda das operações nos EUA para se tornar um acordo sobre infra e tecnologia", comentou Léo.

O que vai rolar com a Microsoft? Embora sua oferta pela TikTok tenha sido oportunista, a gigante da tecnologia demonstrou abertura em fazer um grande negócio voltado ao consumidor. Então, será que ela consideraria fechar uma nova aquisição? Dentro os negócios com valores semelhantes ao TikTok estão Pinterest, Spotify e Twitter.

O que vai rolar com o Walmart? Será que o ex-parceiro da Microsoft na oferta do TikTok se uniria a ela em um negócio diferente? Talvez não, já que o Walmart disse que ainda está interessado no app chinês - sua opção na guerra contra a rival Amazon. Sendo assim, isso pode significar que a varejista americana está aberta a parcerias com a Oracle, dependendo de como as coisas acontecerem.

Um acordo com a TikTok encerrará a guerra fria em tecnologia entre os EUA e China? Para o New York Times isso é improvável. E Léo compartilha da opinião, já que acredita que o TikTok é apenas um capítulo nessa guerra. "Verdade que é um capítulo populamente interessante, na medida em que se trata de um app na mão de quase todos adolescentes estadunidenses, tornando paupável e simples compreender efeitos dessa disputa", finalizou.

Fonte: New York Times

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