Fortnite gerou mais de US$ 100 milhões de comissão para a Apple em 2 anos

Fortnite gerou mais de US$ 100 milhões de comissão para a Apple em 2 anos

Por Igor Almenara | Editado por Douglas Ciriaco | 20 de Maio de 2021 às 14h45
Divulgação/Epic Games

Mais um capítulo da disputa judicial entre a Epic Games e a Apple se desenrolou hoje (19). Na mais recente descoberta, o chefe de desenvolvimento de negócios de jogos da App Store, Michael Schmid, afirmou que a Apple gerou mais de US$ 100 milhões a partir da comissão de 30% sobre Fortnite, Battle Royale da Epic, enquanto o jogo ainda era distribuído na loja.

Os quase 30 meses de distribuição através da App Store pode, inclusive, ter garantido valores ainda maiores, de acordo com informações do site Sensor Tower. A comunidade do jogo teria investido cerca de US$ 1,2 bilhões em compras dentro do app, quando ainda estava disponível para iGadgets. Através do cálculo simples e se baseando no valor padrão da taxa Apple (30%), tamanha bolada teria gerado aproximadamente US$ 360 milhões para a fabricante.

Questionado se a receita obtida das vendas dentro do game tinha ultrapassado a casa dos US$ 200 milhões, o executivo se negou a responder justificando que seria “inapropriado” compartilhar tal informação. Somente em 2020, o Sensor Tower estima que a Apple fez mais de US$ 22 bilhões a partir da comissão da App Store.

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Em retorno para a Epic Games, a Maçã redirecionou US$ 1 milhão para campanhas de marketing de Fortnite — que duraram cerca de 11 meses. Ao apresentar os dados, a advogada que representa a desenvolvedora disse que a troca de US$ 100 milhões por US$ 1 milhão em marketing foi um “bom negócio”.

Para brigar com a Gigante de Cupertino, a Epic Games aparentemente quer mostrar para o tribunal que a loja de aplicativos da fabricante é uma máquina de fazer dinheiro. A fabricante também é acusada de monopólio ao centralizar a disponibilidade de aplicativos na própria loja, sendo uma “implacável valentona” sob a ótica do Spotify e, em outros casos, uma aliada em parcerias estratégicas, como com a Netflix.

Um bilhão é pouco

Mais cedo este mês, documentos revelaram que a própria Apple refletia sobre lucros tão exorbitantes já em 2011. O atual vice-presidente de marketing Phill Schiller questionou colegas sobre a necessidade de cobrar tanto sobre vendas feitas pela App Store — na época, comandada pelo CEO Steve Jobs. “Acreditamos que a divisão de 70/30 durará para sempre?”, refletiu em um e-mail.

A sugestão de Schiller era de fazer a Apple sair por cima ao reduzir o valor, antes que problemas sérios (como brigas judiciais, por exemplo) estourassem por causa da comissão de 30%. Uma das ideias do executivo era reduzir a taxa sobre venda para 25% ou 20%, se essa porcentagem ainda garantisse US$ 1 bilhão de lucro para o bolso da Maçã.

A discussão, no entanto, parece não ter ido adiante — pelo menos, não da forma que Schiller havia pensado. Atualmente, a Apple tem diferentes taxas para desenvolvedores na App Store. Este ano, companhias que fazem menos de US$ 1 milhão (ao ano) com aplicativos passaram a contribuir apenas com 15%, mas os 30% foram mantidos para as maiores empresas.

Tentar contornar a taxa e adicionar meios de compra dentro de aplicativos implica na remoção quase imediata do app da loja. Quando fez isso, a Epic não durou muito tempo dentro da App Store e teve suas permissões de desenvolvedor revogadas assim que adicionou um desconto “por fora” da App Store. No processo, Fortnite também foi removido da loja de apps.

Fonte: Bloomberg, 9to5Mac

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