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Vulcão de Santorini teve erupção 15 vezes maior que a de Tonga

Por| Editado por Luciana Zaramela | 29 de Janeiro de 2024 às 12h37

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dronepicr/CC-BY-2.0
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Cientistas encontraram, no leito oceânico da ilha grega de Santorini, restos de uma das maiores erupções vulcânicas da história europeia, cerca de 15 vezes mais violenta que a do vulcão Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, em 2022. As evidências mostram uma camada de pedra-pomes e cinzas vulcânicas de 150 metros de espessura — ganhando de longe da erupção de Tonga

Tim Druitt, professor de vulcanologia da Universidade de Clermont Auvergne, na França, e autor principal do estudo que analisou a antiga erupção subaquática, contou ao site Live Science que a ciência já conhecia diversas erupções grandes e explosivas vindas do vulcão de Santorini, mas que as evidências indicam algum muito maior. O evento de 520.000 anos atrás foi cataclísmico, algo que os pesquisadores não pensavam ser possível existir.

O apocalipse do vulcão de Santorini

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Com análises em terra, muito já se revelou sobre o Arco Helênico, uma série de ilhas vulcânicas que vai da Grécia à Turquia desenhando uma linha curva por onde a placa tectônica da África mergulha sob a europeia. Já se sabia que Santorini emergiu do mar há 400.000 anos a partir de erupções sucessivas, empilhando detritos no fundo do mar até formar a ilha.

O arquipélago da região se formou no final da Era do Bronze, entre 1.600 e 1.200 a.C., quando o que se chama de Erupção Minoica explodiu o topo da ilha. Atualmente, uma câmara de magma sob as ilhas Kameni — no centro da caldeira de Santorini — ainda alimenta o vulcão. O que se pode descobrir dessa maneira, no entanto, é limitado, já que as chuvas e o vento levam para longe algumas evidências geológicas.

O mar é mais calmo, segundo Druitt, então sua equipe perfurou sedimentos marinhos na ilha entre 2022 e 2023 e recuperaram amostras a 900 metros de profundidade, em 12 sítios submarinos diferentes. Além de camadas vulcânicas das erupções já conhecidas, foram reveladas evidências do evento de meio milhão de anos, provavelmente uma das duas maiores erupções que o Arco Helênico já viu.

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Na erupção em questão, foram expulsos 90 km³ de rochas vulcânicas e cinzas — a erupção do Hunga Tonga-Hunga Ha’apai, para modos de comparação, produziu “apenas” 6 km³ de dejetos. Isso é comparável, e até mesmo ultrapassa, as lendárias erupções do vulcão Krakatoa, na Indonésia. Aliás, o vulcão gerou as ondas atmosféricas mais fortes já vistas, além do primeiro mega tsunami desde a antiguidade.

Segundo os cientistas, uma erupção como essa não deverá acontecer novamente por centenas de milhares de anos. O vulcão de Santorini cuspiu lava pela última vez em 1950, sem oferecer perigos significativos. Pequenas erupções e explosões podem acontecer por algumas décadas ou séculos, no entanto, alimentadas pela câmara magmática local. Por enquanto, os pesquisadores estão contentes em poder estudar em detalhes uma versão muito, muito mais do que a da erupção de Tonga.

Fonte: Nature Communications Earth & Environment com informações de Live Science