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O paradoxo da crise climática na maior floresta do mundo

Por| Editado por Luciana Zaramela | 06 de Novembro de 2023 às 18h42

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Jamo Images/Unsplash
Jamo Images/Unsplash

A crise climática afeta o planeta e os ecossistemas de muitas formas. Entre os exemplos mais paradoxais, está a taiga, também conhecida como floresta boreal, que cobre grandes porções do Alasca (EUA), Canadá, Escandinávia e Sibéria. De forma surpreendente, o aumento das temperaturas globais tem provocado simultaneamente o crescimento e o encolhimento da maior área florestal da Terra.

Para dar um veredicto sobre o encolhimento (ou não) da maior floresta do mundo, pesquisadores de diferentes institutos de pesquisa, em artigo para a plataforma The Conversation, pedem mais atenção para o problema e estudos mais abrangentes sobre os riscos associados à região com as mudanças climáticas. Se ela realmente estiver encolhendo, isso coloca em risco o equilíbrio climático em todo o planeta, devido à liberação de carbono para a atmosfera.

Qual é a maior floresta do mundo?

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Aqui, vale esclarecer que a Amazônia é a “apenas” a maior floresta tropical do mundo, caso tenha achado estranha a informação sobre a dimensão da floresta boreal — ou das florestas boreais —, que está localizada logo abaixo do bioma tundra e acima das florestas temperadas.

Para ser preciso, a taiga é tão grande que cobre 17% da superfície terrestre do planeta, espalhada por diferentes continentes no Hemisfério Norte, segundo a Encyclopædia Britannica. Em comum, ambas correm riscos com a crise climática, mas os impactos e os efeitos são significativamente diferentes.

Por dentro da floresta boreal

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A floresta boreal é um bioma basicamente composta por coníferas, ou seja, árvores majoritariamente com formato de cone e folhas finas em forma de agulhas, como abetos, ciprestes, espruces, larícios e pinheiros. Também estão presentes algumas espécies com folhas mais largas, como bétulas e choupos. Por ali, vivem milhões de aves migratórias e mamíferos, incluindo alces, linces e ursos.

A crise climática na floresta boreal

Por se estender por planícies tão vastas no Hemisfério Norte, a floresta boreal tem a função de sequestrar uma imensa quantidade de dióxido de carbono da atmosfera, usado no desenvolvimento de suas raízes, caules e folhas. De outra forma, todo o gás carbônico contribuiria para intensificar o efeito estufa e a crise climática — essa liberação só ocorre hoje quando as árvores morrem.

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A questão é que a parte mais ao sul da floresta boreal já sofre com o aumento das temperaturas e da destruição provocada pela intensificação da ação humana (desmatamento e exploração de madeira). Isso implica em perdas de áreas florestais, e em uma maior liberação de gás carbônico para a atmosfera.

Inclusive, por causa do aquecimento das temperaturas médias, da seca e do estresse hídrico, as árvores que compõem a floresta boreal na parte sul estão mais suscetíveis à infestação de insetos e também aos incêndios, como aconteceu no Canadá este ano e na Sibéria em 2019 e 2020.

Só que ao norte, conforme as temperaturas esquentam dentro das áreas de tundra, a possibilidade de novas coníferas nascerem e a floresta se expandir geograficamente aumenta. Nesse campo, há a ideia de uma compensação e equilíbrio entre perdas e ganhos, o que é difícil de afirmar categoricamente com os atuais dados. Dados indicam que a velocidade de crescimento dessas florestas é bem menor que a de desmatamento.

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Mais estudos são necessários

“Se as florestas boreais se expandirem para norte e recuarem no sul no mesmo ritmo, poderão acompanhar lentamente o aumento das temperaturas. No entanto, a nossa investigação combinada, utilizando dados de satélite e de campo, mostra que a história é mais complexa”, afirmam os pesquisadores. O entendimento no grupo é de que há uma tendência de encolhimento, o que é preocupante para o planeta, mas estudos aprofundados ainda são necessários.

Fonte: The Conversation e Encyclopædia Britannica