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Bombas de sucção entram em ação em Porto Alegre; saiba como funcionam

Por| Editado por Luciana Zaramela | 20 de Maio de 2024 às 15h59

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Divulgação/Sabesp
Divulgação/Sabesp

As águas das enchentes e alagamentos ainda não baixaram totalmente no Rio Grande do Sul, especialmente na região metropolitana de Porto Alegre. Para acelerar o processo de drenagem das águas das inundações, bombas de sucção, também conhecidas como motobombas, são usadas em diferentes pontos do estado, o que deve melhorar o cenário nos próximos dias.

A maior parte das bombas de sucção em uso foi enviada pela Companhia de Saneamento Básico de São Paulo (Sabesp) e começou a operar no domingo (19). Entre as cidades já beneficiadas pelos equipamentos que ajudam no escoamento, estão Canoas e Porto Alegre. No total, 18 motobombas estarão em operação até o final da semana.

Em Porto Alegre, o nível da água do Guaíba é de 4,29 m nesta segunda-feira (20), segundo relatório do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O valor está de fato diminuindo, ainda mais quando se considera o recorde de 5,3 na primeira semana após as fortes chuvas. Entretanto, ainda está longe dos 3 m, medida que colocará um fim definitivo nas inundações.

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Bombas de sucção em atividade

Após uma intensa operação de logística, as motobombas começam a chegar ao Rio Grande do Sul para auxiliar a drenagem da água em áreas alagadas. Cada uma pesa algo próximo de 10 toneladas, e o transporte pode envolver tanto aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) quanto carretas do Exército Brasileiro.

Como funcionam as motobombas no RS?

As motobombas são capazes de "mover" a água de um lugar para outro, com base na energia elétrica, mecânica e hidráulica. Cada bomba de sucção tem a capacidade de transferir mais de 1.000 l/s de água de um local para outro, o que equivale a encher uma piscina olímpica em 30 minutos.

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Para isso, esses equipamentos contam com um potente motor conectado a várias pás, sendo que estas retiram mecanicamente a água de um lugar alagado, conforme se movem.

Esse montante é enviado para um novo local, através de um tubo que descarrega a água por dezenas ou centenas de metros de distância. No caso de Porto Alegre, a água removida será direcionada para o Guaíba.

Uma das vantagens das bombas é que elas são flutuantes. Isso significa que não precisam ser deslocadas, conforme retiram a água de uma região alagada. Isso facilita o fluxo de trabalho e de drenagem. 

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Falhas em Porto Alegre

No caso do atual alagamento de Porto Alegre, a cidade contava com um sistema de proteção e de drenagem, mas os mecanismos não funcionaram da forma esperada, como explica Tamara Zambiasi, pesquisadora na área de recursos hídricos e doutoranda em Geografia na Universidade de Cambridge. 

"Uma sucessão de falhas nos sistemas de proteção contra inundações na capital permitiu que o centro histórico e 10 bairros fossem diretamente atingidos”, afirma Zambiasi, em artigo para a plataforma The Conversation.

Entre os sistemas de defesa, estavam um conjunto de diques que, em tese, poderia conter até 6 m de água. No entanto, as águas do Guaíba começaram a invadir a cidade quando chegaram na cota dos 4,5 m. Isso ocorreu “devido a brechas entre o muro e as portas, bem como ao mau funcionamento ou ausência dos motores das comportas”, pontua Zambiasi.

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O sistema de drenagem urbana, que ajuda a dar vazão para as águas pluviais (das chuvas) para evitar alagamentos e inundações, também não funcionou adequadamente. “Apenas 8 das 23 estações de bombeamento estão em funcionamento, demonstrando a incapacidade do sistema em lidar eficazmente com o desastre”, detalha a pesquisadora.

Novas tecnologias

"Diante do cenário de eventos climáticos extremos, é urgente a revisão e o aprimoramento das políticas e práticas públicas de gestão no setor de saneamento, visando garantir a eficiência, a sustentabilidade e a qualidade dos serviços prestados à população", reforça Zambiasi. Se isso tivesse sido, os estragos seriam menores.

De forma complementar às bombas de sucção emergenciais, é preciso pensar em cidades mais inteligentes e bem adaptadas para lidar com a possibilidade de eventos climáticos extremos. É o caso da aplicação do conceito de cidades-esponja, já observado em alguns lugares do mundo.

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Entre as medidas possíveis, está a criação de parques que podem ser alagados durante as fortes chuvas e que mantêm a água "confinada", liberando o volume de forma gradual, sem causar inundações e alagamentos. Outras medidas envolvem a recuperação das matas ciliares e o remanejamento das habitações nas cidades, buscando limitar construções próximas aos rios ou lagos, como o Guaíba.

Fonte: IPHSabesp e The Conversation