Bill Gates é o alvo preferido de conspiracionistas da COVID-19, aponta estudo

Por Rafael Arbulu | 17 de Abril de 2020 às 10h17
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Um levantamento interessante feito pelo jornal The New York Times em parceria com a empresa de pesquisa de mídia Zignal Labs revela que Bill Gates, o bilionário cofundador da Microsoft e atual filantropo, tem recebido a maior atenção de conspiracionistas que elaboram teorias amalucadas sobre a origem e o desenvolvimento da COVID-19, a doença que deriva do novo coronavírus (SARS-CoV-2).

Envolver o nome de Gates em conversas sem fundamento desse tipo não é uma ação especificamente nova, mas o avanço da COVID-19 e a constante desmitificação de outros sujeitos para essas teorias acabaram aumentando o volume de menções a mentiras que, por exemplo, dizem que o antigo chefão de Redmond secretamente criou a doença a fim de lucrar com a criação de uma vacina. Outros indicam que Gates é parte de um grupo secreto com intenção de reduzir a população mundial com a disseminação do novo coronavírus.

O rosto de um homem quando pensa nos bilhões a ganhar com uma vacina secretamente desenvolvida por ele #sóquenão (Imagem: Reprodução/Banco AZ)

As “evidências” de tais teorias também variam: a do “lucro com uma vacina” encontra sua base em um discurso dado por Bill Gates em 2015, quando o filantropo afirma que a maior ameaça à humanidade seria uma doença altamente contagiosa e não a guerra nuclear. O vídeo em que ele faz essa afirmação é real e recebeu mais de 25 milhões de visualizações na última semana, com adeptos do movimento antivacina, personalidades da extrema-direita e até membros do QAnon chamando isso de “prova irrefutável” de algum tipo de plano para ganhos pessoais. Com toda certeza isso deve ter ganhado volume com Gates anunciando, em entrevista recente, que sua entidade filantrópica — a Fundação Bill e Melinda Gates — deve financiar até sete pesquisas diferentes de uma cura para a COVID-19.

De acordo com o levantamento publicado no New York Times, há cerca de 16 mil menções a teorias envolvendo o ex-CEO da Microsoft no Facebook, com um volume de curtidas e comentários próximo a 900 mil. No YouTube, os 10 vídeos mais populares que veiculam as fake news relacionando Gates e o novo coronavírus tiveram, somados, mais de 5 milhões de visualizações entre março e abril de 2020.

O jornal americano ainda relaciona esse volume como uma possível retaliação: o público de direita nos Estados Unidos é majoritariamente apoiador do presidente Donald Trump — uma figura de quem Gates é crítico ferrenho. Nesta semana, por exemplo, Gates criticou o presidente dos EUA por ter retirado o envio de fundos à Organização Mundial de Saúde (OMS), chamando a ação de “tão perigosa quanto parece”. A reprovação do bilionário ao presidente foi publicada em um artigo opinativo no The Washington Post, que também falava que “não há dúvidas de que os Estados Unidos perderam a oportunidade de ficarem à frente do novo coronavírus”.

Gates não comentou os rumores sobre a sua pessoa, mas o atual presidente executivo da fundação que leva o nome do bilionário e sua esposa, Mark Suzman, respondeu à matéria do New York Times: “é estressante ver que tem pessoas por aí espalhando desinformação quando deveríamos, todos nós, procurar por novas formas de colaborar e salvar vidas”.

Fonte: New York Times

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