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Review Rainbow Six: Extraction | Um refresco para franquia, mas com cara de DLC

Por| Editado por Bruna Penilhas | 21 de Janeiro de 2022 às 16h21

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Imagem: Divulgação/Ubisoft
Imagem: Divulgação/Ubisoft

A Ubisoft lançou nesta quinta-feira (20) o Rainbow Six: Extraction, um jogo de tiro em primeira pessoa (FPS) tático com uma abordagem inédita na franquia: batalha entre esquadrões de altíssimo nível e alienígenas que dominaram a Terra. Depois de anos, a série de jogos retorna ao padrão “jogadores contra o computador” — estilo popularmente conhecido como “PvE” — com claras heranças do Rainbow Six Siege, mas com ideias refrescantes.

Nesta análise, possível graças ao acesso antecipado concedido gentilmente pela Ubisoft ao Canaltech, avalio como o Team Rainbow foi adaptado para o combate contra extraterrestres, das mecânicas aos mapas e como a minha percepção sobre o game foi de puro desapontamento para uma faísca de satisfação.

Rainbow Six Extraction foi testado pelo CT na versão para PC. O game também está disponível para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X e Xbox Series S.

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O que é Rainbow Six: Extraction?

O novo jogo da franquia Rainbow Six "nasceu" lá em março de 2018, num evento temporário da Operação Chimera de Rainbow Six Siege, Outbreak. Neste modo, um trio de jogadores precisava passar por um mapa enorme para cumprir objetivos, como resgatar civis, defender áreas ou recuperar operadores desaparecidos em combate (DEAs), enquanto buscava o máximo de informação disponível sobre o que causava a infestação de Quimera.

Os eventos de Extraction acontecem algum tempo depois disso, mas com ambientação nos Estados Unidos. O parasita Quimera está mais letal do que nunca e batalha através dos Arqueanos, inimigos variados que podem sofrer mutações que os tornam blindados, superpoderosos e até invisíveis. Para combater a crise da vez, o Team Rainbow criou a organização REACT (Equipe Rainbow de Análise e Contenção Exógena), composta pelos mesmos operadores de Siege.

Outbreak 2.0

Inicialmente, foram disponibilizadas aos jogadores 13 localizações em Extraction. Ao fazer uma incursão, a equipe é ordenada para cumprir três objetivos (escolhidos aleatoriamente) como matar monstros, resgatar civis, buscar operadores DEAs, recolher dados de colmeias e por aí vai — nada muito diferente do que acontecia em Outbreak.

Em cada mapa, as missões da incursão são intercaladas por antecâmaras — atravessá-las significa pular para a próxima etapa, enfrentando inimigos mais letais em troca de recompensas mais valiosas. Se não quiser mais avançar, o grupo pode solicitar extração e voltar para a base, preservando a experiência adquirida na operação.

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E por que desistir? Pois a morte tem peso no jogo. Ao falhar, toda a experiência adquirida naquela incursão é perdida e, além disso, se o jogador for abatido, ele entra num casulo, ficando indisponível até ser resgatado naquela ou em outra expedição no mesmo mapa. É um toque de Escape From Tarkov para dar mais importância às decisões do jogador, mas em um nível bem menos frustrante.

Mais inimigos, mas pouco inteligentes

Existem 13 tipos diferentes de Arqueanos, cada um com capacidades específicas para complicar a vida do esquadrão REACT. A estratégia de enfrentamento varia conforme a criatura, principalmente aquelas que sofreram mutações (disponíveis nas dificuldades mais elevadas), graças aos pontos fracos inseridos em posições variadas e, claro, ao diferente comportamento e padrão de ataque.

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Essas criaturas, porém, são "fichinhas" quando comparadas aos Arqueanos encontrados em Singularidades, os Proteus. Eles são "cópias do mal" dos operadores da organização REACT, munidos de armas de altíssimo dano e habilidades bem mais poderosas que as contrapartes humanas.

A briga com os Proteus é a mais ferrenha e, eventualmente, pode acontecer sem aviso nas incursões mais difíceis. Os encontros exigem observação, rápida tomada de decisão e bastante coordenação da equipe para que a munição dure até o fim da batalha e, lógico, todos os operadores sejam extraídos com vida.

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No papel, o game parece bastante robusto e complexo, mas essa mesma dificuldade não se traduz muito bem em gameplay. Com bons colegas de equipe, qualquer desafio é passável em Extraction, incluindo os Proteus, já que a resistência deles às balas nem é tão grande — junte isso ao conjunto praticamente infinito de habilidades e ferramentas e tudo fica mais simples ainda.

A jogatina fica frustrante, porém, quando a inteligência artificial (IA) dos inimigos não colabora com a ação, seja facilitando demais ou tornando a missão impossível. Por vezes, a briga contra um adversário especial era interrompida (ou extremamente lenta) porque ele não avançava ou travava correndo em direção à parede; enquanto em outras ocasiões, minha equipe era cercada por todo tipo de adversário possível e tudo ia para o espaço.

Além disso, a percepção desses inimigos também é bastante inconsistente. Em certas ocasiões, os monstros passam do seu lado e nem se incomodam com sua presença, enquanto basta um furo numa parede para eles verem você e gritem pelos alienígenas nas proximidades. Essa condição não só pode colocar toda a missão em risco, como frustrar toda equipe que logo se pergunta "O que fizemos de errado?" ou "Como ele viu a gente?"

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Extraction é a cara de Siege

Sob as dinâmicas de jogo exclusivas de Extraction, estão as mecânicas, os gráficos, o desempenho e os defeitos de Rainbow Six Siege. O motor gráfico que sustenta o título é o mesmo Ubisoft Anvil, que fora os ajustes pontuais em iluminação, complexidade de modelos 3D e na resolução de texturas, é basicamente a mesma coisa que o jogo de 2015, incluindo animações, sons, destrutibilidade e a experiência geral de movimentação.

Dito isto, alguns dos piores defeitos de Siege também aparecem no novo jogo da Ubisoft: o mau direcionamento sonoro. Eventualmente, os passos de inimigos parecem estar vindo da sua frente, mas o inimigo está no andar de cima; o grito do alienígena parece estar do seu lado, mas o chamado aconteceu na parte de baixo.

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O jogo até tenta amenizar esse problema com um novo elemento de interface: um indicador visual de som. Com ele habilitado, sons captados nas proximidades serão destacados em um círculo. Naturalmente, o problema não é 100% resolvido, mas ao menos o recurso consegue amenizar parte da confusão.

O estilo Left 4 Dead de ser

As missões de R6 Extraction seguem um estilo de Left 4 Dead: o time precisa enfrentar hordas enormes para prosseguir, inimigos podem ter habilidades variadas e recursos ficam espalhados pelo mapa. No game da Ubisoft, porém, a jogatina é mais cadenciada e requer calma. Duas ou três pancadas de alienígenas são suficientes para derrubar você, colocando os aliados numa posição delicada e possivelmente sem retorno. É importante pensar antes de atirar.

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Particularmente, essa característica é a mais cativante de R6 Extraction: são os mesmos operadores de Siege, mas com novas aplicações. Operadores não tão úteis no título competitivo podem ter um espaço para brilhar aqui, e o mesmo vale para as armas.

Outro detalhe que distingue o novo título do irmão mais velho são as habilidades passivas de operadores. Cada agente pode evoluir até o nível 10, desbloqueando uma nova capacidade em cada um deles, como recuperação de vida, defesa contra explosões, melhorias para as habilidades e mais. Essa característica incentiva os jogadores a investirem em um personagem só — algo que, por consequência, os farão ter cautela na hora de enfrentar um desafio complicado.

Para dar ainda mais peso às decisões, porém, a Ubisoft poderia ter optado por um esquema de escolha de habilidades passivas. Isso não só incentivaria o uso de um único personagem ao longo das missões, como também aprofundaria o sistema de customização para além das armas e equipamentos.

Experiência prévia importa, mas nem tanto

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Se há algo que o R6 Extraction faz melhor que o game competitivo da franquia é a acessibilidade para novos jogadores. A curva de aprendizado do game é bem menos íngreme do que em R6 Siege, já que não é necessário decorar mapas e inúmeras características dos inimigos.

O sistema de progressão do jogo também ajuda a entender as possibilidades presentes. Nas incursões de Nova York, por exemplo, as missões de "Estudo" exigem que o jogador explore o sistema de pings e de comunicação, mate inimigos com a arma secundária, identifique criaturas e mais. É uma baita colher de chá.

Outro fator crucial é a dificuldade das partidas. Com um esquadrão competente, não é necessário usar e abusar das habilidades dos operadores, dando espaço para composições não tão bem pensadas e o uso descoordenado de equipamentos — o reforço de parede/janelas pode ser totalmente ignorado, por exemplo.

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Porém, quando o esquadrão é dominado por jogadores de Siege, nada vai satisfazer mais do que as dificuldades elevadas. É nelas que as habilidades, coordenação e estratégia precisam ser colocadas em prática para concluir a missão.

Para esse público, é provável que Extraction se torne repetitivo rapidamente — daí, entra o Protocolo Maelstrom. Neste modo, as missões de uma incursão são triplicadas (sim, são 9 objetivos), o cronômetro é menos generoso, recursos são mais escassos e por aí vai.

Este é o ponto mais extremo do novo game, mas ele não é impossível. Missões, objetivos, modificadores e inimigos não são aleatórios nesse modo, então há a possibilidade de refinar estratégias em múltiplas tentativas.

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Rainbow Six Extraction vale a pena?

Quando Rainbow Six: Extraction foi revelado para o mundo na E3 2019 — naquela época ainda sob o título "Rainbow Six Quarantine" —, a reação da comunidade de Siege foi mista. Afinal, a franquia pedia um jogo na pegada de jogadores contra alienígenas?

Com o tempo, a suspeita de que o game seria uma extensão de Outbreak se confirmou e, após vazamentos e rumores de testes internos não tão bem avaliados, o jogo precisou passar por reformulações. O adiamento do game no ano passado foi uma clara prova disso, já que serviu especificamente para garantir uma experiência "envolvente, cooperativa e emocionante".

A Ubisoft, felizmente, conquista esse feito em Rainbow Six: Extraction. O game é desafiador, coerente dentro da proposta e têm portas abertas para conteúdo pós-lançamento, algo que será crucial para a manutenção do fator de rejogabilidade dele e, lógico, na criação de uma comunidade forte.

Entretanto, o problema mais grave do novo jogo é o preço. A opção mais barata de R6 Extraction custa R$ 169,99 na Epic Games Store para PC; na Playstation Store, R$ 199,90; e no Xbox, R$ 195,95. É um preço altíssimo para um jogo que, por si só, não é totalmente inédito e poderia facilmente ser uma expansão gratuita do jogo de 2015.

O alívio, ao menos para quem joga no PC e nos consoles da Microsoft, é que o título foi disponibilizado no catálogo do Xbox Game Pass assim que foi lançado. O custo de entrada, nesse caso, é baixíssimo (R$ 5 no primeiro mês de assinatura, com desconto promocional).

Para os assinantes do serviço da Microsoft, é impossível não recomendar Rainbow Six: Extraction, nem que seja para dar uma olhada no gameplay e passar um tempo com amigos enquanto a diversão durar. Contudo, se você joga nos consoles da Sony, a melhor opção por agora é esperar uma boa promoção.