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Review Forza Motorsport | Todos merecem um lugar no pódio

Por| Editado por Durval Ramos | 04 de Outubro de 2023 às 07h57

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Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech
Captura de tela/Felipe Demartini/Canaltech

“Revolução” é uma palavra que pode assustar muitos jogadores de videogame, mas foi ela quem sempre esteve no coração dos produtores de Forza Motorsport. Após quase 20 anos, a desenvolvedora Turn 10 abandona as sequências numeradas e entrega seu primeiro título da atual geração de consoles, focada não apenas na inovação inerente, mas também em abrir as portas do paddock para mais gente.

É uma ambição que caminha lado a lado com a da própria marca Xbox, que com iniciativas na nuvem, classes diferentes de consoles e um foco renovado nos PCs, deseja chegar a todo o público. O que é inesperado aqui é que, ao falar em revolucionar a marca, a desenvolvedora se voltaria às raízes fundamentais de Forza Motorsport e, em vez de chacoalhar tudo em prol de uma suposta evolução, ela preferiu fortalecer suas bases e expandir a si mesma.

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O resultado desse trabalho é um game brilhante, tanto no já esperado aspecto visual, quanto em sua forma. Seja um veterano da franquia ou dos games de velocidade, um novato interessado em carros, alguém que nunca jogou um título de corrida ou até uma pessoa com deficiência, há algo aqui para você.

Os carros no holofote

Ao falar sobre a nova dinâmica de Forza Motorsport, a Turn 10 compara a experiência a um RPG. Essa ideia pode trazer uma noção equivocada quanto à evolução, que não necessariamente está presente no game, mas a comparação é justa: ao se voltar para a cultura automotiva mais uma vez, a produtora adota uma abordagem focada nos veículos, onde menos é mais.

Sai de cena a ideia de colecionar carros dos últimos games da série e também de Forza Horizon para entrada de um envolvimento maior com cada veículo. As séries competitivas são mais longas e, caso o jogador deseje, mais desafiadoras, com uma pluralidade de pistas e estilos que traz variação, ainda que o novo game chegue às lojas com uma lista de 20 circuitos.

A lista pode ser considerada limitada por estar abaixo de outros games do gênero e até de versões anteriores da própria franquia, mas o jogador não notará isso tão cedo. A cada vitória, novas peças são habilitadas para os carros usados enquanto você também acumula pontos de experiência que são convertidos em créditos para a compra de máquinas à vontade, ou para uso em séries posteriores.

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Nesse ensejo, surge mais um dos tantos aspectos de Forza Motorsport que permitem aprofundar a experiência, mas só caso o jogador deseje. O sistema de níveis de potência dos veículos está de volta, juntamente com opções de tuning e ajustes finos de cada máquina; ao mesmo tempo, basta pressionar um botão para ter acesso a uma configuração equilibrada, com as melhores peças habilitadas após cada prova e de acordo com os limites da próxima.

Esse foco na paixão por carros e na evolução deles, porém, leva a alguns obstáculos. O jogador deve selecionar um carro ao início de cada série e permanecerá com ele até o final dela; não é possível fazer um test drive ou trocar por outro veículo da coleção durante o progresso. Caso não faça uma boa escolha inicial ou perceba que ela não é adequada para determinados circuitos, as únicas opções são baixar a dificuldade, o que resulta em menor obtenção de pontos, ou começar tudo de novo.

A dinâmica de Forza Motorsport também dá algumas derrapadas em elementos que deveriam ser básicos para um game de corrida. Todas as provas têm treinos livres, mas não sessões de qualificação, com a posição de largada sendo definida livremente pelo próprio jogador. Durante os testes do Canaltech, contadores de combustíveis e danos nos pneus se mostraram pouco confiáveis, sendo melhor seguir com as opções padrão em um aspecto de simulação que deixa a desejar.

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Ainda nesse contexto, o comportamento agressivo e desleal da inteligência artificial se mostrou um desafio à parte, com oponentes que dirigiam como se o carro do jogador não fizesse parte da corrida. Colisões e contatos serão comuns durante as corridas, mesmo com veículos que deveriam ser mais frágeis, já que não há um sistema de danos que se traduza em mudanças na performance dos carros.

Ao mesmo tempo, entra em ação um sistema de punições igualmente desleal, que se equivoca na aplicação de penalidades, deixando de agir quando necessário, mas forçando a mão contra o jogador. Ele pode ser desligado, mas isso entra no caminho da simulação e pode não ser desejável.

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Vale citar, por outro lado, que experimentamos Forza Motorsport antes de sua disponibilização pública, com o sistema de Drivatars ainda em seus estágios iniciais, sem que as habilidades dos amigos fossem inseridas de forma artificial no game. O mesmo também vale para pequenas falhas na localização para o português, como a conversão de “wheel”, volante em inglês, para “roda” em menus internos; são elementos que esperamos ver corrigidos em atualizações futuras.

No volante, sem precisar de CNH

Os deslizes apresentados não maculam o coração da experiência de Forza Motorsport, que é justamente o seu aspecto mutável, em uma junção de fatores que parece impossível quando descrita, mas se desenha assim que colocamos as mãos no game. O aspecto mais forte do título da Turn 10 é que ele é aberto a todos, absolutamente.

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Há ajustes finos para a integralidade da experiência, desde a dificuldade da inteligência artificial até os aspectos de simulação. Os controles podem ser configurados da forma que o jogador desejar, enquanto inovações como o Blind Driving Assist e o One Touch Driving permitem que até mesmo quem tem deficiência visual ou motora experimente, pela primeira vez, a experiência profunda de um jogo de corrida.

Ao voltar às bases de Forza Motorsport, a produtora também deu atenção especial aos pilotos de joystick, entregando o que talvez seja a melhor experiência do gênero nesse formato. Ainda que tenha suas limitações, principalmente nas opções avançadas de simulação, a Turn 10 eleva essa experiência ao máximo em termos de sutileza, sensibilidade e controle, aplicando recursos que a tornam suave e, ao mesmo tempo, o mais precisa possível.

Da mesma forma que permite uma customização total, Forza Motorsport também indica ao jogador onde ele pode melhorar. Além de desafiar a si mesmo, se posicionando no fundo do grid, o game sinaliza quando aumentar a dificuldade da IA ou ligar certas opções de simulação podem tornar a experiência mais apetitosa, conversando diretamente com a progressão que está no centro de toda a experiência.

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Forza Motorsport apresenta o tipo de experiência que é dificil de ser descrita da forma adequada, com tantos elementos agindo juntos, mas que é facilmente sentida quando colocamos as mãos. O jogador é fisgado logo nas provas iniciais, com as máquinas que são capa do game, e permanecerá assim ao longo das séries, que começam com carros de passeio e máquinas de produção e nos levam dos clássicos à vanguarda das pistas.

Espetáculo da ultrapassagem

Enquanto é dificil descrever a que nível Forza Motorsport é amigável, seu conjunto visual não precisa de palavras para brilhar. Novamente, o título impressiona desde o início, com uma volta pelas elevações de Maple Valley seguida de uma corrida em andamento por Hakone, circuito fictício que faz sua estreia no novo game.

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Aqui, também, são colocados à prova os três modos gráficos do game, com destaque para uma inusitada opção que adiciona o ray tracing à jogabilidade, algo raro em títulos de corrida, enquanto tenta manter a taxa de quadros lá em cima. As flutuações de FPS podem incomodar os olhos mais atentos, quanto não estiverem se impressionando com a qualidade dos reflexos e da iluminação.

Ao usar os gráficos da atual geração e o que há de mais moderno em tecnologias gráficas, a Turn 10 entrega um visual que impressiona. A produtora também pesa a mão nos reflexos, durante as introduções de séries ou nas corridas noturnas, fazendo das imagens não somente uma demonstração da força, mas também outro elemento para promover imersão.

Vale a pena citar ainda os ciclos de dia, noite e clima. Nas corridas reduzidas, as alterações não têm sutileza, mas impressionam o jogador que nota um belo entardecer ou até mesmo a influência do vento nas gotas de chuva que caem sobre o carro, com sons finamente reproduzidos, assim como todo o restante do conjunto de áudio do jogo.

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Como nem tudo são flores, o sistema de danos é praticamente inexistente, com até mesmo grandes colisões gerando meros arranhões nos carros — com esse aspecto não interferindo na pilotagem, inclusive. Fora das corridas, porém, o showroom de veículos também chama a atenção, com detalhes do painel, partes internas e lataria sendo reproduzidos com fidelidade e ganhando asas adicionais com o tradicional sistema de compartilhamento de design pelos jogadores.

Em alguns momentos, entretanto, foi possível notar certo flickering na versão Xbox Series X, com o asfalto e alguns detalhes dos carros dos oponentes “piscando” durante as corridas. Na interface, elementos configurados como desligados durante uma corrida ainda podiam aparecer na tela; reiniciar a prova, porém, pareceu resolver o problema.

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No caso do HUD, ainda, vale a pena citar alguns deslizes da Turn 10. É possível desligar absolutamente todos os aspectos da interface, mas alguns deles aparecem apenas em blocos, não podendo ser desativados individualmente; com tudo ativado, a tela pode ficar facilmente poluída, enquanto um necessário placar de intervalo até os oponentes aparece de forma carregada, ocupando um belo e precioso espaço para irritar quem busca maior leveza e fidelidade. Acredite, é melhor o deixar desativado.

Vale a pena jogar Forza Motorsport?

Entre assistências que atingem absolutamente todos os tipos de público até uma lista de veículos clássicos e modernos, fica também a sensação de que o pacote de lançamento é apenas o começo da jornada. Os problemas citados nesta análise também são, em sua maioria, solucionáveis, representando pequenos detalhes de uma fórmula das mais equilibradas e interessantes do gênero.

Ainda que estejamos em um momento de revolução, o game deixa bem claro que as bases fundamentais são as mais importantes em Forza Motorsport. Por mais que a mecânica de progressão esteja diferente, todo o resto é absolutamente reconhecível e, principalmente, confortável. A grande diferença é que, agora, isso vale para muito mais gente.

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É assim que Forza Motorsport se diferencia em um gênero plural e, também, apresenta seu diferencial. A ideia não é ser um simulador completo, mas como dito, entregar uma experiência completa e fazer com que as pessoas se apaixonem pelo mundo automotivo. O que Gran Turismo 7 faz contando histórias e F1 23 entrega pela fidelidade, aqui, se traduz em acesso.

Forza Motorsport chega em 10 de outubro para PC e Xbox Series X|S. O game fica disponível na data de lançamento no serviço Xbox Game Pass, enquanto compradores de edições premium têm acesso antecipado a partir do dia 5 de outubro.