Microsoft pode encontrar no mobile um caminho não explorado por Sony e Nintendo

Por Wagner Wakka | 20 de Agosto de 2020 às 09h17
Divulgação/Microsoft
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As estruturas do universo de jogos para smartphone, principalmente dentro do iOS e Android, foram abaladas nas últimas semanas. Pelo menos duas grandes empresas do setor buscaram fincar seus pés no mundo no mobile e sentiram a renitência de Google e Apple.

A Microsoft anunciou que terá o app do xCloud somente para Android. A plataforma de processamento por nuvem vai funcionar no Xbox Series X, PC e mobile, colocando jogos AAA em smartphones. A companhia não lançou o app para iOS, pois a Apple não permitiu o programa em sua loja. O argumento é de que o serviço não lista cada jogo individualmente, burlando, assim, as regras da App Store. Contudo, a Netflix tem o mesmo modelo de negócio e está na loja da Apple.

Uma semana depois, um novo personagem entrou na disputa pelo mercado mobile: a Epic Games. A desenvolvedora de Fortnite lançou uma atualização para o game mais popular do mundo permitindo que jogadores comprassem moedas do jogo diretamente com ela, sem usar o sistema da App Store e Play Store. Com isso, a Epic não teria de pagar a fatia de 30% para Google nem Apple. O resultado é que ambas empresas baniram Fornite de suas lojas no Android e iOS.

Os dois casos mostram a batalha pela conquista e manutenção de um dos mercados mais importantes para plataformas mobile: os games. Uma pesquisa de janeiro de 2020 do AppAnnie mostrou que a receita com jogos em 2019 foi de US$ 86 bilhões em plataformas mobile. Mais importante que isso: 72% de todos os gastos no Android e iOS foram com jogos. Assim, Google e Apple não querem abrir mão dos 30% dos US$ 86 bilhões de renda em 2019, enquanto Epic e Microsoft querem tirar um pedacinho disso.

Jogos no topo 

“A gente está entrando em uma nova era em que o consumidor não procura somente o console para jogar um game, ele procura também um smartphone”, comenta Renato Meireles, analista de mercado em mobile phones e devices da IDC Brasil, em entrevista ao Canaltech.

Atualmente, os jogos para plataformas mobile representam quase metade do setor de jogos. Segundo levantamento do Newzoo com dados de junho de 2020, o mercado mobile (somando smartphones e tablets) representa 49% do faturamento em games no mundo. O setor ainda está em franco crescimento, com jogos para smartphone com previsão de aumento de 15% no comparativo anual.

Dados do segundo trimestre de 2020 (Arte e dados: Newzoo)

Por isso que gigantes estão de olho no mercado. A Microsoft e Google saíram na frente para elevar o nível dos títulos em plataformas mobile. Com o xCloud e o Stadia, ambas podem permitir que jogadores nos smartphones tenham acesso a games mais complexos e que exigem maior processamento gráfico sem precisar de um hardware potente para isso.

A proposta, principalmente da Microsoft, é conseguir abocanhar esta fatia de marcado levando seus jogos para smartphones. Dentre das grandes do setor de games, como Sony e Nintendo, só ela está se enveredando por esse caminho.

O problema é que ela esbarra na barreira das gigantes que são donas da bola. “85% do mercado está na mão do Android e 15% na mão do iOS, praticamente. Aqui no Brasil, é 95% Android, 5% iOS. A gente vê algumas tentativas de união entre as chinesas, mas ainda é incipiente. A curto prazo, o Android é ainda o que fomenta este mercado", levanta Meireles.

Não somente as plataformas estão interessadas em abraçar mais os jogadores, como as fabricantes também estão trabalhando em aparelhos voltados para este setor, principalmente nos topos de linha. “As fabricantes fazem pensando em games, em chipset, tela... tudo melhor. A disputa das desenvolvedoras de processadores de smartphones é para mostrar que estão a frente para games cada vez mais complexos”, pontua o analista.

Futuro sem consoles? 

A expectativa de que os smartphones vão resultar no fim do mercado de games em consoles de mesa vem de tempos. Jornalistas como Jeff Ryan (do livro Bastidores da Nintendo) e Jason Scheirer (da Bloomberg) apontam que investidores se mostraram receosos em investir em jogos para os então lançamentos do PlayStation 4 e Xbox One. O motivo: eles acreditam no fim dos consoles.

A ansiedade pela chegada do PlayStation 5 e Xbox Series X, além do sucesso de vendas do Switch, mostrou que eles estavam errados. Segundo o Newzoo, a expectativa de crescimento para jogos em consoles é 6,8% no comparativo anual.

xCloud leva jogos AAA para tablets e smartphones (Foto: Reprodução/YouTube/Microsoft)

Contudo, os smartphones podem ganhar cada vez mais espaço, com games em nuvem chegando nos próximos anos. O próprio relatório do Newzoo aponta que os modelos do Game Pass e xCloud da Microsoft podem trazer novas propostas de negócio para o setor, pulverizando ainda mais os investimentos.

“Se esses serviços de jogos por nuvem puderem replicar a experiência de jogar em um console da nova geração, o pagamento de uma assinatura pode ser uma alternativa ótima diante do custo de um console. Há toda uma subseção dos gamers, os Assinantes, que adoram jogar, mas têm menos vontade de ter um hardware”, aponta o trabalho.

Vale lembrar que a Sony também tem sua plataforma de streaming, o PlayStation Now, que oferece jogos antigos por nuvem, somente pelo PlayStation 4. Já a Nintendo, ainda não tem nenhuma proposta neste sentido, lançando alguns poucos games pontuais para smartphone.

Fonte: The Guardian, Newzoo

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