Parceria entre Europa e Japão envia 1ª missão para Mercúrio nesta sexta (19)

Por Patrícia Gnipper | 19 de Outubro de 2018 às 19h00
ESA

No início do mês, falamos brevemente sobre a missão BepiColombo, a primeira conjunta entre ESA (a agência espacial europeia) e JAXA (a agência aeroespacial do Japão), cujo destino será o planeta Mercúrio. E o lançamento acontece hoje (19), com transmissão ao vivo pelo canal do Mensageiro Sideral no YouTube, a partir das 22h45.

A missão levará três espaçonaves carregando dois orbitadores: o MPO (Mercury Planet Orbiter) da ESA, e o MMO (Mercury Magnetospheric Orbiter) da JAXA, cujos instrumentos capturarão imagens e farão medições sobre o primeiro, o menor e o mais desconhecido planeta do Sistema Solar. A BepiColombo dará continuidade ao trabalho da sonda Messenger, da NASA, que passou por lá em 2008 e ficou quatro anos orbitando o planetinha, antes de cair em sua superfície após ser desativada.

A BepiColombo no foguete Ariane 5 pronta para o lançamento (Foto: ESA)

O lançamento será feito com o mais poderoso foguete europeu — o Ariane 5 — e a sonda deve chegar a Mercúrio em dezembro de 2025, tornando-se, então, a segunda missão enviada pelo homem para a órbita do planeta, ainda que a distância mínima entre Terra e Mercúrio seja menor do que a distância mínima entre Terra e Marte. Mesmo assim, o Planeta Vermelho já recebeu uma "enxurrada" de orbitadores, sondas e rovers, enquanto Mercúrio segue um tanto quanto inexplorado.

Entre as razões que justificam esse cenário, estão alguns fatores importantes: primeiro, "viajar para Marte significa ir do terceiro para o quarto planeta ou seja, se afastar do Sol; isso implica que ação gravitacional do Sol vai ficando mais fraca conforte a nave se afasta, e essa força age para frear a nave (tentando puxá-la para o centro do Sistema Solar, do mesmo jeito que a gravidade terrestre aponta para o coração de nosso planeta)", conforme explica Salvador Nogueira em texto publicado na Folha de S. Paulo. Sendo assim, ao viajar para dentro do Sistema Solar (em direção a Mercúrio), o efeito da gravidade é solar inverso: fica cada vez mais forte e a força vai para o mesmo sentido do movimento, acelerando a nave.

Aí você pensa: "ué, mas então se a gravidade 'puxa' a nave, não seria mais rápido ir justamente para Mercúrio?" Então, a resposta é que a nave acaba chegando rápido demais, justamente por conta dessa "forcinha" adicional e, para que a nave consiga frear o suficiente a ponto de ser capturada pela gravidade do planeta, é necessário propulsão à beça.

Então, esse é um dos principais motivos pelos quais as agências espaciais acabaram priorizando outros mundos do Sistema Solar nas décadas passadas; até então. Outro motivo importante é sua proximidade com o Sol, cujo calor absurdo pode fritar os circuitos de seus equipamentos.

A solução

Arte imagina a BepiColombo chegando a Mercúrio (Imagem: ESA)

A ideia, então, foi usar o método de voo concebido pelo engenheiro e matemático Giuseppe “Bepi” Colombo, falecido em 1984. Ele criou um jeito de calcular passagens de raspão, usando planetas como estilingues para modular a velocidade e direção de espaçonaves. Essa técnica já foi utilizada entre 1964 e 1975 pela sonda Mariner 10, que fez sobrevoos por Mercúrio, também sendo aplicada na sonda Messenger, que se tornou a primeira a orbitar, de verdade, o planetinha entre 2011 e 2015.

Mas a BepiColombo vai além: "usando propulsão elétrica (com motores em que íons são acelerados para propelir a nave na direção oposta), a sonda pode ir reduzindo sua velocidade ao longo do caminho, facilitando a inserção orbital", explica Nogueira. Ainda, a sonda também fará, ao todo, nove sobrevoos planetários — um pela Terra, dois por Vênus e seis em Mercúrio — antes de entrar, em fim, em órbita.

As duas sondas da espaçonave, que são enviadas juntas em um único módulo e, ao chegarem em Mercúrio, serão separadas, operarão em conjunto e poderão gerar dados simultaneamente, permitindo uma compreensão mais aprofundada sobre coisas como o campo magnético do planeta e sua interação com o vento solar. Também faz parte da missão detectar possíveis áreas com água congelada em crateras nos polos do planeta, e obter imagens de alta resolução de sua superfície.

A missão, que vem sendo desenvolvida há mais de 10 anos, recebeu investimento de cerca de 1,65 bilhão de euros.

Acompanhe ao vivo

A partir das 22h45, o canal Mensageiro Sideral do YouTube iniciará a transmissão ao vivo com todos os momentos antes, durante, e depois do lançamento. As imagens serão acompanhadas de comentários em português, e você pode acompanhar a transmissão no vídeo abaixo:

Fonte: Folha de S. Paulo

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