Retorno à Lua: relatório alerta que pouso de astronautas deve atrasar ainda mais

Retorno à Lua: relatório alerta que pouso de astronautas deve atrasar ainda mais

Por Danielle Cassita | Editado por Patrícia Gnipper | 16 de Novembro de 2021 às 14h17
NASA

No início de novembro, a NASA anunciou que, devido a diversos obstáculos, o pouso de novos astronautas na superfície lunar acontecerá a partir de 2025, ou seja, pelo menos um ano após o cronograma apresentado inicialmente para o Programa Artemis. Entretanto, é possível que ainda mais adiamentos aconteçam. Um relatório produzido pelo Escritório de Inspeção Geral (ou “OIG”, na sigla em inglês) alerta que o cronograma de desenvolvimento do lander lunar é agressivo demais e o tão aguardado pouso poderá acontecer ainda mais tarde.

Os oficiais envolvidos na produção do documento do OIG descobriram que o cronograma de desenvolvimento do HLS é irrealista quando comparado àquele de outros programas de voos espaciais da NASA. “Especificamente, os programas de voos espaciais desenvolvidos nos últimos 15 anos levaram, em média, 8,5 anos desde a assinatura do contrato até o primeiro voo operacional, e o programa Human Landing System (HLS) está tentando fazer o mesmo em metade do tempo”, explicaram.

Representação de lander lunar Starship, da SpaceX, para pousos na Lua com o programa Artemis (Imagem: Reprodução/SpaceX)

O relatório destacou também que a NASA está ciente há algum tempo dos problemas dos prazos do programa e mencionou um relatório publicado em fevereiro de 2020. O documento foi produzido pela Aerospace Corporation e concluiu que o módulo de pouso para levar os astronautas à superfície da Lua não ficaria pronto até a metade de 2026. Por isso, com base na média de atrasos recentes nos programas espaciais da NASA, o relatório do OIG concluiu que o programa HLS pode enfrentar até 4,3 anos de atrasos antes dos voos operacionais começarem.

Neste cenário, o pouso na Lua aconteceria somente em 2028 — prazo inicial dado pela NASA, antes de o governo Trump pressionar a agência para antecipar o cronograma, o que aconteceu em abril de 2019. Caso isso realmente aconteça, os outros planos e elementos do programa também serão afetados, mesmo que estejam no cronograma, como é o caso do foguete Space Launch System e da NASA. O relatório foi produzido quando a agência espacial ainda esperava que a missão não tripulada Artemis I fosse lançada em 2021, mas descreve que o lançamento deverá ocorrer somente durante a primavera de 2022 nos Estados Unidos. Em paralelo, a NASA havia anunciado em outubro que a missão não seria lançada antes de fevereiro do ano que vem.

Ainda segundo o relatório, os oficiais da NASA levantaram a possibilidade de que, caso os demais sistemas necessários não estejam prontos a tempo, a missão Artemis III poderá ser voltada para a realização de um sobrevoo adicional ao redor da Lua, sem o pouso tripulado planejado anteriormente. O documento trouxe críticas sobre os custos do programa, mas a NASA rejeitou as recomendações de desenvolver uma estimativa geral dos custos da empreitada como um todo.

Devido ao alto valor envolvido, o OIG sugeriu que a NASA considere alternativas para o foguete SLS e a cápsula Orion, como o Starship, da SpaceX, ou o New Glenn, da Blue Origin. Embora o relatório não inclua recomendações específicas para a NASA sobre reconsiderar alternativas ao foguete SLS e à nave Orion, os líderes da agência consideram que os veículos proprietários continuam como o único caminho para missões lunares tripuladas. De acordo com Jim Free, administrador associado da NASA para o desenvolvimento de sistemas de exploração, a agência espacial já segue as melhores práticas e políticas para fornecer estimativas de custos para programas e projetos aprovados.

Fonte: SpaceNews

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