O som se propaga no espaço? Confira sons de objetos espaciais

O som se propaga no espaço? Confira sons de objetos espaciais

Por Danielle Cassita | Editado por Rafael Rigues | 13 de Maio de 2022 às 13h30
NASA

Os fãs de ficção científica talvez se lembrem do pôster do filme Alien, de 1979, que tinha a frase: “no espaço, ninguém pode ouvir você gritar”. E isso é verdade: na Terra, nós escutamos sons graças à vibração das moléculas de ar, enquanto no vácuo do espaço nem mesmo as nuvens de gás interestelar são densas o suficiente para propagar sons como aqueles que ouvimos por aqui.

Felizmente, podemos dar um "jeitinho" de ouvir os sons de objetos espaciais por meio da "sonificação", uma técnica que transforma dados astronômicos em frequências audíveis, nos dando uma nova perspectiva através da qual observar a beleza do espaço

O som pode se propagar no espaço?

O som pode ser definido como perturbação mecânica em um estado de equilíbrio, que viaja através de um meio físico — ou, em outras palavras, uma onda capaz de se propagar por algum meio (como o ar ou a água) a partir da vibração das moléculas que o compõem. O som viaja através das chamadas ondas longitudinais, que vibram partículas em velocidades que variam de acordo com o estado da substância em questão.

O espaço não é um vácuo perfeito, porque tem partículas presentes no meio interestelar, embora bastante separadas entre si. É essa separação que impede que as vibrações se propaguem, ou seja, impedem que o som "viaje". Mesmo se um objeto dentro de uma nuvem gasosa (que, lembre-se, tem gases bem menos densos que aqueles da atmosfera terrestre) vibrar e estivermos perto dele, não escutaríamos som algum.

A densidade das nuvens de gás no universo é tão baixa que sons não podem se propagar (Imagem: Reprodução/Jacub Gomez/Pixabay)

No passado, em um breve período logo após o Big Bang, o universo tinha densidade suficiente para sons “normais” se propagarem pelo espaço, mas isso mudou rapidamente. Se você estivesse a bordo de uma nave espacial hoje, poderia escutar as conversas com os demais tripulantes (afinal, há ar no ambiente interno da nave), mas não iria escutar dois asteroides colidindo, por exemplo.

É por isso que os astronautas usam comunicação por rádio durante caminhadas espaciais: como as ondas de rádio fazem parte do espectro eletromagnético, elas podem viajar sem a necessidade de um meio.

Os “sons” no espaço

Existem algumas formas de “ouvir” sons de diferentes objetos no espaço. Uma delas é a sonificação, uma técnica em que dados capturados por telescópios são traduzidos em sons. Recentemente uma equipe de astrônomos observou que os gases no aglomerado de Perseus, afetados pela força gravitacional do buraco negro presente ali, vibravam em certas frequências.

Essa vibração foi “traduzida” em frequências audíveis, mas antes teve de ser ajustada para ficar dentro do alcance da audição humana. Para isso, ela foi ajustada para algo entre 144 quadrilhões e 288 quadrilhões de vezes mais alta que as emissões originais. O resultado é a assustadora "melodia" de um buraco negro.

Confira:

Outro exemplo interessante de sons espaciais foram os dados de ondas de plasma capturadas pela sonda Voyager 1. A nave foi lançada originalmente em 1977 para investigar Júpiter, Saturno e algumas das luas dos planetas, mas sua missão foi estendida para seguir explorando o espaço.

Em 2013, o professor Don Gurnett apresentou em uma conferência dados sonoros do plasma que mostravam que a Voyager havia deixado a heliosfera (a "fronteira" do Sistema Solar), e que finalmente estava no espaço interestelar.

O instrumento de ondas de plasma que captou os dados não detecta sons, mas sim o movimento de elétrons no gás ionizado (o que chamamos "plasma") que a Voyager atravessou. Teoricamente, estas ondas não podem ser ouvidas, mas foram convertidas em frequências entre algumas centenas e milhares de hertz que estão dentro do alcance da audição humana. Esta “música” do plasma interestelar indicou aos cientistas a densidade do gás nos arredores da nave.

Outra forma de sonificação pode converter dados luminosos em sons. Imagine que você tem um campo de estrelas, com diversas cores e níveis de brilho. Você pode definir que os tons mais azulados seriam mais "graves", os avermelhados mais "agudos" e o brilho corresponde ao volume. Com estas três regras simples, é possível compor a música de uma galáxia.

Foi o que a NASA fez com a imagem chamada Deep Field South, capturada pelo observatório Chandra, que retrata as profundezas do espaço sobre o hemisfério sul de nosso planeta. Confira:

Fonte: Via: Cosmos Magazine, WTAMU, Sky at Night, NASA (1, 2), Cornell University

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.