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O que são criovulcões ou vulcões gelados?

Por| Editado por Patricia Gnipper | 30 de Março de 2022 às 12h15

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NASA
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Os criovulcões, também conhecidos como vulcões gelados, são vulcões que não expelem lava, mas sim compostos voláteis, como metano e amônia. Estas formações e seus respectivos processos não existem na Terra, mas já se sabe que ocorrem em diferentes lugares no Sistema Solar, como nas luas Encélado e Titã, de Saturno, e até em Plutão.

Pode não parecer, mas os vulcões gelados são parecidos com os “convencionais” que temos em nosso planeta: a maioria deles também se ergue como montanhas na superfície, mas, quando entram em erupção, expelem compostos líquidos. A principal diferença é que, no caso dos criovulcões, as erupções não liberam lava formada por rochas derretidas, mas sim uma mistura de água, amônia, metano e outros compostos.

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Os criovulcões não ocorrem na Terra, mas não faltam exemplos deles no Sistema Solar. A lua Encélado, por exemplo, é bastante conhecida pela atividade criovulcânica que ocorre por lá, e Plutão não parece ficar atrás: dados coletados pela missão New Horizons durante o sobrevoo pelo planeta anão indicam que os criovulcões por lá parecem ter entrado em atividade em um passado geológico bastante recente.

O que são criovulcões?

Na Terra, os vulcões são estruturas geológicas capazes de expelir materiais vindos do interior do planeta e, quando entram em erupção, liberam rochas, cinzas e gases. Os criovulcões também são montanhas que se erguem pela paisagem, mas, em vez de serem formadas por rochas, essas montanhas são compostas pelos equivalentes sólidos de compostos líquidos liberados nas erupções.

Como os criovulcões ocorrem em lugares extremamente frios, eles precisam de uma camada líquida sob a crosta congelada destes mundos — sem esta camada servindo como manto, a atividade dos vulcões gelados não seria possível.

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Antes, os cientistas acreditavam que as luas dos planetas mais distantes no Sistema Solar eram totalmente congeladas, mas eles desconsideraram os processos capazes de gerar calor nelas. E este calor pode vir de diferentes origens.

Uma delas é o calor radiogênico, liberado durante o decaimento de elementos radioativos no interior de alguma parte da subsuperfície do mundo em questão. Outra possibilidade é o chamado aquecimento das marés, causado pelo “cabo de guerra” gravitacional travado entre planetas e suas respectivas luas.

A gravidade exercida pelo planeta nas luas faz com que elas sejam flexionadas, mantendo suas camadas em movimento e evitando que congelem completamente. Por isso, essas luas não são totalmente sólidas e contêm oceanos de água líquida a algumas dezenas de quilômetros de profundidade, acomodados entre a crosta gelada e o núcleo rochoso.

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Criovulcões do Sistema Solar

Inicialmente, a ideia de um vulcão congelado foi recebida com estranhamento pelos cientistas, que não acreditavam que estas formações geológicas seriam possíveis.

Isso mudou com a missão Voyager, em 1979: ao sobrevoar as luas de Júpiter e Saturno, as sondas Voyager enviaram imagens que mostravam planícies de lava, montanhas parecidas com vulcões e crateras. Depois, em 1989, a Voyager 2 sobrevoou a lua Tritão, de Netuno e, ali, ela registrou uma pluma de água subindo a 8 km acima da superfície, vinda de uma erupção gelada.

Assim, os astrônomos cunharam o termo “criovulcanismo” para explicar este novo fenômeno, em que o gelo atuava como as rochas, e a água, como lava.

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Hoje, a lua Encélado, de Saturno, é considerada um dos melhores exemplos de atividade criovulcânica. Quando a sonda Cassini sobrevoou este satélite natural, registrou imagens de pelo menos 20 plumas geladas, compostas por partículas de gelo, vapor d’água e outros materiais. “É como um gêiser que alcança velocidade de escape e libera o vapor para o espaço”, explica Dr. Randy Kirk, geofísico do U.S. Geological Survey’s Astrogeology Science Center.

Já em 2012, uma nuvem similar foi identificada em Europa, uma das luas de Júpiter. A descoberta sugeria que a atividade criovulcânica poderia ser encontrada ao longo do Sistema Solar, mas, como os processos destes vulcões não ocorrem na Terra, não se sabia ao certo como a criolava deles se comportaria. “O primeiro trabalho sobre as criolavas comparou a viscosidade e reologia, a propriedade de movimento dos materiais, com a forma como a lava flui na Terra”, explicou Lynnae Quick, vulcanóloga planetária do Smithsonian National Air and Space Museum.

No fim, os estudos mostraram que, apesar de terem temperaturas e composições completamente diferentes, ambas podem ter comportamentos bastante similares. Embora os satélites naturais congelados dos planetas sejam feitos principalmente de água, eles têm outras substâncias dissolvidas, como nitrogênio e metano. Assim, apesar de serem componentes mínimos das luas, eles são extremamente importantes para o comportamento da lava por lá.

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Fonte: Via: Forbes, National Geographic, Sky at Night