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Erupções de vulcões gelados podem ter formado região única em Plutão

Por| Editado por Patricia Gnipper | 29 de Março de 2022 às 16h09

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NASA, Johns Hopkins Univ./APL, Southwest Research Inst.
NASA, Johns Hopkins Univ./APL, Southwest Research Inst.

A paisagem de Plutão parece ter sido esculpida pela atividade de criovulcões, nome dado aos vulcões que não expelem lava, mas sim compostos voláteis. A conclusão vem de um estudo liderado por Kelsi Singer, cientista planetária do Southwest Research Institute, e levanta a possibilidade de que os vulcões do planeta anão ainda estejam ativos — e de que posse haver água líquida ou algum composto semelhante fluindo sob a superfície de Plutão.

Lançada em 2006, foi somente em 2015 que a missão New Horizons alcançou Plutão. Neste estudo, os pesquisadores analisaram imagens de Wright Mons e Piccard Mons, montes que os cientistas suspeitam serem criovulcões; o primeiro tem entre 4 e 5 km de altitude, com 150 km de extensão, enquanto o segundo chega a 7 km de altitude, com 250 km de extensão.

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Ao invés de expelir lava, os criovulcões liberam compostos voláteis, como amônia e metano. Ao emergir em condições atmosféricas tão frias quanto aquelas de Plutão, estes compostos congelam, formando estruturas em solo. No caso do planeta anão, os pesquisadores observaram depressões profundas nos picos dos criovulcões, e notaram que vários locais na região têm aparência irregular, formada por montes ondulados.

Os autores acreditam que aqueles montes menores, formados pelos vulcões de gelo, podem ter sido acumulados ao longo do tempo, até formar os montes principais. “Não há outras áreas em Plutão que se pareçam com essa região”, observou Singer. “É totalmente único no Sistema Solar”. Ao contrário de outras áreas de Plutão, esta tem poucas crateras de impacto, o que sugere que a superfície ali foi formada recentemente, em escalas de tempo geológicas.

Os vulcões de Plutão

As primeiras pistas dos criovulcões foram detectadas em 2015, quando a New Horizons sobrevoou Plutão. Ali, pela primeira vez, os cientistas tiveram acesso a uma grande quantidade de dados sobre este nosso vizinho distante e, assim, determinaram provisoriamente que Wright Mons e Piccard Mons eram criovulcões. Através da nova análise, Singer e seus colegas acreditam que, de fato, o terreno ao redor destas formações foi esculpido pela atividade de criovulcões.

De certa forma, os vulcões gelados em Plutão são análogos àqueles na Terra. Como muito da superfície do planeta anão é feita de gelo e as temperaturas por lá ficam bem abaixo dos 0 ºC, a água líquida (ou algum outro composto parcialmente fluido) se comportaria como o magma na Terra. “Provavelmente não vai sair completamente líquido — seria mais como algo lamacento, como quando você tem um pouco de líquido e um pouco de gelo”, sugeriu Singer.

Embora os cientistas não entendam totalmente a atividade dos criovulcões em Plutão, eles acreditam que ela venha do calor gerado pelo decaimento de elementos radioativos no interior do planeta anão. Além disso, os criovulcões de Plutão têm algumas semelhanças com os vulcões que se formam a partir do acúmulo estável de fluxos de lava, criando estruturas redondas em nosso planeta. A diferença principal é que estes vulcões se formam a partir da lava bem líquida, ao contrário do que parece ter ocorrido em Plutão.

Ainda há muito a se descobrir sobre a formação destes criovulcões e de como a atividade deles acontece em Plutão. Em paralelo, a possibilidade da existência de água em estado líquido existir sob a superfície do planeta anão aumenta ligeiramente as chances de vida por lá. “Acho que é um pouco mais promissor, e pode haver algum calor e líquido, potencialmente água líquida mais perto da superfície”, propôs Singer. “Mas ainda há alguns grandes desafios para os pobres micróbios que querem viver em Plutão.”

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O artigo com os resultados do estudo foi publicado na revista Nature Communications.

Fonte: Nature Communications; Via: Science Alert, Space.com