Vulcões submarinos: conheça alguns deles e suas localizações

Vulcões submarinos: conheça alguns deles e suas localizações

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 19 de Janeiro de 2022 às 17h30
NSF/NOAA

Vulcões submarinos são comuns por toda a extensão dos limites entre as placas tectônicas da Terra e representam até 75% da atividade vulcânica em todo o planeta, embora as atividades deles não sejam tão percebidas quanto as de seus "parentes" terrestres.

As erupções submarinas ocorrem, em sua maioria, nos centros de expansão no fundo do mar — a mais de 2 mil metros de profundidade —, onde as placas tectônicas estão se separando. Ou, então, nas zonas de subducção onde essas placas mergulham uma sob a outra.

Nesta matéria, você confere seis vulcões submarinos, suas respectivas localizações e o que já sabemos sobre essas poderosas estruturas que revelam a força e dinâmica do interior da Terra.

Axial Seamount

Mapa em 3D de toda a complexa estrutura do vulcão Axial Seamount (Imagem: Reprodução/Axial Seamount)

O vulcão submarino Axial Seamont está localizado na costa leste dos EUA, a cerca de 470 km da costa da cidade de Oregon, fazendo parte de uma cordilheira meso-oceânica a mais de 1.400 metros de profundidade. Desde sua base ao topo do cume, ele alcança até 1.100 metros de altura.

Ele foi detectado pela primeira na década de 1970 e, embora sua origem ainda seja pouco conhecida, sua atividade mais recente foi registrada em 2015 — portanto é considerado ativo.

O Axial Seamont apresenta duas grandes fendas que se estendem por até 50 km ao norte e ao sul de seu ponto mais alto. A principal caldeira do vulcão submarino é retangular — aliás, um formato bem incomum — e, próximas a ela, existem várias pequenas crateras por onde também escapa a lava.

Este é considerado o vulcão submarino mais ativo ao nordeste do Oceano Pacífico. Não é à toa que o Axial Seamont deu origem ao primeiro observatório de formações vulcânicas submarinas — o New Millennium Observatory (NeMO) —, onde diversas pesquisas são conduzidas para compreensão dessas formações geológicas.

Brothers

O vulcão Brothers possui três picos no interior de uma estrutura com uma dimensão de 13 km por 8 km (Imagem: Reprodução/Domínio Público)

O vulcão submarino Brothers fica no Oceano Pacífico, no Arco Kermadec, um conjunto de ilhas a 340 km ao nordeste da Nova Zelândia. Ele apresenta um contorno com dimensão de 13 km por 8 km, além de uma caldeira com 3 km de largura e laterais com até 500 metros de altura.

Seu ponto mais alto fica a mais de 1.300 metros de profundidade, sendo o vulcão com o maior número de fontes hidrotermais do Arco Kermadec. As fontes de termais são liberadas por uma série de chaminés que podem alcançar até oito metros de altura.

O topo mais alto do vulcão, no entanto, não passa dos 350 metros e seu nome Brothers (“irmãos”, em tradução literal) se deve ao conjunto de três cumes localizados no interior do contorno principal da estrutura vulcânica.

Sua atividade mais recente ainda não foi estimada, mas as paredes do vulcão colapsadas sugerem que a última foi um evento tão explosivo que destruiu parte de sua caldeira.

Ahyi

O vulcão Ayhi faz parte do complexo de ilhas Urracas, localizado no Oceano Pacífico (Imagem: Reprodução/NOAA/GVP)

Conhecido como monte submarino Ahyi, este é um grande vulcão em formato de cone localizado a 18 km das Ilhas Marianas, no Oceano Pacífico. Seu cume se eleva até 137 metros acima do mar e, devido à sua localização remota, a primeira atividade do vulcão só foi percebida em 2011.

A atividade mais recente aconteceu em 2014, cuja explosão foi percebida por pesquisadores da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA, na sigla em inglês) dos EUA, enquanto estudavam recifes de corais na costa da Ilha Urracas, a 20 km do Ahyi.

A erupção abriu uma nova cratera com cerca de 100 metros de profundidade e, assim como a maioria dos vulcões submarinos, o Ahyi apresenta diversas fontes hidrotermais que expelem bolhas de dióxido de carbono (CO2), localizadas a 150 abaixo da superfície do oceano.

West Mata

O vulcão West Mata é conhecido por ter as erupções vulcânicas mais profundas já documentadas (Imagem: Reprodução/NOAA)

Localizado a 200 km das Ilhas Samoas, ao sul do Pacífico, o Wes Mata é o vulcão submarino com as erupções mais profundas já observadas até o momento, estimadas em 1.100 metros de profundidade.

Ele faz parta da Fossa de Tonga, a mais profunda fissura do hemisfério Sul e a segunda maior do planeta, ficando atrás apenas da Fossa das Marianas. A primeira erupção do West Mata foi detectada em 2008 e, desde então, outras pesquisas notaram mais explosões.

Vale destacar que a região do Pacífico na qual West Mata se encontra é uma área de intensa atividade vulcânica, devido às zonas de subdução das placas tectônicas. Este vulcão submarino é classificado como ativo, o que significa que a qualquer momento ele pode entrar em erupção.

Havre Seamount

A caldeira do vulcão Havre se estende por até 4,5 km no leito do oceano (Imagem: Reprodução/Rebecca Carey/Adam Soule/WHOI)

O monte submarino Havre está localizado no conjunto de Olhas Kermadec, na Nova Zelândia, ao sudoeste do Pacífico. Este é considerado um dos maiores vulcões submarinos conhecidos, cuja caldeira se estende por 4,5 km, a 1.200 metros de profundidade.

O Havre só foi observado pela primeira em 2012, quando uma grande erupção no leito do oceano produziu um enorme corpo de pedra-pomes que se estendia por 400 km quadrados na superfície do Pacífico.

O vulcão possui 14 aberturas próximas de sua base, por onda toda a lava é expelida. Segundo pesquisas recentes, a erupção de Havre foi o maior derramamento de silício no fundo do oceano já registrado no século passado.

Blocos de pedra-pomes remanescentes da erupção de 2012 (Imagem: Reprodução/Rebecca Carey et al.)

Os vulcanologistas estimam que a atividade vulcânica tenha sido até 10 vezes maior do que a do vulcão Eyjafjallajökull, que, em 2010, abalou a Islândia. A quantidade de pedra-pomes encontradas no mar sugerem que a erupção de Havre durou apenas alguns dias.

O Havre, inclusive, é um exemplo de como erupções vulcânicas que ocorrem no fundo dos oceanos podem facilmente passar despercebidas, uma vez que estão fora do campo de visão mais acessível para os cientistas.

Hunga Tonga-Hunga Haʻapai

Vulcão Hunga Tonga-Hunga Haʻapai registrado em meados de 2015 após uma série de erupção que formaram a pequena ilha (Imagem: Reprodução/NASA)

O vulcão submarino Tonga-Hunga Haʻapai está localizado no sul do Pacífico, cerca de 65 km do país polinésio de Tonga. Ele tem aproximadamente 1.800 metros de altura e até 20 km de extensão.

Seu nome vem das duas ilhas próximas, Hunga Tonga e Hunga Haʻapai, sobras de uma caldeira vulcânica ainda mais antiga do que o vulcão em questão. Suas atividades foram notadas pela primeira vez em 2009, quando imagens de satélites revelaram plumas de cinza vulcânica.

Entre o final de 2014 e início de 2015, este vulcão apresentou atividades mais intensas e a erupção formou uma ilha com poucos metros acima do nível do mar. Nos anos seguintes, ele continuou a sua dinâmica ativa, lançando lava suficiente para expandir a ilha em quase 50%.

A erupção do vulcão submarino de Tonga, em 19 de janeiro de 2022, foi a maior atividade vulcânica da história recente (Imagem: Reprodução/NASA)

Em janeiro de 2022 Hunga Tonga-Hunga Haʻapai entrou mais uma vez em erupção — mas nada comparada às anteriores. Ainda assim, a força estimada pela atividade foi de até 10 megatons de TNT, destruindo grande parte da ilha formada nos anos anteriores.

Esta já é considerada a maior erupção vulcânica da história recente, pois, além de sua força, a erupção produziu uma série de tsunamis que atingiram quase toda a costa do Oceano Pacífico, incluindo partes dos EUA e até da América do Sul. A nuvem de cinzas atingiu uma altitude de 39 km.

O vulcão Hunga Tonga-Hunga Haʻapai é um exemplo de como alguns vulcões submarinos podem crescer a ponto de ultrapassar o nível do mar. É também o caso do Monte Etna, na Itália, que surgiu como um vulcão submarino há milhares de anos e hoje tem uma altura de 3.357 metros.

Fonte: Global Volcanism Program, NOAA; Com informações de NPR

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