Desativado, telescópio espacial Spitzer fez um registro incrível da nebulosa W51

Por Danielle Cassita | 31 de Agosto de 2020 às 15h40
NASA
Tudo sobre

NASA

Saiba tudo sobre NASA

Ver mais

No início deste ano, o telescópio espacial Spitzer, da NASA, chegou ao fim de suas atividades, mas não pense que seu potencial se encerrou por ali: os dados obtidos continuam sendo analisados e utilizados em novas descobertas e estudos — como ocorreu com a nebulosa W51, uma das regiões que formam tantas estrelas em nossa galáxia que recebeu o apelido de “fábrica de estrelas”. A W51 foi identificada pela primeira vez em 1958, e recentemente o Spitzer registrou uma bela imagem dela.

A imagem foi feita durante o Galactic Legacy Infrared Mid-Plane Survey Extraordinaire (GLIMPSE), um projeto realizado em 2004 com o Spitzer para realizar um mapeamento em grande escala da Via Láctea. O estudo foi desafiador, e trouxe dados importantes sobre os segredos que a nossa galáxia guarda — e, entre eles, estavam imagens de várias formações semelhantes à W51, escondidas por poeira. A região avermelhada no lado direito da W51 é mais velha, o que fica evidente pela forma como já foi afetada pelos ventos das diversas gerações de estrelas massivas. Já no lado esquerdo e mais jovem da nebulosa, muitas estrelas estão começando a limpar o gás e poeira da mesma forma como as estrelas do lado mais velho fizeram. Muitas delas estão em um processo de formação de bolhas de espaço vazio em volta de si mesmas.

Nebulosa W51 em registro do Spitzer (Imagem: NASA/JPL-Caltech)

Breanna Binder, professora assistente de física e astronomia na Universidade Politécnica Estadual da Califórnia, comenta a importância desta pesquisa: "as imagens espetaculares providenciadas pelo Spitzer através da GLIMPSE — junto de dados de muitos outros telescópios — nos mostram como as estrelas massivas se formam na Via Láctea e como seus ventos poderosos e radiação interagem com o material que restou no ambiente", comenta. Ela ressalta que não é possível observar essas regiões formadoras de estrelas com tantos detalhes como conseguimos na Via Láctea. “Então, regiões como a W51 são muito importantes para avançar em nosso entendimento da formação das estrelas na Via Láctea, e podemos extrapolar sobre como as estrelas se formam em outras galáxias próximas”.

Essa nebulosa fica a aproximadamente 17 mil anos-luz da Terra, na direção da constelação Aquila. Infelizmente, não conseguimos enxergá-la a olho nu; mas, se fosse possível, veríamos essa densa nuvem gás de poeira com tamanho quase tão grande quanto a Lua cheia. A W51 é uma região conhecida pela formação de estrelas, atividade que pode ocorrer durante milhões de anos; hoje, já sabemos que essa nebulosa conta com mais de 30 estrelas do tipo O, as mais massivas do universo. Pois é, mesmo após sua desativação, o Spitzer continua trazendo novidades sobre o que nos rodeia; isso pode parecer curioso, mas como as análises das observações costumam levar algum tempo para serem realizadas, os observatórios podem continuar rendendo informações para novos estudos até anos após o encerramento da missão.

Fonte: JPL

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.