Cientistas identificam gás frio e misterioso no centro da Via Láctea

Por Danielle Cassita | 19 de Agosto de 2020 às 22h00

Uma equipe de pesquisadores encontrou evidências de um fenômeno curioso acontecendo no centro da nossa galáxia, onde o buraco negro supermassivo Sagittarius A* está. Trata-se de emissões de um gás frio cuja origem ainda não foi identificada. Mesmo assim, a descoberta dessas nuvens de gás pode trazer implicações importantes para o futuro da Via Láctea. O artigo do estudo foi publicado na revista Nature.

Naomi McClure-Griffiths, professora da Australian National University (ANU), explica que “quando ao expulsar muita massa, você perde um pouco do material que poderia ser usado para formar estrelas”. Então, se determinada quantidade deste material for perdida, a galáxia não poderá mais formar novas estrelas. “Poder ver indicações da Via Láctea perdendo este gás formador de estrelas é animador, porque faz você imaginar o que vem depois!", finaliza. 

Este estudo também traz novas perguntas sobre o que pode estar acontecendo no centro da nossa galáxia agora. O movimento dos gases no centro da Via Láctea é assunto de debates há pelo menos uma década, entretanto, os astrônomos observaram não há apenas um gás quente saindo do centro da galáxia, mas também um gás frio e bastante denso, que não se move tão facilmente.

 Radiotelescópio Atacama Pathfinder Experiment (APEX), onde o gás foi observado (Imagem: ESO/B. Tafreshi/TWAN (twanight.org)

“As explicações padrão para o vento da Via Láctea é que ele é causado por um evento explosivo associado ao buraco negro ou aos ventos de uma supernova e estrelas”, pontua a professora. Mesmo assim, nenhum deles explica bem o gás misterioso. Além disso, ainda não está claro se o Sgr A* é responsável pela emissão do gás: "ainda não sabemos se o buraco negro ou a formação de estrelas pode produzir este fenômeno. Ainda estamos procurando a origem, mas quanto mais aprendemos sobre o fenômeno, mais complicado ele fica", explica Dr. Enrico Di Teodoro, autor líder do estudo. 

Outros processos semelhantes já foram observados em outras galáxias, mas, como estão distantes, não é possível observá-las detalhadamente. Então, como essa é a primeira vez que o fenômeno é observado na Via Láctea, temos uma vantagem: "nossa própria galáxia é quase um laboratório, onde podemos entrar e tentar entender como as coisas funcionam só de olhá-las de perto”. A equipe já tem outro projeto aprovado com o Observatório Europeu do Sul para utilizar o telescópio APEX para buscar mais nuvens. Com novas amostras, eles poderão entender melhor os processos físicos delas.

Fonte: Phys.org, CNet

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