Descoberto grupo de estrelas na Via Láctea que não nasceram em nossa galáxia

Por Danielle Cassita | 10 de Julho de 2020 às 18h20
Pixabay

Lina Necib, pós-doutoranda em física teórica na Caltech, fez uma descoberta curiosa: ela encontrou um aglomerado estelar na Via Láctea que, apesar de estar na nossa galáxia, tudo indica que esse fluxo de estrelas não nasceu dela, e podem ter vindo de uma galáxia anã massiva que foi arrastada ao disco galáctico antes de se romper.

O fluxo de estrelas recebeu o nome de Nix, inspirado na deusa grega da noite. Localizado nas proximidades do Sol, o Nix pode sugerir que uma galáxia anã se mesclou à Via Láctea, pois alguns fluxos já foram identificados e relacionados a galáxias anãs. Para chegar a essa conclusão, foi preciso reunir o trabalho do observatório espacial Gaia, do projeto FIRE e de supercomputadores com aprendizado profundo.

(Imagem: ESO/NOGUERAS-LARA ET AL) 

Em sua pesquisa, Necib estuda o movimento das estrelas e da matéria escura na Via Láctea. Algo no movimento das estrelas chamou a atenção da pesquisadora: “Se há grupos de estrelas se movendo juntas de um jeito particular, geralmente isso indica que existe um motivo para esse movimento”, aponta. Assim, em 2013, o observatório espacial Gaia foi lançado pela Agência Espacial Europeia (ESA) para criar um modelo 3D da mais alta precisão para representar mais de um bilhão de estrelas na Via Láctea.

Depois, em 2014, pesquisadores da Caltech e de mais diversas instituições iniciaram seus trabalhos no projeto FIRE, sigla para Feedback In Realistic Environments ("Feedback em Ambientes Realísticos", em tradução livre"). Concorrente do Gaia, esse projeto tem o objetivo de criar simulações detalhadas e realistas de galáxias com os conhecimentos dos cientistas sobre o nascimento e formação delas.

Juntos, estes dois grandes projetos de astrofísica foram analisados com métodos de deep learning: uma rede neural foi treinada a partir dos movimentos de cada estrela nas galáxias virtuais, junto de classificações sobre se elas foram originadas na galáxia anfitriã ou se vieram de galáxias que se mesclaram. Foi assim que o Nix foi descoberto!

(Imagem: ESA/Gaia/DPAC)

Pode ser que o Nix contenha estrelas que não foram identificadas neste estudo. Nos próximos passos, a pesquisadora e sua equipe pretendem explorá-lo ainda mais, utilizando telescópios terrestres para aprenderem mais sobre a composição química do fluxo e descobrirem outros detalhes. Com isso, será possível determinar quando o Nix chegou à via Láctea, de que forma e quais são as dimensões da galáxia anã que o originou.

O Gaia irá liberar um novo relatório em 2021 com informações extras sobre 100 milhões de estrelas do catálogo. "Nós estamos desenvolvendo ferramentas computacionais que estarão disponíveis para várias áreas de pesquisa e atividades não relacionados", diz Necib. Isso indica bem a dimensão do impacto e do legado do trabalho produzido pela equipe.

Fonte: Phys.org, Science Alert

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