Destaques da NASA: fotos astronômicas da semana (09/05 a 15/05/2020)

Por Daniele Cavalcante | 16 de Maio de 2020 às 11h00
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Desde 1995, diariamente a NASA destaca uma imagem astronômica em um site chamado Astronomy Picture of the Day (APOD). Geralmente, é uma foto de algum objeto cósmico - galáxias, estrelas, cometas, nebulosas, entre outros -, com a explicação de um astrônomo profissional sobre ela. Às vezes, o destaque traz um vídeo, uma arte digital, um infográfico, ou registro de algum evento do passado.

Nesta semana, algumas das imagens selecionadas são recentes, enquanto outras são um tratamento especial de imagens capturadas há mais tempo por grandes telescópios, como o Hubble - que recentemente completou 30 anos em atividade. Entre os destaques da vez, estão as fotografias da Lua Cheia de maio, conhecida no hemisfério norte como Lua das Flores, e que nos proporcionou a última superlua de 2020. Outra belíssima foto registra a passagem do cometa SWAN e a queda de um meteoro, ao mesmo tempo. Também há o registro da chuva de meteoros líridas, que aconteceu no mês de abril.

Confira o compilado das imagens astronômicas destacadas pela NASA desta semana, com algumas explicações e curiosidades.

Sábado (09/05) - Lua das Flores

Foto: Tiziano Boldrini

Os nativos da América do Norte dão um nome à Lua cheia que acontece em maio: é a Lua das Flores, porque essa época está relacionada à primavera (no hemisfério norte) e ao nascimento das flores. Neste ano, ela aconteceu no dia 7 de maio, na última superlua de 2020.

Nesta imagem do fotógrafo Tiziano Boldrini, a Lua parece ter tons rosados, causados pela luz solar avermelhada durante o crepúsculo. Talvez o fato de ocorrer logo após a Lua cheia alcançar o perigeu (que é quando a Lua atinge o ponto em que fica mais próxima da Terra durante sua trajetória elíptica) tenha colaborado um pouco para que a Lua das Flores tenha sido tão bela.

De qualquer forma, a Lua Cheia da primavera é sempre um belo espetáculo e este lago e a e torre da igreja em ruínas compõe um cenário marcante. Este local fica perto do município de Casaleggio Novara, uma comuna italiana da região do Piemonte, província de Novara, no norte da Itália.

Domingo (10/05) - Galáxia da Toninha

Imagem: NASA/ESA/Hubble/HLA/Raul Villaverde

Esta galáxia, localizada a cerca de 300 milhões de anos-luz de distância na direção da constelação de Hydra é, na verdade, uma colisão entre duas galáxias - a NGC 2936, que originalmente era uma galáxia espiral típica, e a NGC 2937, que entrou no caminho da primeira, distorcendo-a com a interação gravitacional.

Ela recebe o nome de Galáxia da Toninha, por causa de seu formato peculiar (toninha é uma espécie de golfinho). Uma explosão de jovens estrelas azuis forma o nariz da toninha, enquanto o centro da espiral está no lugar daquilo que seria um olho. Faixas intricadas de poeira escura e correntes de estrelas azuis brilhantes arrastam a galáxia para o canto inferior direito.

A imagem foi reprocessada para mostrar o conjunto, também conhecido como Arp 142, em detalhes sem precedentes. O original foi capturado pelo Telescópio Espacial Hubble no ano passado. Dentro de um bilhão de anos, as duas galáxias provavelmente se fundirão em uma única galáxia maior.

Segunda-feira (11/05) - Betelgeuse

Imagem:  Adam Block/Steward Observatory/University of Arizona

A supergigante vermelha Betelgeuse, uma das estrelas mais brilhantes e incomuns do céu, tem chamado a atenção dos astrônomos pela sua variação de brilho, o que indica que ela poderia explodir em uma supernova em breve. Até agora, este não foi o caso, e talvez isso não aconteça tão cedo.

Ela se encontra na famosa constelação Orion, sendo a estrela que forma o ombro do caçador. No entanto, a Betelgeuse está bem mais perto de nós do que muitas das outras estrelas brilhantes dessa constelação, e até mesmo do que da Nebulosa de Orion - sua luz leva cerca de 700 anos para chegar até nós, mas cerca de 1.300 anos para chegar até a nebulosa.

Nessa imagem de longa exposição, milhares de estrelas em nossa Via Láctea podem ser vistas atrás da Betelgeuse, assim como poeira escura da nuvem molecular de Orion e algumas emissões vermelhas do gás hidrogênio nos arredores da estrela Anel Lambda Orionis, que representa a cabeça do caçador.

Terça-feira (12/05) - Líridas

Foto: Petr Horálek

Esses meteoros são da chuva líridas, que sempre atinge o pico no mês de abril. Ela recebe esse nome porque, para nós, da Terra, parece que ela vem da constelação de Lyra. No entanto, os meteoros são detritos que foram deixados para trás pelo cometa Thatcher. Sempre que a Terra cruza o ponto de sua órbita onde está o rastro de detritos deste cometa, temos a chuva de meteoros.

A imagem é da chuva de meteoros líridas deste ano, e mostra vários meteoros luminosos riscando o céu da costa do lago Seč, na República Tcheca. Também estão visíveis as estrelas brilhantes Vega e Altair, o planeta Júpiter e a parte central da Via Láctea. Ah, existem mais de 33 meteoros na imagem. Você consegue encontrar todos?

Quarta-feira (13/05) - Júpiter no infravermelho

Imagem: International Gemini Observatory/NOIRLab/NSF/AURA/M. H. Wong

Parece uma gigante marrom, mas é Júpiter no infravermelho. Alguns astrônomos do Observatório Gemini North, no Havaí, criaram esta que é uma das melhores fotos infravermelhas do planeta já capturadas da superfície da Terra.

O Gemini foi capaz de produzir uma imagem extremamente nítida, usando uma técnica que consiste em tirar muitas imagens e combinando as mais nítidas. A aparência de várias tonalidades de cor laranja é por causa das diferentes camadas de nuvens do planeta. A luz infravermelha pode passar através das nuvens melhor que a luz visível, permitindo ver camadas mais profundas e quentes da atmosfera jupiteriana. Quanto mais espessas são as nuvens, mais escuras elas aparecem na imagem.

Quinta-feira (14/05) - Eta Aquáridas x SWAN

Foto: Luc Perrot

A imagem acima forma uma paisagem celeste inusitada acima da Ilha da Reunião, situada no Oceano Índico - de um lado, temos o cometa SWAN, e do outro um remanescente do cometa Halley na forma de meteoro.

Todos os anos, no mês de maio, a chuva de meteoros Eta Aquáridas chega ao seu pico. O nome se deve ao fato desses meteoros parecerem vir da constelação de Aquário. O meteoro risca o céu da esquerda para a direita e sua “cauda” aponta para Aquário, que está bem acima do horizonte. Os meteoros Eta Aquáridas movem-se rapidamente, entrando na atmosfera a cerca de 66 km/s, e são visíveis a altitudes de 100 km ou mais.

Do outro lado, quase ao centro da imagem, a cerca de 6 minutos-luz da Terra, o coma esverdeado e a cauda longa do cometa SWAN passa acima dos picos vulcânicos. Estava prestes a amanhecer no momento em que o fotógrafo Luc Perrot capturou a imagem, e o cometa não se tornou tão brilhante quanto o esperado.

Sexta-feira (15/05) - luta cósmica

Imagem: Dietmar Hager/Torsten Grossmann

Pode não parecer, mas essas duas galáxias estão muito longe uma da outra - e muito mais longe ainda de nós, a 12 milhões de anos-luz de distância em direção à constelação Ursa Maior.

À esquerda, com seus grandes braços espirais e núcleo amarelo brilhante, está a galáxia espiral M81, também conhecida como Galáxia de Bode por causa do seu descobridor, Johann Elert Bode. Ela tem cerca de 100.000 anos-luz de diâmetro e é uma das galáxias mais fáceis de observar mesmo com pequenos instrumentos.

Do outro lado, marcada por nuvens vermelhas de gás e poeira, está a galáxia irregular M82. Ela também foi descoberta por Elert Bode e é a galáxia mais brilhante no infravermelho no céu noturno, pois emite mais radiação infravermelha do que radiação visível.

Essas duas galáxias estão presas em interação gravitacional há um bilhão de anos. A gravidade de uma afetou profundamente a outra durante uma série de encontros. A última “rodada” dessa “luta cósmica” durou cerca de 100 milhões de anos e provavelmente aumentou as ondas em torno da M81, resultando na riqueza de seus braços espirais.

Já a M82 ficou com regiões violentas de formação de estrelas e nuvens de gás em colisão tão energéticas que a galáxia brilha em raios-X. Nos próximos bilhões de anos, seus contínuos encontros gravitacionais resultarão em uma fusão, resultando em uma única galáxia.

Fonte: APOD

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