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Como os astronautas vão ao banheiro na Estação Espacial Internacional?

Por| Editado por Patricia Gnipper | 07 de Novembro de 2019 às 17h20

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NASA
NASA

Astronautas relatam que ir ao banheiro durante missões espaciais é algo bastante incômodo desde o início dos voos espaciais tripulados. A própria NASA publicou um relatório com essa declaração ao final do Programa Apollo nos anos 1970. Pouca coisa mudou desde então, sendo a forma como astronautas vão ao banheiro a maior reclamação da astronauta aposentada Peggy Whitson, que ficou quase dois anos na Estação Espacial Internacional (ISS).

Talvez você nunca tenha parado para pensar nisso, mas os astronautas precisam urinar e defecar no espaço assim como na Terra. Mas, por lá, essa tarefa não é simples: “equipamento de manuseio de resíduos não deve apenas ser projetado para funcionar em gravidade zero, como deve fazê-lo dentro das restrições de tamanho, peso e potência imposta pelos sistemas das espaçonaves”, explica a NASA.

Claro que as coisas estão diferentes desde a primeira missão tripulada ao espaco, quando a NASA ainda sequer havia cogitado a possibilidade de oferecer um meio de o astronauta Alan Shepard se aliviar durante sua jornada histórica. Pode acreditar: o primeiro norte-americano a ser lançado ao espaço fez xixi nas calças enquanto esperava o lançamento — e não por medo do que estava por vivenciar.

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Em defesa da agência espacial e de toda a equipe por trás da missão, o voo estava programado para durar apenas 15 minutos. O problema é que Shepard ficou um tempo muito longo na plataforma de lançamento e precisou aliviar a bexiga enquanto os preparativos ainda eram concluídos.

Para se ter uma ideia de quanto tempo ainda demorou, o próprio astronauta contou, posteriormente, que o traje feito de algodão ficou completamente encharcado no momento em que ele se aliviou, mas sua viagem não foi desconfortável por conta disso. “Eu já estava completamente seco no momento do lançamento”, relatou.

A partir daí, a agência espacial lembrou que astronautas são humanos e começou a pensar na questão de banheiros especialmente desenvolvidos para naves espaciais. Várias viagens aconteceram contando com improvisos neste sentido, passando por sacos, fraldas e até assentos sanitários com alças. Foram criados até mesmo cômodos especiais para os astronautas urinarem e defecarem, tudo isso com custos de US$ 19 milhões.

Fraldas e "camisinhas"

Em 2019, a NASA informou que, em alguma missão do Programa Artemis, deseja buscar 96 sacos de excrementos deixados na Lua durante o programa Apollo. Mas, se não havia um planejamento para que os astronautas fizessem suas necessidades, como eles fizeram tanto xixi e cocô em apenas seis missões que chegaram a, de fato, pousar no nosso satélite natural?

Depois do bem sucedido voo de Shepard, a agência passou a improvisar, de certa maneira. Os astronautas que foram à Lua no século passado ficavam com uma sacola de plástico acoplada nas nádegas para capturar as fezes diretamente, sem que o excremento entrasse em contato com o ambiente. Mas isso apenas quando estavam dentro da nave.

Quando saíam para caminhar no solo lunar, os astronautas vestiam uma "vestimenta de máxima absorção". Em outras palavras, uma fralda. E são sacos como essas "fraldas" que estão na Lua há 50 anos, esperando serem resgatados.

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Antes de chegar à solução das fraldas — que, pensando agora, parece a mais óbvia —, a NASA criou diversos outros mecanismos que foram utilizados por astronautas no espaço. Uma delas era uma espécie de algema de látex (na foto acima), parecida com uma camisinha, mas com os dois lados abertos.

Esse dispositivo foi criado numa época em que todos os astronautas eram homens, vale dizer. A camisinha era acoplada ao pênis e ligada a um tubo plástico, que, por sua vez, era conectado a um saco coletor. Mas o sistema não era à prova de falhas e, às vezes, a urina acabava vazando. Eca!

Com relação às fezes, a agência espacial se manteve satisfeita com o sistema que prendia uma espécie de saco às nádegas dos astronautas. Não havia necessidade de se reinventar a roda, mas o sistema ainda não era perfeito de qualquer maneira. “Após a defecação, o membro da equipe precisava selar o saco e amassá-lo para misturar um líquido bactericida com o conteúdo para fornecer o grau de estabilização desejado às fezes”, escreveu a NASA no relatório. “Como essa tarefa era desagradável e exigia uma quantidade excessiva de tempo, comida com poucos resíduos e laxantes eram geralmente servidos antes do lançamento”.

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Durante a Apollo 10, inclusive, houve um incidente envolvendo um "cocô voador". De acordo com registros da NASA, o astronauta Tom Stafford pediu: “Me dê um guardanapo, rápido. Há um cocô flutuando no ar”. Seu companheiro John Young se defendeu, negando ser o responsável pelo dejeto. “Eu não fiz isso. Não é um dos meus”, jurou, segundo a transcrição da viagem.

Apenas em 1973, com o lançamento da estação Skylab, a NASA adotou uma espécie de banheiro espacial — ou quase isso. Era, na verdade, uma espécie de buraco na parede, onde os astronautas se aliviavam e puxavam uma "descarga" que secava as fezes com calor e no vácuo, e aí o excremento podia ser estudado ou jogado no compartimento de lixo da estação.

Mulheres no espaço e novas soluções

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Chega de "Clube do Bolinha". Com a era dos ônibus espaciais, chegou a vez também de as mulheres começarem a ir para o espaço. E, com elas, o sistema de banheiro fica mais complexo, porque a "camisinha" de látex para urinar não serve para as características femininas. Era hora de projetar um banheiro espacial de verdade.

Para o xixi, a solução mais simples foi uma espécie de fralda superabsorvente. A NASA criou um "fraldão" parecido com um shorts para os astronautas, que foi usado durante muito tempo, mas hoje acabou sendo substituído por fraldas geriátricas convencionais — que ao menos são mais baratas.

Mas seguia o problema com o "número 2". O primeiro banheiro espacial projetado custou US$ 50.000 e foi chamado de Waste Collection System (“sistema de coleta de resíduos”). Era uma privada com cerca de um quarto o tamanho de um vaso comum, e os astronautas tinham que treinar a mira na Terra antes de se aventurar a fazer seus dejetos no espaço.

“O alinhamento é importante”, explicou Scott Weinstein, professor dos astronautas na arte de fazer cocô no banheiro espacial, conforme você pode conferir no vídeo abaixo:

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Como é o banheiro da ISS?

Já o banheiro da Estação Espacial Internacional (ISS) tem um buraco um pouco mais largo do que aquele dos ônibus espaciais, mais ou menos do tamanho de um prato. Os astronautas fazem não apenas o número 2 lá, como também urinam no mesmo lugar. As fraldas geriátricas são usadas apenas em atividades extraveiculares, do lado de fora da ISS, que duram cerca de 6 horas.

Os desejos da ISS ficam guardados em sacos plásticos, que retornam à Terra em naves de carga e se queimam durante a reentrada na atmosfera. Mas fique tranquilo: não tem como a gente ver essas “estrelas cadentes de cocô” aqui embaixo, então pode continuar fazendo seus pedidos a esses astros — se acreditar nesse tipo de coisa.

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Problemas com os banheiros espaciais

No começo de 2019, um dos banheiros da ISS teve problemas e vazou 10 litros de água na estação. O módulo, comprado em 2009, faz a reciclagem da urina para transformá-la em água potável para os astronautas. É isso mesmo: eles bebem o próprio xixi — e o dos outros, também.

Até 2009, aliás, a ISS só tinha um banheiro. Houve um episódio em que ele quebrou e os astronautas só podiam fazer cocô até que fosse consertado, pois apenas o sistema de absorção da urina foi afetado.

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A ex-astronauta Peggy Wilson, que ficou impressionantes 665 dias na ISS, falou em uma entrevista ao Business Insider sobre o grande problema da vida lá em cima: os dejetos. De acordo com ela, a vida em microgravidade é ótima, mas o banheiro espacial é um problema.

“Depois que ele começa a ficar cheio, você tem que colocar uma luva de borracha e empacotar tudo”, queixou-se. Atualmente, a ISS já consegue reciclar de 80% a 85% da urina expelida pelos astronautas. A intenção das agências espaciais é tornar esse sistema fechado, reciclando 100% de todos os dejetos — incluindo o cocô.

O futuro dos dejetos espaciais

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EM 2016, a NASA lançou um desafio pedindo ajuda para criar um sistema para o caso de missões em que os astronautas ficassem dias presos em seus trajes espaciais. O vencedor foi um sistema que usa uma portinha de acesso na virilha do traje espacial para acoplar sacos ou tubos coletores de resíduos.

Porém, a NASA disse que não estava preparada para o sistema conforme ele foi proposto, apesar de o seu inventor, dr. Thatcher Cardon, ter ficado com o prêmio de US$ 15.000. A agência está usando alguns aspectos desse sistema para criar um próprio que provavelmente será utilizado nos novos trajes espaciais que farão parte das missões Artemis — que levará homens e, desta vez, mulheres, à superfície da Lua em 2024.

Fonte: NASA, Business Insider