Cinco coisas sobre Marte que a missão InSight descobriu em 10 meses

Por Daniele Cavalcante | 26 de Fevereiro de 2020 às 09h45
NASA
Tudo sobre

NASA

Saiba tudo sobre NASA

Ver mais

Em uma série de artigos publicados nesta semana, cientistas analisando dados da sonda InSight divulgaram descobertas sobre Marte feitas nos primeiros 10 meses da missão da NASA. Entre os resultados, está uma resposta para o mistério de Cerberus Fossae, uma região marciana repleta de fissuras semiparalelas, formadas por falhas que dividiram a crosta. A explicação para isso? Marte é geologicamente ativo e repleto de “marsquakes” (abalos similares aos terremotos de nosso planeta).

O módulo de pouso da missão InSight é uma sonda projetada para estudar a sismologia, a geofísica, a meteorologia e o magnetismo do planeta. E embora não possua rodas para andar pela superfície marciana, a sonda conseguiu fazer descobertas o suficiente para ajudar os pesquisadores a entender melhor os processos geológicos que moldaram Marte.

1 - Grandes tremores

O principal objetivo da InSight é estudar o interior de Marte e tentar, assim, compreender os processos que moldaram os planetas rochosos do Sistema Solar (Mercúrio, Vênus, Terra e Marte). Para isso, a sonda conta com o instrumento SEIS (Seismic Experiment for Interior Structure), um sismógrafo para medidas precisas de "martemotos" e outras atividades internas do planeta.

Em outras palavras, uma das principais atividades da sonda é medir os “marsquakes”, que podem ser causados ​​por atividade sísmica subterrânea ou por objetos que atingem a superfície do planeta. Até agora, a InSight detectou 24 tremores de magnitude relativamente grandes, nos valores entre 3.0 e 4.0. Aqui na Terra, terremotos nessas magnitudes são grandes o suficiente para sentirmos o tremor sob nossos pés, mas não o bastante para causar muitos danos.

"Selfie" da InSight em Marte (Foto: NASA)

Esses marsquakes em particular ocorreram no subsolo a partir de uma profundidade maior do que em grande parte dos tremores, de acordo com Philippe Lognonné, membro da equipe InSight. Isso significa que, mesmo com essa magnitude considerável, o tremor provavelmente não seria percebido por ninguém, caso houvesse astronautas na superfície do planeta.

Dois desses tremores ocorreram perto da área Cerberus Fossae, que fica a cerca de 1.600 km de distância do local de pouso da sonda. Lá, as fissuras no solo indicam que houve atividade vulcânica nos últimos 10 milhões de anos. Toda essa agitação sísmica pode ter vindo dos restos desse vulcanismo, de acordo com Sue Smrekar, também parte da equipe.

A sonda ainda não detectou nenhum dos marsquakes realmente poderosos que ocorrem no Planeta Vremelho. "Os tremores maiores parecem ser menos frequentes neste momento do que esperávamos", diz Bruce Banerdt, o principal pesquisador da missão. Ainda assim, as detecções são importantes. "Pela primeira vez, estabelecemos que Marte é um planeta sismicamente ativo", disse Banerdt. "E a atividade sísmica é maior que a da Lua".

2 - Pequenos tremores

O restante dos 174 martemotos detectados durante os primeiros 10 meses da InSight foram relativamente pequenos e, por isso, é mais difícil descobrir exatamente onde eles ocorreram e o que os causou. O equipamento também já detectou outros pequenos abalos além dos que constam neste conjunto de dados sobre os primeiros 10 meses de missão. "Agora temos cerca de 450 tremores em nosso catálogo, e eles provavelmente estão distribuídos por todo o planeta e têm mecanismos diferentes", disse Smrekar.

Ainda não há muita explicação para toda essa quantidade de tremores. De acordo com Smrekar, a equipe por enquanto tem “muito mais dados do que conclusões e ainda estamos tentando entender o que Marte está nos dizendo”.

3 - Água

O deck e instrumentos científicos da InSight (Foto: NASA/JPL-Caltech)

Estudar os marsquakes também pode ajudar os pesquisadores a saber mais sobre a presença de água em Marte. É que a maneira pela qual as ondas sísmicas se propagam pelo solo depende não apenas da estrutura do planeta, mas também de como ele está hidratado.

A crosta marciana é mais seca que a da Terra, mas significativamente mais úmida que a da Lua. Se a InSight detectar grandes tremores de profundezas maiores, os pesquisadores terão mais pistas sobre onde encontrar água.

4 - Campos magnéticos estranhamente fortes

Provavelmente Marte já teve um campo magnético constante e abrangente como o da Terra, mas ele se perdeu ao longo de bilhões de anos. No entanto, algumas rochas mantiveram sua magnetização ao longo dos milênios e, por isso, o Planeta Vermelho ainda tem algumas pequenas áreas de campo magnético. Eles foram medidos anteriormente por sondas orbitais, até que a InSight finalmente levou o primeiro magnetômetro para a superfície marciana.

Os resultados das medições foram bastante inesperados. Os pesquisadores encontraram um campo estável “cerca de 10 vezes mais forte do que o previsto pelas observações de satélites, e isso significa que existem rochas magnetizadas no local de pouso da InSight", não muito longe do equador de Marte, de acordo com Catherine Johnson, outra integrante da equipe.

Essas rochas provavelmente estão no subsolo e suas antigas magnetizações dizem algo sobre a história das profundezas marcianas. "Se eles tivessem sido aquecidos a algumas centenas de graus centígrados, essa magnetização teria sido eliminada", disse Johnson. Então elas devem ter ficado bem frias desde que se magnetizaram bilhões de anos atrás.

5 - Demônios de poeira

Indicação do local de pouso da InSight e das vibrações geradas por possíveis redemoinhos que foram detectadas pela sonda (Imagem: NASA/JPL-Caltech/University of Arizona/Imperial College London)

A superfície de Marte está mais coberta de minitornados de poeira, apelidados de “dust devils”, do que se imaginava. Até agora, a InSight detectou mais de 10.000 vórtices giratórios passando por seus sensores, disse Lognonné. Apesar disso, a sonda não conseguiu captar nenhuma foto real de uma dessas tempestades - mas a sonda orbital Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) já fotografou uma delas enquanto ainda estava acontecendo na superfície marciana.

Fonte: Astronomy, NewScientist

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.