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Crítica | Distanciamento Social conta histórias baseadas na pandemia da COVID-19

Por| 20 de Outubro de 2020 às 22h00

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Divulgação: Netflix
Divulgação: Netflix
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Todos os anos, as mesmas coisas acontecem. Desastres naturais, mortes de pessoas queridas, tragédias e massacres, escândalos políticos, entre várias outras coisas. Mas em 2020, a situação ficou bem diferente do que se esperava. O alarme apitou ainda no final de 2019, mas quem poderia imaginar que um vírus mortal iria tomar conta do mundo inteiro em poucos meses?

Diferente da ficção, o coronavírus não transforma as pessoas em zumbis, não mata em questão de poucos dias e não tem as mesmas consequências em todo mundo que é infectado. Porém, tudo o que se sabe desse novo vírus, até agora, foi o suficiente para transformar o mundo, criar novos hábitos e estilos de vida, em um cenário em que todos precisaram se adaptar não só para não ser contaminado, mas para conseguir manter a saúde mental estável, assim como a financeira.

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Agora, sete meses depois da declaração de pandemia, o coronavírus começou a ganhar uma atenção diferente na mídia, deixando de ser apenas tema de noticiário como também de produções para a televisão. No Brasil, a doença vem sendo abordada na quarta temporada da série Sob Pressão, original do Globoplay, e nos Estados Unidos também será tema da clássica série médica Grey's Anatomy, que estreia uma nova temporada em novembro.

Mas a Netflix acabou de publicar um novo título também relacionado à pandemia da COVID-19. Batizada de Distanciamento Social, a série aborda todos as mudanças de rotinas que vieram com a pandemia, diferentes formas nas quais as pessoas vêm lidando com ela, além de debater questões sociais de convívio e entendimento sobre o que está acontecendo.

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Atenção: esta crítica pode conter spoilers da série Distanciamento Social!

Sem uma produção extremamente elaborada, mas sim com cenários simples e caseiros, e personagens comuns, Distanciamento Social, que leva o nome de um termo que não saiu da boca de grande parte da população até agora, mirou na simplicidade para trazer uma aproximação com o público, garantindo uma identificação e empatia, contando uma história diferente a cada episódio, com foco no começo da pandemia, quando as pessoas ainda estavam se adaptando e mais assustadas do que nunca, enquanto aprendiam a usar o Zoom e outras ferramentas para manter o contato com as outras.

Logo no primeiro, um baque: o personagem tinha uma barbearia e, por não ser considerada uma função essencial, lá no começo da pandemia todos os locais parecidos precisaram ser fechados. Como ele mesmo fala, o que ele demorou anos construindo, foi fechado em questão de dias por motivos que fogem do seu controle. Essa, infelizmente, é uma realidade de muitas pessoas que tiveram seus comércios e empresas fechadas por não conseguirem se sustentar nesses tempos difíceis. No episódio, o problema também é abordado com a questão das consequências que isso traz para a saúde mental, se apegando no fato de o rapaz também ter perdido a namorada e estar morando sozinho.

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Em seguida, acompanhamos histórias que abordam o tema com mais tranquilidade e com um toque de humor, como a de um casal que não está se suportando e recorre a um aplicativo de paqueras para encontrar um terceiro elemento para a diversão, ou a de outro casal, mas de idosos, que tem opiniões diferentes sobre atuar na linha de frente contra o vírus. Essas são intercaladas com histórias mais tristes e intensas, como a de uma família que está mantendo a matriarca isolada no quarto, com um caso grave de COVID-19 e correndo risco de morte, enquanto seu filho pequeno não consegue entender o motivo de ela estar isolada.

O episódio final traz ainda outro elemento para a trama, que aconteceu em paralelo ao auge da pandemia: os protestos do Black Lives Matter, ou Vidas Negras Importam, quando o mundo foi às ruas, em junho, protestar contra o assassinato de George Floyd, nos Estados Unidos, que foi estrangulado por um policial. Em 18 minutos, um homem de meia idade e um jovem, ambos negros, debatem sobre como lutar contra o racismo em diferentes gerações. O racismo e a xenofobia também são citados no episódio anterior, quando um adolescente chinesa descobre que o garoto de quem gosta vem publicando ofensas contra o seu país, devido ao coronavírus ter se originado por lá.

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O mais interessante da série é o fechamento de cada episódio com incertezas, assim como vem sendo a realidade. Não sabemos como vai ser daqui a um ou dois meses, muito menos daqui a um ano. Se estaremos vacinados, se seremos contaminados ou se sobreviveremos para contar essa história. Em Distanciamento Social, não vemos o que acontece com os personagens, se as coisas melhoraram ou não, nada tem um fechamento, a situação é apenas apresentada.

E isso tudo, que parece ser tão mórbido e triste, não nos abala da forma que abalaria se o coronavírus não existisse e estivéssemos assistindo a uma ficção nada baseada na realidade. Sabemos o que está acontecendo, mas não sabemos do futuro, e por mais que seja tocante ver as histórias contadas ao longo dos episódios, conseguimos nos conformar com a falta de respostas, assim como já nos acostumamos com o novo mundo real em sete meses de pandemia.

Distanciamento Social está disponível em oito episódios na Netflix.