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Como a guerra entre Israel e Hamas também dividiu Hollywood

Por| Editado por Durval Ramos | 23 de Novembro de 2023 às 15h17

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Netflix, Paramount Pictures
Netflix, Paramount Pictures

Os efeitos da guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas também tem sido sentido no mundo do entretenimento. Artistas têm se posicionado em relação ao conflito e, como tudo nbo mundo atual, as opiniões têm se transformado em alvo de polêmcias, acusações e até mesmo demissões. O afastamento da atriz Melissa Barrera da franquia Pânico no último dia 21 de novembro é apenas o capítulo mais recente de uma polarização que tomou conta das redes sociais e atingiu também Hollywood.

A jovem, que estrelou os dois últimos longas da série de terror, fez postagens em seu perfil no Instagram comentando que a Faixa de Gaza se tornou um campo de concentração durante o conflito, criticando os ataques israelenses à região depois do atentado terrorista do Hamas em 7 de outubro que matou 1,2 mil pessoas. Sem defender o grupo, a atriz pontuou a violência cometida contra a população civil em Gaza, onde mais de 15 mil pessoas já morreram — a maioria mulheres e crianças. Barrera ainda criticou a censura que a mídia estadunidense faz em relação à cobertura do caso, alegando que os algoritmos das redes sociais e a imprensa americana privilegiam o olhar israelense sobre a guerra.

"A censura é real. Os palestinos sabem disso, eles sabem que o mundo tenta invisibilizá-los há décadas. Continuem compartilhando."
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O problema é que o posicionamento da atriz mexicana não foi nada bem aceito dentro de Hollywood. Suas postagens foram alvos de críticas e não demorou para que a Spyglass Media Group, estúdio responsável pela franquia Pânico, anunciasse a demissão de Barrera. A acusação da empresa é que a atriz teria adotado uma postura antissemita ao se posicionar favoravelmente à Palestina.

"Temos tolerância zero ao antissemitismo ou ao incitamento ao ódio sob qualquer forma, incluindo falsas referências ao genocídio, depuração étnica, distorção do Holocausto ou qualquer coisa que ultrapasse flagrantemente a linha do discurso de ódio”

O episódio é simbólico porque escancara a divisão que a questão Palestina causa na sociedade como um todo, sendo bem evidente em Hollywood. Atores que, como Barrera, demonstraram apoio à população da Faixa de Gaza, que vem há mais de 40 dias sendo alvo de bombardeios sem poder deixar o território, vêm sendo criticados e sofrendo represálias. E isso inclui até mesmo grandes nomes do cinema.

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A ganhadora do Oscar Susan Sarandon (Besouro Azul) também teve problemas na última semana após também fazer comentários sobre a guerra que não foram bem recebidos. “Há muitas pessoas com medo de ser judias neste momento e estão experimentando o que é ser muçulmano neste país”, comentou a atriz. Por causa disso, ela foi muito criticada também pela tanto pela comunidade judia quanto pela muçulmana nos Estados Unidos. Além disso, ela foi dispensada da UTA, agência que a representava.

Essa não é a primeira vez que Sarandon se pronuncia sobre a guerra no Oriente Médio. Ela vem fazendo postagens em suas redes sociais e comentando que os ataques à Palestina são um genocídio. É importante reforçar, no entanto, que nem a veterana e nem Barrera demonstraram qualquer apoio ao Hamas e aos ataques cometidos pelo grupo, que mantém cerca de 240 pessoas reféns desde o dia 7 de outubro.

Outros nomes aderiram à causa. Jenna Ortega (Wandinha), Mark Ruffalo (Vingadores: Ultimato), Aimee Lou Wood (Sex Education) e até a cantora Dua Lipa pediram pelo fim dos ataques à Faixa de Gaza. Nem mesmo a indústria pornô escapou da controvérsia, com a ex-atriz a agora influencer Mia Khalifa demonstrando seu apoio à população palestina e sendo alvo de ataques por causa disso. De origem libanesa, Khalifa foi criticada por suas falas contra o governo de Israel, inclusive por alguns de seus patrocinadores. Ainda assim, ela não recuou. “Eu apoio todas as pessoas oprimidas e em qualquer lugar até que ninguém mais tenha que lutar por liberdade”, afirmou em uma de suas postagens sobre o assunto.

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Do outro lado, há vozes também muito ativas em defesa de Israel e das ações do governo de Benjamin Netanyahu na Faixa de Gaza. No início de novembro, por exemplo, a atriz Gal Gadot organizou uma exibição para celebridade de vídeos que expunham o ataque do Hamas contra comunidades isralenses no dia do ataque terrorista. As imagens tinham sido disponibilizadas pelas Forças de Defesa de Israel, das quais a própria atriz já fez parte antes de entrar para o cinema. "O mundo não pode ficar em cima do muro quando estes horríveis atos de terror estão acontecendo", escreveu a intérprete da Mulher-Maravilha em suas redes sociais.

E ela não foi a única. Na verdade, Hollywood se mobilizou em peso em apoio à Israel quase que de imediato aos ataques do início de outubro. Poucos dias após o atentado feito pelo Hamas, mais de 700 personalidades do cinemas assinaram uma carta aberta condenando as ações do grupo e demonstrando suporte ao povo israelense. Além da própria Gadot, nomes como Jerry Seinfleid, Chris Pine, Michael Douglas e Amy Schumer assinaram o documento. Outra signatária é a atriz Jamie Lee Curtis, que se tornou bem vocal em defesa de Israel nas redes sociais. Em uma de suas postagens, ela compartilhou um vídeo de um bombardeio em Gaza, alegando que as vítimas ali eram israelenses. Ao ser alertada que se tratava do cenário inverso, com vítimas palestinas, ela apagou a publicação.

Dois pesos, duas medidas

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O que a demissão de Melissa Barrera deixou claro é que o posicionamento em relação à guerra parece ter consequências apenas para um lado — algo que, de certa forma, corrobora a alegação que lhe custou o protagonismo da saga Pânico. Ao declarar apoio à causa palestina — e não ao Hamas, que fique claro —, ela foi imediatamente alvo de represálias, algo que não aconteceu com quem se solidarizou com o lado israelense. Na verdade, há uma pressão para que mais nomes em Hollywood sinalizem essa simpatia à causa sionista.

Essa diferença no tratamento é algo que foi percebido pelo público e que levantou muita discussão no modo como o Ocidente vem encarando e lidando com o conflito no Oriente Médio, ainda mais levando em conta um indústria tão influente quanto o cinema.

Foi o que Melissa Barrera comentou em seu Instagram no dia após sua demissão. Ao comentar seu afastamento, a atriz mexicana reforçou que condena tanto o antissemitismo quanto a islamofobia e que seu posicionamento não tem nada a ver com discurso de ódio. "Eu condeno todo tipoo ódio e o preconceito contra qualquer grupo de pessoas", diz.

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"Como latina, uma mexicana orgulhosa, sinto a responsabilidade de ter uma plataforma que me permita o privilégio de ser ouvida e, portanto, tentei usá-la para aumentar a conscientização sobr questões com as quais me importo e poder empresas minha voz aos necessitados. Toda pessoa nesta terra — independentemente da religião, raça, etnia, gênero, orientação sexual ou status socioeconômico — merece direitos humanos iguais, dignidade e, é claro, liberdade. Acredito que um grupo de pessoas NÃO é sua liderança e que nenhum órgão governamental deve estar acima das críticas. Eu rezo dia e noite pelo cessar das mortes, pela não violência e por coexistência pacífica. Eu vou continuar a falar por aqueles que mais precisam e continuarei a defender a paz e a segurança, os direitos humanos e a liberdade. O silêncio não é uma opção para mim".

Posição semelhante também foi adotado pela atriz Jenna Ortega (Wandinha), que também anunciou sua saída da franquia Pânico. Embora tenha destacado que o afatasmento aconteceu por conflitos de agenda com a série da Netflix, a estrela de 21 anos usou as redes sociais para se posicionar e também demonstrar apoio à Palestina ao compartilhar publicações que pedem o fim dos ataques à Gaza. Ainda no início do ano, meses antes do atual conflito, ela foi acusada de antissemita ao publicar uma mensagem pedindo a descolonização israelense na região.

Israel X Hamas: o que está acontecendo na guerra de 2023?

A disputa entre Israel e Hamas é antiga, mas teve seu estopim mais recente em 1947, quando a ONU porpôs a criação de dois estados na região da Palestina, um judeu e um árabe. No ano seguinte foi, então, criado o Estado de Israel, o que gerou milhões conflitos e culminou na expansão dos israelenses no território. O Estado palestino, porém, nunca saiu do papel.

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O mais emblemático dos embates aconteceu em outubro deste ano, quando o Hamas — que se autodenomina movimento de resistência palestino e que tem duas frentes de atuação, a armada e a política — lançou uma poderosa ofensiva contra Israel, que resultou em mais de 1,2 mil pessoas mortas e é considerado o maior atentado terrorista na região.

Esse novo ataque teve algumas motivações centrais como o bloqueio à Gaza, episódios de violêncian na mesquita Al-Aqsa e a expansão de assentamentos israelenses em território palestino. Israel, por sua vez, contra-atacou. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou que o país estava oficialmente em guerra contra o Hamas e que a Palestina pagará um preço sem precedentes.

Até o momento dessa reportagem mais de 15 mil civis já foram mortos, e o sistema de saúde na Faixa de Gaza está em colapso, fazendo com que várias pessoas sejam tratadas em condições sub-humanas.