Trump marca encontro com a indústria dos games para discutir violência armada

Por Jessica Pinheiro | 02 de Março de 2018 às 11h36

A violência armada é uma pauta recorrente em rodas de conversas e gabinetes políticos, e chama ainda mais atenção quando uma tragédia envolvendo tiroteios ocorre em alguma cidade. O último caso do gênero aconteceu há duas semanas, na Marjoty Stoneman Douglas High School, em Parkland, Flórida, onde 17 pessoas morreram.

Desde então Donald Trump vem estudando medidas preventivas contra esse tipo de acontecimento, e até mesmo comentou que pretende conceder o direito de porte de armas a professores. Mais recentemente, foi divulgado que o presidente dos EUA também tem planos de se encontrar com executivos da indústria dos games para debater o assunto.

“Os videogames, os filmes, as coisas na internet são tão violentas”, comentou o atual presidente dos Estados Unidos em uma assembleia com deputados e especialistas em armas nesta semana. Em seu discurso, Trump disse que fica indignado com o que as crianças hoje em dia estão consumindo, ignorando que isso seja possível porque os pais permitem. Indo além, ele ainda sugeriu a implementação de ações e de novos sistemas de classificação. E o primeiro segmento a receber essas ideias seria o de games.

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Para debater a ação, o presidente está com uma reunião marcada para a próxima semana. Ele vai se encontrar com membros da indústria dos videogames e avaliar o que pode ser feito.

Deja Vu

A Entertainment Software Association (ESA), uma associação comercial dedicada a atender as necessidades de negócios e assuntos públicos de empresas que distribuem jogos (isto é, publishers como a Microsoft, Nintendo, Sony, Activision, Blizzard, Electronic Arts, Square Enix, Ubisoft, dentre outras), declarou que nem a empresa e tampouco alguma companhia pela qual eles respondem receberam convites da Casa Branca até o momento. O órgão também negou qualquer conexão entre a violência armada e os videogames.

“Os mesmos jogos de videogame dos Estados Unidos são jogados em todo o mundo; no entanto, o nível de violência armada é exponencialmente maior nos EUA do que em outros países”, complementa a ESA. “Diversas autoridades examinaram o registro científico e descobriram que não existe nenhuma ligação entre o conteúdo da mídia e a violência da vida real”.

O grupo ainda acrescentou: “O setor de videogames tem uma longa história de parceria com os Estados Unidos e mais de 20 anos de classificação de videogames [feitas] pelo Entertainment Software Rating Board. Tomamos fortes medidas para fornecer ferramentas de modo a ajudar os jogadores e os pais a tomarem decisões informadas de entretenimento”.

Apontar que videogames são culpados pelos atos de terceiros não é exatamente uma novidade. O assunto já rondou cortes em inúmeros casos de violência armada, e muitos estudos já foram feitos para comprovar que o consumo de mídias fictícias, sejam elas videogames, filmes ou qualquer outro meio, não influencia ninguém a ponto de simular a violência de maneira real.

Em 2011, inclusive, a Suprema Corte dos EUA deu aos videogames a mesma proteção que concede a obras de expressão, como literatura, arte e cinema. Durante o caso de Brown v. Entertainment Merchants Association, decorrente de uma Lei da Califórnia que buscava regulamentar a venda de videogames violentos, a Justiça afirmou que “estudos psicológicos que pretendem mostrar uma conexão entre a exposição a videogames violentos e os efeitos nocivos sobre as crianças não provam que tal exposição faz com que os menores agissem de forma agressiva. Qualquer efeito demonstrado é pequeno e indistinguível dos efeitos produzidos por outros meios de comunicação”.

A Primeira Emenda da Constituição Americana, nesses recorrentes casos de tentativas de legislar videogames, até então sempre prevaleceu. Resta saber se, com esses supostos encontros com o atual presidente, a lei permanecerá sendo justa com o entretenimento, e se serão tomadas providências quanto ao real responsável pelo uso de violência armada: as armas de fogo.

Fonte: AV Club, Polygon, Venture Beat

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