5 filmes espanhóis excelentes para assistir na Netflix

Por Sihan Felix | 02 de Abril de 2020 às 12h19
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Com O Poço encabeçando a lista dos mais vistos da Netflix no Brasil, os filmes espanhóis entraram na mira de quem quer fugir da pegada hollywoodiana ou de quem simplesmente procura por um bom filme. Não que isso já não tivesse ocorrido em outras oportunidades, guiado por um ou outro da lista mais abaixo, mas talvez nunca tenha sido com o hype tão elevado como agora.

Além disso, em um período que estamos todos necessitando de cuidados especiais contra uma pandemia, é provável que assistir a bons filmes durante o tempo a mais em casa seja uma das melhores saídas. Pensando nisso, o Canaltech preparou uma lista com alguns filmes espanhóis excelentes disponíveis no catálogo da Netflix. A ideia também foi indicar para muitos gostos diferentes, tanto para assistir quanto para reassistir.

Sem mais demora e, como sempre, dentro de uma abordagem sem verdades absolutas, vamos à lista de 5 filmes espanhóis para assistir na Netflix.

5. Verônica: Jogo Sobrenatural

Verônica: Jogo Sobrenatural (de Paco Plaza, 2017) é um terror carregado de suspense que sabe muito bem onde está pisando. Ao contrário de investir em quebras de expectativas, o corroteirista e diretor Paco Plaza (da trilogia inicial de [REC] – fica a dica), doa-se completamente à construção delas. Há, sem dúvidas, subversões de gênero, mas o filme está mais disposto a construir um horror crescente, sem descanso, típico do cinema espanhol – algo como faz o ótimo Um Contratempo (mais abaixo na lista).

O trabalho cuidadoso e consciente de Plaza edifica bases sólidas para o filme de uma forma única: é um terror, de fato, que traz o sempre revisitado tema da possessão demoníaca, mas é claramente realizado com muito carinho e naturalidade. Pode ser perceptível que, nem tão em segundo plano, Verônica: Jogo Sobrenatural é sobre os “monstros” que despertam durante a adolescência.

4. Kiki: Os Segredos do Desejo

Dando a impressão de estar sempre buscando emular o cinema de Pedro Almodóvar, o diretor Paco León (um dos protagonistas do filme) faz de Kiki: Os Segredos do Desejo uma realização irreverente que conta com um elenco especialmente afiado. Muitos dos momentos mais engraçados chegam a ser ultrajantes (o que é um elogio aqui) e, quando as situações parecem passar do limite, há sempre uma certa empatia procurando envolver o espectador. Não consegue, de fato, copiar Almodóvar (e quem consegue?), mas é um exemplo de um filme um tanto quanto picante e com muito humor.

3. Perfectos Desconocidos

Perfectos Desconocidos é um dos remakes de uma excelente comédia dramática italiana realizada um ano antes – a versão mexicana também consta na Netflix. O filme fala sobre a conexão com os mais próximos e como se está distante de conhecer, de fato, quem está ao redor. Ainda que procure se explicitar como uma realidade fantástica e, acertadamente, desnude o poder que tem a intimidade (o micro) de transformar o todo (o macro), fica a sensação de que o autoconhecimento ainda é o melhor caminho.

Leia também: Crítica | Perfectos Desconocidos – o lobisomem de cada um

2. The Fury of a Patient Man

Originalmente Tarde para la ira, o filme, para fãs de suspense, pode ter um final um tanto quanto previsível. Mas o todo se difere de outros da lista por não alicerçar o seu suspense em reviravoltas. O que o diretor espanhol estreante Raúl Arévalo guia é um roteiro (escrito por ele mesmo e pelo também debutante David Pulido) que jamais julga seus personagens. É uma história que, por si só, é uma grande personagem. Na verdade, a história é a vilã, é uma marcha inevitável e destrutiva.

Vencedor do Prêmio Goya de 2017 em quatro categorias – Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante (para Manolo Solo, o Santi no filme), Melhor Estreia na Direção e Melhor Roteiro Original –, The Fury of a Patient Man é, provavelmente, o ponto mais fora da curva da lista. Não por permanecer entre gêneros ou se encaixar em mais de um, mas por não se tratar de algo clássico ou fechado e acabar por ser um recorte, um conto aberto... em direção ao tormento.

1. Um Contratempo

Um Contratempo parece beber de algumas das melhores fontes que retratam crimes perfeitos, como o próprio Alfred Hitchcock e Agatha Christie, além de ter uma evolução progressiva que traz muito dos melhores suspenses de Brian De Palma e uma dinamicidade fácil que se assemelha aos bons textos de Sidney Sheldon.

A verdade é que Um Contratempo é construído com muita racionalidade, amarrado com cuidado e tem uma tensão crescente constante. Cheio de reviravoltas, o filme espanhol do diretor Oriol Paulo conscientemente engana, reengana e engana novamente. Ele faz o coração do espectador acelerar e, sabiamente, tem uma leve despretensão, no sentido de que precisa que o público deixe de lado o que tem como verdades possíveis e aceite se submeter a uma história construída para entreter.

Como finalizei a crítica sobre o ele: "É um filme excepcional, que depende, sim, do grau de aceitação de quem estiver o assistindo. Pode ser, também, um exercício cardíaco bem interessante, porque, aceitando-o, o coração vai acelerar. E vai ser sem piedade".

Menções honrosas

  • Árvore de Sangue: porque Úrsula Corberó é uma atriz que vai muito além da Tokio de La Casa de Papel. E porque é um drama bem interessante que toca com carinho no universo das árvores genealógicas.
  • El Desconocido: porque é um típico filme de cronômetro – ou você faz em um tempo predeterminado ou você morre... no caso, explode – bem realizado.
  • Elisa y Marcela: porque é um romance biográfico com muitas camadas e é a primeira produção da Netflix a ter sido selecionada pela Berlinale. Na ocasião, houve uma reação forte dos cineastas alemães, que pediam a sua retirada da programação por ser fruto de um serviço de streaming.
  • Quem com Ferro Fere: porque é um bom suspense dirigido por Paco Plaza, o mesmo de Verônica: Jogo Sobrenatural.
  • Quién te cantará: porque é um dos filmes espanhóis mais diferentes do catálogo da Netflix. A história segue Lila, uma cantora famosa e com amnésia que, cansada da fama, acaba se esquecendo como se apresentar.
  • Toc Toc: porque ver portadores do transtorno obsessivo-compulsivo sendo tratados com leveza e – por causa dessa leveza – com respeito rende as risadas mais empáticas da lista.
  • A Trincheira Infinita: porque é um dos poucos filmes dirigidos por três cabeças que conseguem uma unidade bem clara. O roteiro conta a história de um marido marcado por um assassinato e uma esposa determinada a salvá-lo. Em um país dominado pelo fascismo, existe a trincheira de sua própria casa. É um drama com poder de comoção e identificação.
  • O Vazio do Domingo: porque é um drama dos mais sensíveis entre todos os filmes disponíveis na Netflix. Conta a história de uma senhora de classe alta que recebe a visita inesperada de uma filha e... só assistindo.

Agora, ficam aí os comentários para que, em um momento tão delicado, possamos trocar indicações e ir criando uma corrente de filmes cada vez maior. Tenho certeza que vocês podem complementar e enriquecer tudo. Vamos conversando, debatendo...

É isso. Fiquem em casa, lavem as mãos, limpem os celulares, evitem levar as mãos ao rosto, cuidem-se e... bons e ruins filmes para nós!

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