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Seca no Rio Negro revela arte rupestre de 2000 anos em rochas de Manaus

Por| Editado por Luciana Zaramela | 23 de Outubro de 2023 às 19h04

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PxHere/CC0/Domínio Público
PxHere/CC0/Domínio Público

A seca severa que atingiu o Rio Negro, no Amazonas, revelou arte rupestre em rochas de Manaus feita há cerca de 2.000 anos, segundo estimativas de cientistas. Os entalhes amazonenses representam rostos humanos e foram descobertos ainda em 2010, quando o último recorde na baixa do rio foi registrado. São dezenas de rochas marcadas que normalmente ficam submersas no rio.

À AFP, manauaras como a administradora Livia Ribeiro comentam ficar deslumbrados com as artes, que achavam até mesmo serem lendas até hoje. Embora habitantes e pesquisadores tenham mostrado empolgação com a revelação da arte antiga no Amazonas, a preocupação climática é grande — Livia teme não ver mais o rio na cidade dentro de 50 ou 100 anos, se a seca continuar nesse ritmo.

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É a maior estiagem desde que se tomam registros do nível do Rio Negro, o que teve início em 1902, há 121 anos. Ajuda emergencial já foi enviada para a região, onde diversos barcos, utilizados para transporte de pessoas e mercadorias, estão encalhados e impossibilitados de viajar, privando habitantes de bens básicos e meios para trabalhar. Entre as razões para a seca, estão o El Niño e o aquecimento do Pacífico Norte.

Arte dos primeiros habitantes

Ainda à AFP, Jaime Oliveira, do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), contou que os entalhes nas pedras compõem um sítio arqueológico de grande relevância. Eles ficam na Praia das Lajes, e foram descobertos em 2010, quando o Rio Negro chegou ao anterior recorde de baixa, com 13,63 metros de profundidade.

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A maioria das imagens busca representar a face humana, algumas com formas retangulares e outras ovais, mostrando sorrisos ou expressões mais sinistras. Segundo Oliveira, é um sítio que expressa emoções e sentimentos, e mesmo que seja arte rupestre, ressoa bastante com obras de arte da atualidade.

Beatriz Carneiro, historiadora e também membro do Iphan, comenta que a Praia das Lajes tem valor “inestimável” no entendimento dos primeiros habitantes da região, um tópico pouco explorado nos trabalhos acadêmicos. No entanto, ela lamenta as circunstâncias sob as quais as artes e o síto arqueológico voltaram à tona — e não apenas pelas agruras que a estiagem traz aos amazonenses. Ter os rios de volta ao nível normal, que cobre os entalhes, ajuda na preservação da arte rupestre e facilita o trabalho dos cientistas.

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Fonte: AFP via Phys.org